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Música & Negócios

Streaming movimenta R$ 3 bilhões e muda a lógica dos negócios da música no Brasil

Plataformas digitais responderam por 87,6% da receita do mercado fonográfico brasileiro em 2024, enquanto setor cresceu 22,5% e chegou a R$ 3,08 bilhões

A música brasileira deixou de depender da venda de CDs e passou a ter no streaming o principal motor financeiro de sua indústria. Em 2024, o mercado fonográfico nacional movimentou R$ 3,08 bilhões, considerando receitas de formatos digitais e físicos, alta de 22,5% em relação ao ano anterior. O streaming sob demanda respondeu sozinho por R$ 3,055 bilhões, o equivalente a 87,6% da receita total do setor. Pro Musica Brasil

Os números da Pro-Música Brasil mostram como a transformação digital alterou não apenas a maneira como o público consome música, mas também os modelos de negócio de artistas, gravadoras, produtoras e empresas que atuam no setor.

O crescimento é concentrado nas plataformas digitais. No primeiro semestre de 2024, por exemplo, as receitas digitais e físicas somaram R$ 1,442 bilhão, alta de 21% sobre o mesmo período de 2023. As receitas provenientes de assinaturas em plataformas digitais chegaram a R$ 995 milhões, crescimento de 28,4%. Pro Musica Brasil

O negócio deixou de estar na prateleira

Durante décadas, a comercialização de música esteve associada principalmente à venda de produtos físicos. Hoje, o valor econômico está cada vez mais relacionado à capacidade de uma música permanecer sendo ouvida, descoberta e compartilhada em plataformas digitais.

Em 2024, as vendas físicas representaram apenas 0,6% das receitas do mercado brasileiro consideradas no levantamento da Pro-Música. Mesmo com o crescimento do interesse por formatos como o vinil, que faturou R$ 6 milhões no primeiro semestre daquele ano, o formato ainda ocupa uma parcela pequena do mercado. Pro Musica Brasil

Isso muda também a estratégia de carreira. Para o artista, lançar uma música passou a ser apenas uma parte do negócio. Distribuição digital, construção de audiência, presença em plataformas, shows, direitos autorais, publicidade e relacionamento direto com o público passaram a fazer parte de uma mesma cadeia econômica.

Mais audiência, mas uma economia baseada em escala

O domínio do streaming cria uma característica importante para o mercado: a escala.

Uma música pode ser disponibilizada para um público potencialmente muito maior sem depender da fabricação e distribuição física de milhares de unidades. Ao mesmo tempo, a remuneração passa a estar ligada ao consumo e aos modelos de receita das plataformas.

No primeiro semestre de 2024, o streaming financiado por publicidade movimentou R$ 436 milhões no Brasil, alta de 6,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as receitas de assinaturas cresceram 28,4%, chegando a R$ 995 milhões. Pro Musica Brasil

Esse cenário coloca a audiência no centro da estratégia comercial dos artistas. A música continua sendo o produto principal, mas os dados de consumo ajudam a definir onde investir, quais faixas promover e quais públicos alcançar.

Oportunidade para artistas independentes

A digitalização também reduziu algumas barreiras tradicionais de entrada no mercado. Um artista independente pode hoje distribuir uma gravação para plataformas digitais sem necessariamente depender de uma estrutura tradicional de gravadora para chegar ao público.

Isso não elimina os desafios econômicos. Produção musical, divulgação, gestão de carreira, shows e construção de audiência continuam exigindo investimento e organização profissional.

A própria Pro-Música atribui parte do crescimento registrado em 2024 aos investimentos realizados pelas companhias fonográficas em produção de conteúdo nacional, marketing, promoção e desenvolvimento de carreira. Pro Musica Brasil

O dinheiro da música está cada vez mais espalhado

O mercado atual também é mais amplo do que simplesmente gravar e vender uma música. Uma mesma obra pode gerar receitas por streaming, execução pública, sincronização audiovisual, shows, publicidade e outros negócios relacionados aos direitos sobre o conteúdo.

No levantamento de 2024, a execução pública representou 11% da receita total do setor, enquanto a sincronização respondeu por 0,6%. Pro Musica Brasil

Para artistas e empresas, isso significa que a gestão dos direitos e das diferentes fontes de receita ganhou importância. Uma carreira musical passou a envolver, cada vez mais, decisões empresariais sobre catálogo, distribuição, contratos, propriedade intelectual e exploração comercial.

Uma indústria que virou negócio de dados

O avanço do streaming transformou a música em um mercado no qual o comportamento do público pode ser acompanhado de maneira muito mais detalhada. Plays, ouvintes, retenção, origem da audiência e desempenho das faixas passaram a fazer parte das informações utilizadas na gestão de carreiras.

O resultado é uma indústria em que criatividade e gestão caminham cada vez mais próximas. O artista continua dependendo da música para conquistar o público, mas a sustentabilidade financeira da carreira passa por uma cadeia muito maior de decisões empresariais.

Os dados mais recentes disponibilizados pela Pro-Música consultados para esta reportagem mostram, portanto, uma mudança estrutural: o principal produto da indústria continua sendo a música, mas o negócio ao redor dela passou a ser predominantemente digital.

Tags: 08 bilhões em 2024, com o streaming como principal fonte de receita da indústria musical., Mercado fonográfico brasileiro movimentou R$ 3