Bruno Omeltech é administrador, contador e especialista em gestão de pessoas, fundador e CEO da Omeltech. Foto: Divulgação
Avanço de empresas como Nvidia, Tesla, Dell e Samsung no estado americano amplia a cadeia de inteligência artificial e reforça a demanda por profissionais preparados para novas funções e modelos de trabalho.
O Texas vem ganhando espaço na infraestrutura global de inteligência artificial ao reunir, em diferentes regiões do estado, investimentos em semicondutores, computação de alto desempenho, robótica e sistemas voltados à adoção de IA por empresas. O movimento envolve companhias como Nvidia, Tesla, Dell e Samsung e ocorre ao mesmo tempo em que cresce a necessidade de qualificação profissional para acompanhar as mudanças tecnológicas. Em agosto de 2026, a Nvidia informou que a Foxconn está construindo, em Houston, uma fábrica destinada à produção de sistemas de inteligência artificial da companhia. Em Dallas, a fabricante de chips também desenvolve uma frente de produção de supercomputadores em parceria com a Wistron.
O eixo tecnológico do estado se estende ainda a Austin e à região central do Texas. A Tesla mantém na cidade sua sede global e a Gigafactory, enquanto a Dell, sediada em Round Rock, atua no desenvolvimento de infraestrutura corporativa para inteligência artificial em parceria com a Nvidia. Na área de semicondutores, a Samsung mantém presença em Austin e desenvolve uma nova unidade de fabricação em Taylor. A expansão amplia a capacidade instalada na região para tecnologias relacionadas à computação avançada.
Um ecossistema que vai além dos chips
A concentração de diferentes atividades coloca o Texas em uma posição estratégica dentro da cadeia de desenvolvimento e adoção da inteligência artificial. O estado reúne desde fabricação de semicondutores e sistemas computacionais até aplicações industriais de IA e robótica.
É nesse ambiente que a Omeltech, empresa de educação corporativa fundada por Bruno Omeltech, ampliou sua presença nos Estados Unidos em 2026. A companhia escolheu o eixo entre Austin, Dallas e Houston como parte da estratégia de aproximação com polos de tecnologia, inovação e transformação do trabalho. Para Bruno Omeltech, acompanhar esse ecossistema permite observar não apenas a evolução das ferramentas, mas também seus efeitos sobre empresas e profissionais.
“Estar próximo desse ecossistema permite acompanhar a inteligência artificial não apenas como tecnologia, mas como uma mudança na maneira de trabalhar, liderar e desenvolver pessoas. Isso ajuda a identificar com mais rapidez quais transformações podem fazer sentido para as empresas brasileiras”, afirma.
Na avaliação do executivo, a experiência americana não deve ser simplesmente replicada no Brasil. O desafio seria identificar quais mudanças tecnológicas têm potencial para alterar operações, funções e competências dentro de cada organização.
“Não se trata de copiar o que uma empresa do Texas está fazendo, mas de entender quais transformações tecnológicas podem afetar cada operação, quais funções serão modificadas e quais competências precisarão ser desenvolvidas”, ressalta.
Capacitação ganha peso com avanço da IA
A expansão da infraestrutura de inteligência artificial também aumenta a pressão sobre as empresas para preparar suas equipes. O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, aponta que 77% dos empregadores consultados pretendem capacitar profissionais como resposta às transformações provocadas pela IA. O levantamento também coloca inteligência artificial, big data e tecnologia entre as competências com expectativa de maior relevância até 2030.
Nesse cenário, a adoção de IA passa a envolver mais do que a contratação de ferramentas e sistemas. As empresas precisam definir como essas tecnologias serão incorporadas aos processos e quais profissionais estarão preparados para utilizá-las.
A Omeltech atua justamente nessa frente, com programas de liderança, produção de conteúdo educacional, jornadas de aprendizagem e desenvolvimento de competências relacionadas a digital, dados e inteligência artificial. Entre os projetos realizados pela empresa estão academias corporativas de IA e dados e programas direcionados ao uso da tecnologia por lideranças.
“Comprar uma ferramenta pode ser rápido. Fazer com que centenas ou milhares de profissionais saibam onde utilizá-la, quais decisões ela pode apoiar e quais limites precisam ser considerados exige preparação”, aponta Bruno.
Tecnologia tende a deixar de ser diferencial isolado
À medida que ferramentas de inteligência artificial se tornam mais acessíveis, o diferencial competitivo pode migrar do simples acesso à tecnologia para a capacidade de incorporá-la aos processos de negócio.
Essa mudança coloca liderança, qualificação e gestão de pessoas no centro da transformação digital. Para empresas brasileiras, acompanhar o que ocorre em mercados mais avançados pode ajudar a antecipar impactos sobre funções, modelos de trabalho e competências exigidas.
“À medida que essas ferramentas se tornam mais acessíveis, a diferença estará cada vez mais na capacidade das empresas de preparar pessoas, lideranças e processos para transformar tecnologia em produtividade e resultado”, afirma o executivo.
A expansão de empresas de tecnologia e indústria no Texas, portanto, não se limita à construção de novas fábricas ou centros de computação. O movimento também evidencia uma segunda frente da transformação provocada pela IA: a necessidade de preparar trabalhadores e organizações para operar em um ambiente no qual novas tecnologias passam a fazer parte de atividades cada vez mais amplas.


