Skip to main contentSkip to footer
DestaqueNegócios

NR-1: empresas enfrentam o desafio de transformar exigências legais em gestão efetiva dos riscos psicossociais

Adequação à norma vai além da documentação e exige atenção às condições de trabalho, à organização das equipes e à prevenção de riscos que podem afetar os trabalhadores

A inclusão dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho na agenda de saúde e segurança ocupacional amplia o debate sobre o papel das empresas na prevenção de problemas associados à organização das atividades profissionais. Com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), o desafio para as organizações passa a ser não apenas atender às exigências legais, mas também compreender como as condições de trabalho podem influenciar a saúde dos funcionários.

A discussão envolve questões como sobrecarga de atividades, clareza na definição de responsabilidades, organização dos processos e condições oferecidas às equipes para executar suas tarefas. Nesse cenário, especialistas e lideranças empresariais destacam a importância de evitar que a adequação à norma se limite à contratação de ferramentas ou à produção de documentos.

Para Breno Praça, CEO da Keevo Software, o cumprimento formal das exigências é necessário, mas não deve ser o único objetivo das empresas. A implementação precisa considerar as informações levantadas e a capacidade de transformá-las em medidas preventivas compatíveis com a realidade de cada organização.

Entre cumprir a norma e compreender a realidade do trabalho

Em muitas empresas, a primeira preocupação diante das exigências relacionadas aos riscos psicossociais é identificar uma ferramenta capaz de reunir informações para o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e demonstrar que os procedimentos foram realizados.

Embora essa etapa faça parte do processo, uma abordagem concentrada exclusivamente na comprovação de conformidade pode limitar o alcance das iniciativas. O diagnóstico, por si só, não resolve os problemas identificados: é necessário interpretar os resultados e avaliar quais mudanças podem ser feitas na organização do trabalho.

A questão central, portanto, é como utilizar as informações para identificar situações que merecem atenção e orientar decisões relacionadas à prevenção.

A NR-1 não transforma a empresa em responsável pelo tratamento clínico da saúde mental de seus funcionários. A responsabilidade empresarial está relacionada, entre outros aspectos, à identificação e ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, incluindo aqueles associados aos fatores psicossociais relacionados ao trabalho.

Isso significa observar não apenas os resultados individuais, mas também aspectos da rotina profissional, como distribuição de tarefas, exigências de produtividade, comunicação interna e organização das equipes.

Grandes e pequenas empresas enfrentam desafios diferentes

A implementação das medidas de prevenção pode variar de acordo com o porte e a estrutura de cada organização.

Nas grandes empresas, o número de funcionários, a diversidade de áreas e a complexidade das operações podem dificultar a aplicação uniforme das iniciativas. Mesmo com equipes especializadas e recursos disponíveis, existe o desafio de fazer com que as ações cheguem à rotina de todos os trabalhadores.

Nas pequenas empresas, a proximidade entre lideranças e funcionários pode facilitar a identificação de determinadas dificuldades e a adoção de mudanças. Por outro lado, a limitação de recursos e a pressão cotidiana para manter a operação e garantir a continuidade do negócio podem reduzir o tempo dedicado ao tema.

Em ambos os casos, a efetividade das medidas depende da capacidade de reconhecer os riscos existentes e estabelecer ações compatíveis com as condições reais de trabalho.

A adequação à NR-1, portanto, não deve ser tratada como um modelo único aplicável indistintamente a todas as organizações. O gerenciamento precisa considerar as características das atividades, os riscos identificados e as medidas preventivas necessárias.

O papel do diagnóstico na prevenção

O levantamento de informações é uma etapa importante para compreender os fatores psicossociais relacionados ao trabalho. No entanto, seu valor depende da forma como os resultados são utilizados.

Perguntas sobre a clareza das responsabilidades, a distribuição das atividades e as condições para executar o trabalho podem ajudar a identificar pontos que merecem investigação. A partir dessas informações, a empresa pode avaliar a necessidade de revisar processos, melhorar a comunicação, reorganizar tarefas ou aperfeiçoar práticas de liderança.

A proposta é evitar que o diagnóstico se transforme em uma atividade isolada, sem conexão com as decisões de gestão.

Para Breno Praça, a discussão sobre a norma deve estimular uma reflexão mais ampla sobre a relação entre a organização do trabalho e a prevenção de riscos. Isso exige que as empresas considerem a experiência cotidiana das equipes e avaliem se as medidas adotadas respondem aos problemas identificados.

A responsabilidade também envolve acompanhar as ações implementadas e verificar se elas contribuem para melhorar as condições de trabalho.

NR-1 pode aproximar conformidade e gestão de pessoas

A atualização das exigências relacionadas à saúde e à segurança ocupacional coloca em evidência a necessidade de integrar a prevenção à gestão empresarial. Em vez de tratar o tema exclusivamente como uma obrigação regulatória, as organizações podem incorporá-lo à avaliação de processos, à definição de responsabilidades e ao planejamento das atividades.

Essa abordagem não elimina a necessidade de cumprir os requisitos legais. Ao contrário, busca dar consistência à implementação, conectando os procedimentos formais às medidas de prevenção necessárias em cada ambiente de trabalho.

O desafio está em encontrar equilíbrio entre conformidade, responsabilidade e capacidade de execução. Isso significa reconhecer os limites da atuação empresarial na área clínica, sem deixar de considerar os fatores organizacionais que podem contribuir para os riscos ocupacionais.

Mais do que produzir registros, a implementação precisa permitir que a empresa compreenda sua realidade e tome decisões fundamentadas.

A questão colocada pela NR-1, nesse sentido, vai além de cumprir uma exigência: envolve a disposição das organizações para avaliar como o trabalho é estruturado e quais medidas podem contribuir para ambientes profissionais mais seguros.

Sobre Breno Praça e a Keevo Software

Breno Praça é CEO da Keevo Software, empresa de tecnologia que atua nas áreas de gestão contábil, gestão de pessoas e gestão empresarial.

Com mais de três décadas de trajetória, a companhia surgiu a partir do processo de transformação digital da Mastermaq e desenvolve soluções voltadas à automação e à eficiência operacional. Suas três divisões — Escritórios Contábeis, DP & RH e ERP (Gestão Empresarial) — oferecem ferramentas para apoiar empresas e profissionais na gestão de processos.

A Keevo utiliza tecnologias como inteligência artificial e soluções digitais para simplificar rotinas, apoiar a produtividade e responder aos desafios relacionados à gestão de pessoas, à mão de obra e aos custos operacionais.

Mais informações estão disponíveis em www.keevo.com.br.

Tags: ambiente de trabalho, Breno Praça, gestão de pessoas, gestão empresarial, Keevo Software, legislação trabalhista, liderança empresarial, NR-1, PGR, prevenção de riscos ocupacionais, Programa de Gerenciamento de Riscos, riscos psicossociais, saúde e segurança do trabalho, saúde mental no trabalho, segurança ocupacional