Raphael Costa, CEO do Grupo 220, aponta cinco frentes que devem entrar na agenda dos líderes ainda em 2026, incluindo competências, processos, inteligência artificial e planejamento para o próximo ciclo.
O segundo semestre costuma concentrar a pressão por resultados, cumprimento de metas e fechamento do ano. Para as empresas, porém, os meses finais de 2026 também podem representar uma oportunidade para revisar decisões, corrigir rotas e preparar a operação para 2027.
Na avaliação de Raphael Costa, CEO do Grupo 220, os líderes devem aproveitar esse período para analisar mudanças no mercado, identificar gargalos e avaliar se as equipes estão preparadas para as demandas que vêm pela frente.
“O segundo semestre não deve ser apenas uma corrida para entregar o que foi planejado. É o momento de analisar o que funcionou, corrigir rotas e construir as condições para o próximo ciclo”, afirma.
O Grupo 220 atua com mentoria corporativa, treinamentos, eventos e produção audiovisual voltados ao desenvolvimento de negócios. Costa também utiliza um método próprio de gestão baseado nos chamados 3Cs: Cultura Forte, Controle Total e Crescimento.
Cinco pontos entram no radar da liderança
Para o executivo, a preparação para o próximo ciclo deve começar antes da virada do ano. A primeira frente é a estratégia. As prioridades estabelecidas no início de 2026 ainda fazem sentido diante das mudanças no comportamento dos consumidores, no ambiente econômico e no mercado?
A segunda é pessoas e competências. A empresa precisa avaliar se os profissionais têm as habilidades necessárias para executar a estratégia e identificar eventuais lacunas que demandem treinamento, requalificação ou novas contratações.
Em seguida, aparecem os processos. A revisão pode ajudar a identificar atividades que consomem tempo e recursos sem gerar resultados proporcionais, abrindo espaço para ganhos de produtividade.
A quarta frente é tecnologia e inteligência artificial. Para Costa, os líderes devem avaliar quais ferramentas podem automatizar tarefas, apoiar decisões e liberar profissionais para atividades que exigem maior capacidade analítica e estratégica.
Por fim, está o próximo ciclo. A questão é identificar quais decisões precisam ser tomadas ainda em 2026 para que a empresa não chegue a 2027 apenas reagindo às transformações do mercado.
“Uma estratégia só funciona quando existe capacidade de execução. Por isso, olhar para as competências das equipes é tão importante quanto revisar metas e indicadores”, explica Costa.
Transformação tecnológica amplia demanda por novas competências
A necessidade de revisar competências ganha relevância diante das mudanças no mercado de trabalho. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum (WEF), cerca de 39% das habilidades utilizadas atualmente pelos trabalhadores deverão ser transformadas ou ficar desatualizadas até 2030.
O relatório também aponta que 63% dos empregadores consideram as lacunas de competências um dos principais obstáculos para a transformação dos negócios.
Entre as habilidades que devem ganhar relevância estão inteligência artificial e big data, pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, agilidade, curiosidade e aprendizagem contínua. Liderança e influência social também aparecem entre as competências com tendência de crescimento.
Na América Latina e no Caribe, 84% dos empregadores afirmam que pretendem capacitar suas próprias equipes para atender à crescente demanda por competências digitais e tecnológicas, de acordo com o relatório.
Para Costa, a evolução tecnológica não diminui a importância das habilidades humanas. O desafio está justamente em combinar domínio tecnológico com capacidade de interpretação, tomada de decisão e gestão de pessoas.
“O líder de hoje precisa entender tecnologia e dados, mas também precisa saber lidar com pessoas, comunicar decisões e conduzir equipes em situações de incerteza. Uma competência não substitui a outra”, afirma.
O cenário também reforça a necessidade de aprendizagem contínua. De acordo com o WEF, 59% dos trabalhadores deverão precisar de capacitação, requalificação ou atualização profissional até 2030 diante das mudanças nas competências exigidas pelo mercado.
Cinco competências ganham atenção dos executivos
Na avaliação do CEO, algumas habilidades devem receber atenção especial das lideranças durante a preparação para o próximo ciclo:
Pensamento estratégico: capacidade de analisar cenários, antecipar movimentos e tomar decisões que vão além das demandas operacionais.
Adaptabilidade: disposição para rever estratégias e decisões diante de novas informações e mudanças no mercado.
Inteligência tecnológica: compreensão de como recursos como inteligência artificial e análise de dados podem contribuir para produtividade e gestão.
Gestão de pessoas: capacidade de desenvolver equipes, delegar responsabilidades, oferecer feedback e manter profissionais engajados.
Aprendizado contínuo: disposição para atualizar conhecimentos e desenvolver competências de acordo com as transformações do mercado.
A revisão do segundo semestre, portanto, vai além do acompanhamento de indicadores financeiros e operacionais. Para as lideranças, o período pode ser usado para identificar mudanças que precisam começar antes do encerramento de 2026 e alinhar estratégia, tecnologia, processos e desenvolvimento de pessoas.
“A pergunta para este segundo semestre não é apenas ‘vamos bater a meta?’. É também ‘estamos nos tornando uma empresa mais preparada para o que vem depois?’. Essa reflexão precisa fazer parte da agenda da liderança”, conclui Raphael Costa.
Sobre Raphael Costa
Raphael Costa é CEO do Grupo 220 e atua em temas relacionados à estratégia, liderança, gestão e desenvolvimento de negócios. O executivo aborda temas como liderança estratégica, competências profissionais, transformação do mercado de trabalho, inteligência artificial e desafios da gestão em 2026.


