Luanna Vargas – CEO da Heronpay. Foto: Divulgação
Fintech apresenta na Febraban Tech 2026 plataforma voltada à automação de pequenas compras governamentais, prevenção de fraudes e monitoramento de despesas em áreas como saúde, educação e infraestrutura
A digitalização dos gastos públicos avança sobre uma área que ainda concentra processos manuais, fragmentados e de difícil rastreamento: as pequenas despesas operacionais. Na Febraban Tech 2026, a HeronPay apresenta uma plataforma voltada justamente à gestão desses chamados microgastos, combinando automação, controles prévios, análise de dados e monitoramento em tempo real.
A fintech, especializada em inteligência de pagamentos, busca aplicar ferramentas já utilizadas no setor financeiro a despesas recorrentes de órgãos públicos, como manutenção, compra de materiais de consumo, equipamentos de tecnologia e contratação de serviços locais.
Embora individualmente tenham valores reduzidos, essas compras podem representar grande volume quando consideradas em toda a estrutura de governos, escolas, hospitais, universidades e demais instituições públicas.
Segundo estimativa elaborada pela própria HeronPay, o mercado potencial relacionado a microgastos e pequenas despesas operacionais no setor público brasileiro pode movimentar entre US$ 40 bilhões e US$ 60 bilhões por ano.
O cálculo considera tanto despesas realizadas por dispensa de licitação em razão do valor quanto uma definição mais ampla de gastos descentralizados. Nesse cenário, a falta de integração entre sistemas pode dificultar a visualização de quem realizou determinada compra, quanto foi gasto, qual fornecedor foi contratado e qual justificativa acompanhou a despesa.
“Em validações de campo conduzidas junto a pessoas de secretarias estaduais, instituições federais, universidades e operações municipais de saúde e assistência social, identificamos um padrão recorrente: alta fricção, baixa visibilidade e ausência de controle em tempo real sobre despesas de pequeno porte que ajude o servidor, facilite o dia a dia e ainda melhore a transparência e previsibilidade”, afirma Luanna Vargas, CEO da HeronPay.
Automação para reduzir processos manuais
A proposta da empresa é reunir diferentes etapas da gestão de despesas em uma mesma estrutura tecnológica. A plataforma é dividida em cinco módulos integrados, começando por um sistema de procurement “fast track”, destinado a simplificar o fluxo de pequenas compras.
A ferramenta permite criar hierarquias de aprovação, políticas internas, limites de gastos e regras para fornecedores. A lógica é fazer parte do controle acontecer antes da transação, reduzindo a dependência de conferências posteriores.
Outro componente é o Spend Management, que reúne emissão de cartões, gestão de pagamentos, relatórios automatizados e acompanhamento da trilha orçamentária.
Já o módulo de Micro-ERP automatiza fluxos de aprovação e utiliza OCR — tecnologia de reconhecimento óptico de caracteres — para processar informações de documentos e comprovantes, reduzindo atividades administrativas repetitivas.
A camada de Analytics adiciona monitoramento de transações, identificação de possíveis fraudes, análise de fornecedores e previsão de gastos.
Na prática, a tecnologia tenta transformar um processo tradicionalmente burocrático em uma operação com maior visibilidade de dados e capacidade de acompanhamento.
Saúde e educação entre os possíveis usos
O impacto da digitalização desse tipo de despesa pode aparecer especialmente em estruturas descentralizadas, como escolas, unidades de saúde e órgãos responsáveis por manutenção de equipamentos e instalações.
Uma escola pública, por exemplo, pode precisar realizar dezenas de pequenas compras relacionadas a reparos, produtos de limpeza, acessórios de informática e materiais de consumo.
Nesse modelo, cada usuário poderia operar dentro de limites e permissões previamente definidos. Gestores, responsáveis financeiros, auditores e compradores teriam diferentes níveis de acesso e aprovação.
Alertas automáticos também poderiam identificar gastos incompatíveis com determinada política ou comportamento considerado fora do padrão.
A lógica pode ser aplicada ainda a unidades de saúde, onde compras operacionais e manutenção precisam ocorrer com rapidez para evitar interrupções de serviços.
Ao automatizar etapas administrativas, a proposta é liberar equipes para atividades mais estratégicas e reduzir o tempo dedicado a conferências, prestações de contas e processamento manual de documentos.
Eficiência também passa pela infraestrutura pública
A gestão de microgastos tem relação direta com a manutenção física de prédios públicos. Escolas, hospitais, postos de atendimento e demais instalações dependem diariamente de pequenas aquisições para continuar funcionando.
Problemas de iluminação, climatização, hidráulica, mobiliário ou equipamentos de tecnologia podem exigir respostas rápidas, mesmo quando os valores envolvidos individualmente são baixos.
Nesse contexto, sistemas digitais de compras podem ajudar gestores a acompanhar custos de manutenção, identificar padrões de consumo e antecipar necessidades de infraestrutura.
Além do controle financeiro, a análise histórica desses dados pode contribuir para decisões relacionadas a reformas, manutenção preventiva e planejamento orçamentário.
Controle antes da despesa acontecer
Um dos principais conceitos defendidos pela HeronPay é o chamado controle proativo.
Em vez de identificar uma irregularidade apenas durante a prestação de contas, o sistema permite estabelecer previamente regras como limite de valor, categoria de compra, orçamento disponível e fornecedores autorizados.
Caso determinada operação esteja fora dos parâmetros definidos, ela pode gerar alertas ou ser bloqueada conforme as políticas configuradas.
A estratégia acompanha um movimento mais amplo de transformação dos pagamentos corporativos, no qual dados são utilizados não apenas para registrar despesas, mas também para orientar decisões e antecipar riscos.
Segundo a HeronPay, sua arquitetura é agnóstica em relação às empresas emissoras de cartões. Isso permite integrar governos, bancos e diferentes emissores conforme a necessidade de cada projeto, reduzindo a dependência de um único parceiro financeiro.
A empresa também afirma possuir certificação de software junto a órgãos públicos que, em situações específicas e conforme o enquadramento jurídico aplicável, pode viabilizar modelos de contratação previstos na legislação.
Estratégia começa pelos governos estaduais
Para ampliar sua presença no setor público, a HeronPay pretende concentrar inicialmente sua estratégia nos governos estaduais e no Distrito Federal.
O foco inclui principalmente secretarias de Educação, Saúde e Infraestrutura, áreas que combinam grandes estruturas administrativas com grande quantidade de despesas descentralizadas.
A avaliação da empresa é que contratos estaduais podem permitir maior volume transacionado e adoção institucional mais rápida do que uma estratégia inicialmente pulverizada entre os mais de 5,5 mil municípios brasileiros.
Ao levar automação, análise de dados e inteligência de pagamentos para esse segmento, a fintech tenta ocupar um espaço ainda pouco digitalizado da administração pública.
Mais do que substituir planilhas ou processos físicos, o desafio será mostrar que o uso de tecnologia pode transformar pequenas despesas — muitas vezes invisíveis individualmente — em dados capazes de melhorar produtividade, transparência, planejamento e eficiência operacional.
Sobre a HeronPay
A HeronPay é uma fintech de inteligência de pagamentos com modelo SaaS B2B, voltada à automação de regras, análise de transações e prevenção de fraudes.
A empresa é liderada por Luanna Vargas Shirozono, matemática formada pela Universidade de São Paulo (USP), com mais de 20 anos de atuação no setor de pagamentos. A executiva passou pela Visa, onde atuou como diretora de Data Science & Advanced Analytics Insights, e é autora de patente na área de modelagem quantitativa.


