Edge AI, infraestrutura de dados, segurança e modelos como serviço ganham espaço no planejamento das empresas para o próximo ciclo de investimentos
As empresas que começam a definir agora seus orçamentos de tecnologia para 2027 terão pela frente uma decisão que vai muito além da escolha de novas ferramentas. Com a inteligência artificial avançando sobre diferentes áreas dos negócios, investimentos em infraestrutura, segurança, conectividade, dados e capacidade de processamento passam a ser fundamentais para sustentar a transformação digital.
Segundo estimativa da IDC, os investimentos corporativos em tecnologia da informação na América Latina devem passar de US$ 104,1 bilhões em 2026 para US$ 118,1 bilhões em 2027. Entre as principais prioridades estão segurança, cloud, inteligência artificial, automação, gestão de dados e ambientes híbridos.
No Brasil, o planejamento também ganhou um novo componente com a sanção do Redata, programa que estabelece incentivos para investimentos relacionados a data centers e processamento de dados.
Para João Neto, CRO da Unentel, o planejamento da infraestrutura precisa acontecer antes da contratação de novas tecnologias.
“Uma boa parte do planejamento precisa acontecer antes da compra da tecnologia. Se uma empresa quer ampliar o uso de IA em 2027, por exemplo, deveria começar agora avaliando se a rede suporta o aumento do tráfego, se há armazenamento suficiente, como os dados estão protegidos e se os equipamentos atuais conseguem acompanhar a demanda. A ferramenta é só uma parte da decisão”, explica.
Infraestrutura de rede entra no centro da estratégia
Uma das primeiras áreas que devem ser avaliadas pelas empresas é a infraestrutura de rede. Com a expansão de aplicações em cloud, sistemas integrados e soluções de inteligência artificial funcionando simultaneamente, a conectividade passa a ter impacto direto sobre a disponibilidade das operações.
Para o próximo ciclo de investimentos, empresas devem mapear possíveis pontos de lentidão, avaliar a capacidade dos links, verificar a existência de redundância e identificar equipamentos próximos do fim de sua vida útil.
A antecipação desses problemas pode evitar que a chegada de novas aplicações provoque sobrecarga na infraestrutura existente.
Dados e armazenamento ganham importância
O avanço da inteligência artificial também aumenta a quantidade de dados que precisam ser armazenados, processados e protegidos. Por isso, a preparação para 2027 passa necessariamente por uma revisão da estratégia de dados.
Entre os pontos que devem entrar no planejamento estão a localização das informações, capacidade disponível de armazenamento, políticas de backup, controle de acessos e custos relacionados à expansão da infraestrutura.
A segurança também ganha relevância, principalmente em empresas que utilizam ambientes híbridos, distribuindo sistemas e informações entre estruturas próprias e serviços em nuvem.
Nesse cenário, não basta ampliar a capacidade. É necessário garantir que os dados possam ser acessados de maneira segura e que a infraestrutura consiga acompanhar o crescimento das operações.
Edge AI pode ganhar espaço
Entre as tecnologias que começam a aparecer no radar dos investimentos está a Edge AI, modelo que leva parte do processamento de inteligência artificial para mais perto do local onde os dados são produzidos.
Em uma indústria, por exemplo, câmeras e sensores podem analisar informações localmente e gerar respostas sem depender do envio contínuo de todos os dados para servidores distantes ou para a nuvem.
A arquitetura pode ser especialmente relevante para operações que exigem baixa latência, processam grandes volumes de informações ou não podem depender exclusivamente da conectividade com a nuvem.
Além de reduzir o tempo entre a coleta da informação e a resposta do sistema, o processamento na borda pode contribuir para reduzir o volume de dados que precisa ser constantemente transferido para ambientes externos.
Technology as a Service muda modelo de investimento
A evolução tecnológica também coloca em discussão a maneira como as empresas contratam e atualizam sua infraestrutura.
Equipamentos de rede, capacidade de processamento, armazenamento e outros recursos podem ter ciclos de atualização diferentes. Nesse contexto, o Technology as a Service (TaaS) aparece como uma alternativa para determinadas operações.
O modelo permite contratar tecnologia por meio de pagamentos recorrentes e ajustar a capacidade de acordo com a demanda, reduzindo a necessidade de concentrar todo o investimento na aquisição inicial dos equipamentos.
Para empresas que precisam acompanhar mudanças rápidas no mercado, esse formato pode oferecer maior flexibilidade para atualizar recursos e incorporar novas tecnologias.
Planejamento precisa acompanhar o crescimento do negócio
A principal preocupação para 2027 não deve ser apenas quanto a empresa pretende investir em tecnologia, mas como esses recursos estarão conectados às necessidades do negócio.
“Tecnologia precisa acompanhar o ritmo do negócio. Se a infraestrutura cresce mais devagar que a operação, ela vira uma limitação; se cresce muito acima da necessidade, pode representar um recurso mal aproveitado”, afirma João Neto.
Segundo o executivo, encontrar esse equilíbrio permite que a empresa amplie sua capacidade sem precisar reconstruir toda a infraestrutura a cada nova demanda.
“O ponto é encontrar uma estrutura que permita aumentar capacidade, atualizar recursos e incorporar novas aplicações sem precisar recomeçar o projeto a cada mudança”, finaliza.
Com a expansão da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos ambientes híbridos, o planejamento tecnológico para 2027 tende a ser cada vez mais integrado. Rede, armazenamento, segurança, processamento e dados deixam de ser decisões isoladas e passam a formar uma estratégia única de infraestrutura.
Nesse cenário, as empresas que começarem a avaliar sua estrutura com antecedência terão melhores condições de identificar gargalos, dimensionar investimentos e preparar a infraestrutura para acompanhar o crescimento dos negócios.


