Cléber Gomes e Márcio Müller. Foto: Divulgação/arquivo pessoal
Empresa gaúcha planeja chegar a 100 unidades até 2030 e combina novos escritórios, inteligência artificial e padronização de processos para sustentar crescimento no mercado de consórcios
A expansão territorial voltou ao centro da estratégia de empresas do setor financeiro que buscam ganhar escala sem abrir mão de controle operacional. Nesse movimento, a gaúcha Maestria anunciou um investimento de R$ 10 milhões em 2026 para ampliar sua presença no Brasil por meio do projeto Maestria Digital, modelo que prevê a abertura de escritórios próprios em diferentes regiões do país.
A primeira etapa da estratégia concentra esforços no Sul, com avanço por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Atualmente, a companhia possui duas unidades em funcionamento em Porto Alegre e pretende terminar o ano com mais dez escritórios.
O plano, porém, é mais amplo. A empresa projeta chegar a 100 unidades até 2030, com a ambição de movimentar R$ 1,5 bilhão por mês em vendas.
A decisão ocorre em um momento de expansão do mercado de consórcios. De acordo com dados citados pela companhia com base na Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, a ABAC, foram comercializadas 2,36 milhões de cotas entre janeiro e maio de 2026, avanço de 14% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
As contemplações também teriam avançado no período, chegando a 753,58 mil, com R$ 53,83 bilhões em créditos disponibilizados aos consorciados.
Expansão exige eficiência operacional
Mais do que abrir novos endereços, o desafio da Maestria está em construir uma estrutura capaz de reproduzir processos, padrões comerciais e cultura empresarial em diferentes mercados.
Esse tipo de expansão exige eficiência especialmente em áreas como treinamento, acompanhamento de desempenho, gestão comercial e integração entre equipes.
Segundo Cleber Gomes, CEO e cofundador da Maestria, a companhia pretende adotar um modelo no qual os responsáveis pelas novas unidades tenham participação mais ativa na operação.
“Queremos formar sócios de negócio, e não apenas parceiros comerciais. A proposta é desenvolver empreendedores que possam liderar os escritórios com autonomia, compartilhando a cultura, a estratégia e os resultados da empresa”, afirma.
A estrutura procura equilibrar autonomia local e padronização, uma combinação importante para empresas que pretendem aumentar a presença física sem transformar o crescimento em aumento desproporcional de custos e complexidade.
Tecnologia entra como base para ganhar escala
Para sustentar a abertura das unidades, a Maestria também criou uma área dedicada ao desenvolvimento tecnológico e ampliou o uso de ferramentas de inteligência artificial.
A tecnologia está sendo aplicada a processos internos, gestão comercial e replicação das rotinas utilizadas entre os escritórios.
A estratégia evidencia uma tendência cada vez mais presente nos planos de expansão empresarial: novos pontos físicos precisam ser acompanhados por sistemas capazes de reduzir tarefas manuais, melhorar a produtividade das equipes e permitir que a operação cresça com maior previsibilidade.
Segundo Gomes, algumas atividades internas que anteriormente demandavam horas já conseguem ser executadas em poucos minutos.
“Estamos trabalhando em novos projetos, entre eles um simulador de consórcios e um portal com materiais de apoio para administradoras e parceiros, criando uma estrutura tecnológica que poderá ser utilizada por toda a rede de escritórios e representantes”, diz.
A empresa estima que o conjunto de investimentos possa contribuir para um crescimento de 50% no faturamento nos próximos 12 meses.
Escritório muda, mas continua relevante
A aposta em novas unidades também mostra que, mesmo com o avanço das operações digitais, empresas de serviços financeiros continuam enxergando valor estratégico na presença física.
Nesse modelo, porém, o escritório deixa de funcionar apenas como ponto comercial e passa a integrar uma estrutura híbrida, apoiada por tecnologia, sistemas de gestão e processos centralizados.
A arquitetura da expansão, portanto, envolve menos a simples abertura de espaços e mais a capacidade de criar unidades que operem de maneira eficiente, produtiva e conectada à estrutura central.
Para empresas que trabalham com redes comerciais, esse desenho pode reduzir diferenças de execução entre regiões e facilitar o treinamento de novos profissionais.
Mercado de consórcios impulsiona novos investimentos
A Maestria atua há cerca de 12 anos no mercado de consórcios e produtos financeiros voltados ao B2B.
Segundo a companhia, mais de R$ 5 bilhões em vendas já foram movimentados por meio de uma rede com mais de 180 representantes associados.
Além da comercialização de produtos financeiros, o negócio reúne consultoria estratégica, treinamentos, marketing, soluções financeiras e networking direcionado a empresários que atuam no setor de consórcios.
Com a nova rodada de investimentos, o próximo estágio de crescimento será baseado na combinação entre expansão física, tecnologia e produtividade operacional.
Se o plano avançar conforme previsto, a empresa terá pela frente o desafio comum às companhias que crescem por redes: aumentar a quantidade de unidades mantendo eficiência, experiência do cliente e padronização da operação.


