O crescimento das vendas de um cosmético da Bio Soft após ganhar visibilidade no TikTok levou a empresa a reforçar a integração entre redes sociais e varejo físico. O produto Lisa Bumbum, que já fazia parte do portfólio da marca, registrou em junho de 2026 vendas 618% superiores à média mensal anterior ao fenômeno digital, segundo dados internos da companhia.
O desempenho evidencia como o social commerce, modelo que combina conteúdo e comércio eletrônico, pode alterar a trajetória comercial de produtos já estabelecidos no mercado. Na avaliação da empresa, o desafio não está apenas em aproveitar a repercussão nas redes, mas também em manter a demanda e ampliar a disponibilidade do produto em diferentes canais de venda.
Os resultados começaram a aparecer em março de 2026, quando as vendas de Lisa Bumbum ficaram aproximadamente 88% acima da média mensal registrada antes do crescimento nas redes sociais. Em maio, a diferença chegou a 405%. O pico ocorreu em junho, com alta de 618%, e o desempenho permaneceu elevado em julho, quando as vendas ficaram cerca de 558% acima da referência histórica.
Atualmente, aproximadamente 80% das vendas do produto vêm do ambiente digital, com o TikTok entre os principais impulsionadores, de acordo com a Bio Soft. A empresa, porém, não divulga os volumes absolutos de unidades comercializadas nem o faturamento de Lisa Bumbum, o que limita a avaliação do impacto financeiro da expansão.
TikTok amplia espaço no comércio digital
O movimento acompanha a expansão do comércio integrado às redes sociais no Brasil. Em balanço divulgado em junho de 2026, o TikTok informou que o volume bruto de mercadorias vendido por meio do TikTok Shop (GMV, na sigla em inglês) cresceu 102 vezes na média diária durante o primeiro ano de operação da ferramenta no país. No mesmo período, o número médio de criadores afiliados ativos aumentou 46 vezes.
Ainda segundo dados divulgados pela plataforma, uma pesquisa com 17 mil usuários apontou que 57,8% dos entrevistados concluem compras diretamente no TikTok Shop após descobrir um produto no próprio aplicativo.
Na categoria de beleza e cuidados pessoais, vídeos de demonstração, avaliações e recomendações podem contribuir para apresentar produtos e estimular o interesse dos consumidores. Nesse contexto, itens que já integram o portfólio de uma marca podem encontrar novas oportunidades de venda a partir de conteúdos que ampliam sua exposição.
Camilla Clemence, gerente de marketing da Bio Soft, afirma que o caso de Lisa Bumbum mostra como a mudança no contexto de descoberta pode alterar o desempenho comercial de um produto existente.
“O que chama a atenção nesse fenômeno é que não estamos falando necessariamente de um produto novo, mas de um item que encontrou outro contexto de descoberta e passou a alcançar consumidores em uma escala diferente da que observávamos anteriormente”, diz.
Segundo a executiva, o crescimento da procura exige que as empresas avancem além da estratégia de comunicação nas redes sociais e considerem como sustentar a demanda gerada.
Integração com lojas físicas entra na estratégia
O aumento das vendas digitais também traz desafios operacionais e comerciais. Entre os pontos envolvidos estão a disponibilidade de estoque, a distribuição, os materiais de divulgação nos pontos de venda e a preparação das equipes comerciais para atender à procura.
Na Bio Soft, a resposta incluiu intensificar a comunicação nas próprias redes sociais, desenvolver materiais para pontos de venda e treinar a equipe comercial. A iniciativa busca aproximar o interesse despertado no ambiente digital das oportunidades de compra em lojas físicas.
A estratégia considera que a descoberta de um produto nas redes sociais não se traduz necessariamente em vendas recorrentes. Para ampliar o alcance comercial, a marca também precisa facilitar o reconhecimento e o acesso ao item fora das plataformas digitais.
“Viralizar pode acelerar a descoberta, mas não garante que o produto se torne uma escolha recorrente. Precisamos fazer com que o consumidor que conhece Lisa Bumbum no TikTok também consiga reconhecê-lo, encontrá-lo e comprá-lo na loja física”, afirma Camilla.
A executiva defende que o comércio eletrônico e o varejo tradicional sejam tratados como canais complementares, em vez de frentes concorrentes.
O caso de Lisa Bumbum mostra como o crescimento impulsionado pelas redes sociais pode exigir mudanças na operação comercial de marcas de consumo. Para a Bio Soft, o próximo desafio é transformar a visibilidade digital em uma presença consistente nos diferentes pontos de contato com o consumidor, sem depender exclusivamente da repercussão nas plataformas.


