Foto: Divulgação Magalu
Da pequena loja de Franca ao comando de um dos maiores ecossistemas de varejo do Brasil, uma trajetória marcada por inovação, visão de futuro e liderança.
Algumas histórias de empreendedorismo começam com grandes investimentos. Outras começam muito antes, dentro de uma pequena loja e no contato diário com os clientes. A história de Luiza Helena Trajano pertence ao segundo grupo. Nascida em Franca, no interior de São Paulo, ela cresceu próxima ao negócio criado por sua tia, Luiza Trajano Donato, e seu marido, Pelegrino José Donato. O Magazine Luiza nasceu em 1957, quando o casal adquiriu uma pequena loja de presentes chamada A Cristaleira. O nome Magazine Luiza surgiu depois de um concurso cultural realizado em uma rádio com a participação dos próprios clientes.

Luiza Helena não fundou o Magazine Luiza, mas teve papel decisivo na transformação da companhia. Em 1991, aos 34 anos, assumiu a liderança da empresa e iniciou uma profunda mudança no modelo de gestão. A proposta era preparar uma companhia familiar para os desafios de um mercado que começava a mudar rapidamente.
A força de colocar as pessoas no centro
Uma das marcas da gestão de Luiza Helena foi aproximar liderança e funcionários.
Em vez de construir uma empresa cada vez mais distante conforme crescia, ela apostou em comunicação, participação e proximidade.
Essa filosofia permanece presente na cultura do Magalu. A companhia mantém, por exemplo, o Conselho de Colaboradores SOMA, criado por Luiza Helena em 1995. O grupo reúne colaboradores eleitos anualmente para representar diferentes unidades da empresa.
A lógica é simples, mas poderosa: quem está próximo do cliente e da operação também precisa participar das decisões.
Antes de todo mundo falar em transformação digital
Hoje, praticamente toda empresa fala em digitalização.
No Magazine Luiza, porém, essa transformação começou há décadas.
Em 1992, a companhia criou suas chamadas Lojas Eletrônicas, um modelo no qual o consumidor podia comprar por meio de terminais multimídia, com auxílio dos vendedores, sem que todos os produtos precisassem estar fisicamente expostos ou armazenados na loja.
A experiência seria posteriormente levada para a internet, dando origem ao comércio eletrônico do Magazine Luiza.
Foi uma mudança importante de mentalidade.
A empresa não abandonou suas lojas físicas para se tornar digital. Ao contrário, passou a utilizar a tecnologia para potencializar a presença física.
É justamente essa combinação que ajuda a explicar o posicionamento atual do Magalu: uma plataforma digital apoiada por pontos físicos e pelo relacionamento humano.
De uma loja familiar para um ecossistema
O crescimento do Magazine Luiza aconteceu por meio de expansão orgânica, aquisições, tecnologia e diversificação.
Ao longo das décadas, a companhia passou a atuar em diferentes frentes, construindo um ecossistema que ultrapassa a ideia tradicional de uma rede de lojas.
Atualmente, o Magalu possui mais de 1.300 lojas espalhadas pelo Brasil e mais de 30 mil colaboradores.
Essa transformação representa uma das maiores marcas da trajetória de Luiza Helena: entender que uma empresa precisa mudar sem necessariamente abandonar aquilo que a tornou relevante.
A tradição também pode ser inovadora
Uma das características mais interessantes do Magalu é a capacidade de transformar tradição em estratégia.
Um exemplo é a Liquidação Fantástica.
Criada há mais de três décadas, a ação nasceu de uma necessidade simples: movimentar os estoques depois das festas de fim de ano.
A ideia se tornou uma das campanhas mais conhecidas do varejo brasileiro e continua sendo realizada.
É um exemplo de como uma ação comercial pode se transformar em patrimônio de marca.
Uma liderança que vai além dos negócios
A atuação de Luiza Helena também ultrapassou as fronteiras do Magazine Luiza.
A empresária se tornou uma figura relevante nas discussões sobre liderança, empreendedorismo e participação feminina no mercado de trabalho.
Dentro do próprio Magalu, iniciativas voltadas à diversidade e ao enfrentamento da violência contra a mulher passaram a fazer parte da atuação institucional da companhia.
Em 2017, Luiza Helena criou o Canal da Mulher, iniciativa destinada a apoiar colaboradoras vítimas de violência.
O desafio de continuar mudando
O maior desafio de uma empresa que cresce durante décadas talvez não seja crescer.
É continuar relevante.
O Magazine Luiza atravessou diferentes gerações de consumidores, mudanças econômicas, a chegada da internet, a expansão do comércio eletrônico e, agora, uma nova transformação provocada pela inteligência artificial.
A companhia vem investindo na integração entre tecnologia, lojas, marketplace, logística e serviços.
A estratégia mostra que a transformação digital não terminou quando a empresa criou seu site ou aplicativo. Ela se tornou um processo permanente.
O que empreendedores podem aprender com Luiza Trajano
1. Conheça o cliente de perto
Antes de indicadores e plataformas, existe uma pessoa comprando. Entender essa pessoa continua sendo fundamental.
2. Tecnologia não substitui relacionamento
O digital pode ampliar uma empresa, mas não necessariamente elimina a importância do contato humano.
3. Inove antes de ser obrigado
As Lojas Eletrônicas surgiram quando o comércio eletrônico ainda estava longe de ter a importância que possui atualmente.
4. Cultura também é estratégia
Uma empresa pode copiar produtos, preços e tecnologias. Copiar uma cultura empresarial forte é muito mais difícil.
5. Crescer exige capacidade de mudar
O Magazine Luiza que existe hoje é muito diferente daquele que Luiza Helena encontrou ao assumir a liderança em 1991.
E talvez essa seja a principal lição.
A empresária que entendeu que o futuro começa antes
Luiza Helena Trajano não construiu sua trajetória apenas acompanhando as transformações do mercado.
Em diferentes momentos, ajudou o Magazine Luiza a se preparar para elas.
Da loja familiar de Franca à plataforma digital presente em todo o país, existe uma constante: a disposição para experimentar, ouvir, adaptar e continuar avançando.
No mundo dos negócios, onde tantas empresas desaparecem justamente porque deixam de acompanhar o comportamento do consumidor, a história de Luiza Helena representa uma ideia simples:
não é possível controlar as mudanças do mercado, mas é possível decidir como reagir a elas.
E essa capacidade de reação, construída ao longo de décadas, ajudou a transformar o Magazine Luiza em uma das marcas mais reconhecidas do varejo brasileiro.


