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Negócios

Reforma Tributária deve entrar no orçamento de 2027 e pressionar planejamento de caixa das empresas

Mudanças em preços, margens, créditos tributários e capital de giro exigem simulações ainda em 2026, enquanto parte das companhias ainda não dimensionou os impactos

A Reforma Tributária já começa a exigir das empresas mais do que adequações fiscais. Com uma nova etapa de transição prevista para 2027, mudanças na tributação poderão afetar preços, margens, aproveitamento de créditos, contratos e capital de giro. Por isso, especialistas defendem que os impactos sejam incorporados aos orçamentos do próximo ano ainda em 2026.

O nível de preparação, porém, ainda é desigual. Estudos realizados com gestores das áreas financeira, fiscal e de tecnologia de médias e grandes empresas indicam que quase 40% ainda não avaliaram os efeitos da Reforma Tributária sobre o capital de giro. Quase um terço também não sabe se os preços ficarão mais caros ou mais baratos em 2027, enquanto 25% ainda não conseguiram estimar os impactos sobre as margens.

A partir de 1º de janeiro de 2027, começa uma nova fase da transição. PIS e Cofins serão extintos e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) passará a integrar efetivamente o novo modelo. No caso do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), a alíquota será de 0,1% nos dois primeiros anos. O período de transição também envolve a criação do Imposto Seletivo e, nos anos seguintes, mudanças que alcançarão ICMS e ISS.

Impacto vai além do departamento fiscal

Para Victor Hugo Rocha, advogado e sócio fundador da Rocha & Rocha Advogados, um dos principais riscos é tratar a reforma apenas como uma questão tributária. Na avaliação dele, os efeitos precisam ser incorporados ao orçamento, ao planejamento financeiro e às decisões de investimento.

“A empresa que deixar para entender o impacto da Reforma Tributária quando 2027 começar estará fazendo um diagnóstico tarde demais. O empresário precisa transformar a reforma em número agora: quanto pode mudar o custo tributário, como isso afeta a margem, quais créditos poderão ser aproveitados e quanto de capital de giro será necessário para sustentar a operação durante a transição”, afirma.

O capital de giro aparece entre os principais pontos de atenção. A alteração na dinâmica de apropriação de créditos e a implementação de mecanismos como o split payment podem mudar o momento em que recursos deixam o caixa das empresas. Embora a utilização do mecanismo tenha sido adiada e sua adoção inicial seja opcional em determinadas operações, ele permanece entre os fatores que devem ser considerados nas projeções financeiras.

Com isso, o orçamento de 2027 tende a exigir mais do que estimativas de faturamento e despesas recorrentes. As empresas precisam avaliar cenários diferentes para carga tributária efetiva, repasse de preços, aproveitamento de créditos e necessidade de caixa.

“Fazer caixa para 2027 não significa simplesmente guardar dinheiro. Significa entender onde a Reforma pode pressionar a operação e se antecipar. Uma empresa pode ter aumento de faturamento e, ainda assim, enfrentar uma deterioração do caixa se seus preços, prazos de recebimento, créditos tributários e desembolsos não estiverem adequadamente dimensionados”, explica Victor Hugo.

Cinco frentes para revisar em 2026

A preparação para a nova etapa da reforma envolve diferentes áreas da empresa. Entre os pontos que devem ser considerados no planejamento estão:

Orçamento: as projeções de receita, custos, despesas e lucro para 2027 devem incorporar cenários de impacto tributário, em vez de simplesmente reproduzir a estrutura financeira de 2026.

Preços e margens: produtos e serviços precisam ser avaliados individualmente para identificar onde eventuais aumentos poderão ser repassados aos consumidores e onde a empresa poderá ter de absorver parte do impacto para preservar a competitividade.

Créditos tributários: a nova sistemática de não cumulatividade e a possibilidade de apropriação de créditos exigem uma revisão da estrutura de compras e fornecedores. O custo tributário deve ser analisado em conjunto com os créditos que poderão ser recuperados.

Capital de giro: além do valor dos tributos, é necessário considerar quando ocorrerão os desembolsos e como eles afetarão o ciclo financeiro. Empresas com margens mais estreitas ou prazos longos de recebimento podem precisar reforçar o caixa antes da mudança.

Investimentos de adaptação: sistemas de gestão, emissão de documentos fiscais, integração entre áreas, revisão de contratos, treinamento e mudanças de processos também precisam ser contemplados no orçamento. A transição já exige preparação para o tratamento de informações relacionadas a IBS e CBS nos documentos fiscais.

“É importante que o empresário não olhe apenas para a alíquota. A pergunta correta é: qual será o efeito líquido da reforma sobre o meu negócio? Isso envolve tributo, crédito, preço, margem, contrato, fornecedor, tecnologia e capital de giro. O planejamento financeiro precisa consolidar todas essas variáveis antes de fechar o orçamento de 2027”, diz Victor.

Preparação pode afetar decisões comerciais

Além de identificar riscos, o mapeamento antecipado dos efeitos da Reforma Tributária pode influenciar decisões comerciais. Empresas que identificarem previamente onde terão maior geração de créditos, quais fornecedores serão mais eficientes no novo sistema e quais produtos ou serviços poderão sofrer alterações relevantes de margem terão mais informações para ajustar suas estratégias.

A transição da Reforma Tributária se estende até 2033, mas seus efeitos começam a entrar de forma mais concreta no planejamento empresarial já em 2027, com a substituição de PIS e Cofins pela CBS e o início da implementação do novo modelo.

Para Victor Hugo Rocha, antecipar as análises pode ampliar as alternativas disponíveis às empresas e reduzir a necessidade de decisões tomadas sob pressão.

“Quem começar agora terá mais alternativas. Quem esperar 2027 chegar provavelmente terá de tomar decisões sob pressão: aumentar preço, cortar margem, buscar crédito ou reduzir investimentos. A preparação financeira serve justamente para evitar que uma mudança tributária se transforme em um problema de caixa”, conclui.

Sobre a Rocha & Rocha Advogados

Fundada em 2014, em Londrina (PR), a Rocha & Rocha Advogados atua nacionalmente na governança tributária de grandes contribuintes. O escritório nasceu da combinação de dois perfis complementares: Ciro Rocha, com visão técnica aprofundada sobre o funcionamento do Fisco; Vanessa Rocha, com liderança voltada à estruturação, ao crescimento da operação e à incorporação de tecnologia como instrumento de governança; e Victor Hugo Rocha, especialista em planejamento tributário e Reforma Tributária. 

Com mais de 100 profissionais, mais de 400 clientes ativos e presença em Londrina, Brasília, São Paulo e Curitiba, a Rocha & Rocha integra expertise jurídica e contábil para atuar onde a complexidade tributária exige mais do que conformidade: exige método, previsibilidade e decisão estratégica.

Tags: capital de giro, CBS, créditos tributários, economia, Empresas, fluxo de caixa, gestão financeira, gestão tributária, IBS, ICMS, impostos, ISS, negócios, orçamento empresarial, PIS e Cofins, planejamento empresarial, planejamento financeiro, preços e margens, Reforma Tributária 2027, tributação