Com cerca de 73% dos vínculos de assistência médica concentrados em contratos empresariais, avanço do segmento aumenta a demanda por profissionais capazes de combinar gestão de custos, tecnologia e estratégia de benefícios
O crescimento dos planos de saúde empresariais está mudando não apenas o perfil do mercado de saúde suplementar, mas também a rotina de quem atua na intermediação desses benefícios. Com contratos corporativos ganhando peso, o corretor deixa de ocupar uma função essencialmente comercial e passa a assumir uma posição mais próxima da consultoria.
Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que o setor encerrou 2025 com 53,2 milhões de beneficiários. Somente em dezembro, foram registrados mais de 1,1 milhão de novos vínculos. Os planos empresariais representam cerca de 73% dos contratos de assistência médica no país.
Esse cenário aumenta a importância da gestão dos benefícios dentro das empresas, especialmente diante de reajustes, pressão sobre custos e necessidade de oferecer assistência compatível com o perfil dos colaboradores.
De vendedor a consultor de benefícios
Com a expansão dos contratos empresariais, a atuação do corretor passa a incluir análise de custos, acompanhamento de reajustes, comparação entre produtos e apoio às empresas na tomada de decisões relacionadas à saúde dos funcionários.
Na prática, trata-se de uma função cada vez mais ligada à estratégia de gestão de pessoas.
Para César Zuchi, diretor de Expansão da Bliss Hub, a tecnologia tende a ampliar essa capacidade consultiva.
“À medida que os planos corporativos ganham relevância, cresce também a importância de profissionais preparados para transformar dados e necessidades em soluções estratégicas. A tecnologia deve servir para potencializar esse trabalho, nunca para substituí-lo”, afirma.
Rotina administrativa ainda limita produtividade
Apesar da mudança de perfil, boa parte do tempo dos corretores ainda é consumida por tarefas operacionais.
Levantamento de informações, envio de documentos, acompanhamento de propostas, geração de cotações e atendimento de solicitações administrativas continuam fazendo parte da rotina de muitos profissionais.
O efeito é uma redução do tempo disponível para atividades que podem gerar maior valor ao cliente, como relacionamento, análise de dados, negociação e planejamento de benefícios.
Esse movimento tem aberto espaço para plataformas de automação voltadas ao setor.
A Bliss Hub, por exemplo, atua na digitalização de processos de backoffice e desenvolveu a Fátima, uma assistente virtual criada para apoiar atividades administrativas e agilizar demandas operacionais.
Segundo a empresa, a ferramenta automatiza etapas como geração de cotações, comparação de produtos e emissão de apólices.
Tecnologia pode liberar tempo para decisões mais estratégicas
A automação de tarefas repetitivas acompanha uma transformação mais ampla no mercado de trabalho: sistemas digitais passam a executar atividades operacionais enquanto profissionais concentram esforços em decisões que dependem de análise, relacionamento e conhecimento do negócio.
No setor de saúde corporativa, essa mudança pode ter impacto direto na produtividade das corretoras.
Com menos tempo dedicado ao processamento manual de informações, o profissional pode acompanhar com maior atenção indicadores relacionados à utilização do plano, reajustes, perfil dos beneficiários e alternativas disponíveis no mercado.
Isso também pode ajudar empresas a avaliar o benefício de saúde de maneira mais próxima de outras decisões estratégicas de recursos humanos.
Saúde corporativa ganha peso na gestão das empresas
O plano de saúde está entre os benefícios mais relevantes na relação entre empresas e trabalhadores e, ao mesmo tempo, representa uma despesa significativa para organizações.
Por isso, decisões relacionadas à contratação, manutenção ou mudança de operadora exigem cada vez mais análise.
Além do preço, entram na avaliação fatores como rede credenciada, cobertura, experiência dos colaboradores, índices de utilização e previsibilidade de reajustes.
Nesse ambiente, o corretor tende a atuar como um elo entre empresas, operadoras e usuários, transformando informações técnicas em decisões mais compreensíveis para gestores.
Para Zuchi, o avanço do mercado reforça que o diferencial do profissional não está apenas na execução de tarefas administrativas.
O valor passa a estar principalmente na capacidade de interpretar necessidades, orientar clientes e estruturar soluções compatíveis com a realidade financeira e operacional de cada empresa.
Eficiência operacional redefine a corretagem
A combinação entre crescimento dos planos corporativos e avanço das ferramentas de automação indica uma mudança estrutural na corretagem de saúde.
O profissional continua sendo responsável pelo relacionamento e pela orientação do cliente, mas passa a contar com tecnologias capazes de reduzir atividades repetitivas e organizar informações.
Nesse modelo, produtividade não significa apenas atender mais empresas, mas utilizar melhor o tempo disponível.
Quanto mais processos administrativos forem automatizados, maior tende a ser o espaço para uma atuação baseada em estratégia, relacionamento e gestão de benefícios.
Sobre a Bliss Hub
A Bliss Hub é uma plataforma voltada à operação de corretores de planos de saúde. A empresa desenvolve soluções para automatizar tarefas de backoffice, reduzir erros e apoiar processos como cotações, comparação de produtos e emissão de apólices.
Fundada por Fernando Gonçalves, ex-consultor da Bain & Company e ex-líder de produtos no Nubank, a empresa opera atualmente em São Paulo e prevê expandir sua atuação para outras capitais brasileiras.


