Pesquisa mostra que 54% dos brasileiros já compraram pelas redes sociais, enquanto interação com vendedores influencia parte das decisões
O live commerce vem ganhando espaço como canal de vendas e também como ferramenta para entender o comportamento do consumidor. Durante as transmissões, perguntas e reações do público ajudam empresas a identificar dúvidas, objeções e fatores que influenciam a decisão de compra.
Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, divulgada em julho de 2026, mostra que 54% dos consumidores digitais brasileiros compraram pelas redes sociais nos 12 meses anteriores ao levantamento. Entre os motivos, 29% destacaram a possibilidade de interagir e tirar dúvidas diretamente com o vendedor.
Para Débora De Landa, empresária com mais de 26 anos de atuação no setor joalheiro e fundadora da Joias Kether, a interação durante as lives permite identificar questões que não aparecem necessariamente nos números de vendas.
“No live commerce, a consumidora fala enquanto está formando a decisão. As perguntas mostram onde existe dúvida, o que desperta interesse e quais informações precisam ser apresentadas com mais clareza”, afirma.
A busca por informações também aparece nos hábitos dos consumidores. Segundo a pesquisa, 64% verificam o preço antes de comprar pelas redes sociais, 39% procuram comentários de outros consumidores e 39% buscam fotografias do produto. Já a impossibilidade de ver ou tocar o item é apontada por 49% como uma das principais desvantagens das compras digitais.
O mercado de transmissões comerciais também cresceu com a chegada do TikTok Shop ao Brasil. Segundo dados da própria plataforma, entre maio de 2025 e maio de 2026, o número médio diário de lives comerciais aumentou 20 vezes, enquanto o volume bruto médio diário movimentado pelas transmissões cresceu 161 vezes.
No setor joalheiro, a interação pode ajudar a esclarecer questões relacionadas a características, procedência e qualidade das peças. Débora afirma que dúvidas recorrentes durante as transmissões servem como indicativo para aprimorar a comunicação com o público.
“Quando a mesma dúvida aparece várias vezes, aquilo deixa de ser uma questão isolada. É um sinal de que precisamos olhar para a forma como estamos explicando o produto e entender o que a cliente precisa saber antes de se sentir segura para escolher”, ressalta.
Para a empresária, o alcance de uma transmissão não é suficiente para determinar a decisão de compra. Confiança, avaliações de outros consumidores e informações claras também pesam nesse processo.
“A audiência é importante, mas não responde sozinha por uma decisão de compra. A consumidora observa como a empresa responde, se existe domínio sobre aquilo que está apresentando e se encontra informações suficientes para fazer a escolha dela”, aponta.
Com o avanço das compras pelas redes sociais, as transmissões ao vivo passam a ocupar um espaço que combina venda e interação. Para as empresas, as perguntas feitas durante as lives podem funcionar como uma fonte adicional de informação sobre o que influencia o consumidor antes da decisão.
Foto: Divulgação


