Brasil exportou US$ 250,86 bilhões até agosto, enquanto São Paulo respondeu por cerca de metade da produção nacional de cana na safra 2025/26
O comércio exterior brasileiro registrou US$ 250,86 bilhões em exportações entre janeiro e agosto de 2026, alta de 10,3% sobre o mesmo período do ano anterior. O saldo da balança comercial chegou a US$ 55,32 bilhões, crescimento de 28,2%.
Parte desse desempenho está ligada às cadeias produtivas do interior paulista e do Centro-Sul, especialmente ao setor sucroenergético. Na safra 2025/26, a região Centro-Sul produziu mais de 616 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, enquanto São Paulo respondeu por 347,9 milhões de toneladas, cerca de 50,5% da produção nacional, segundo a Conab.
Para a safra 2026/27, a companhia estima produção nacional de 705,2 milhões de toneladas de cana, alta de 4,7%. Em São Paulo, a projeção é de 362,8 milhões de toneladas, crescimento de 4,3%.
Apesar do aumento na oferta de cana, a produção de açúcar deve recuar 2,9%, para 42,9 milhões de toneladas. Já o etanol de cana deve crescer 9,7%, chegando a aproximadamente 30 bilhões de litros.
“O mercado internacional não é estático. Preços, câmbio, demanda, estoques globais, políticas energéticas e decisões de cada país interferem diretamente na rentabilidade das nossas exportações”, afirma Cristiane Fais, CEO da Accrom e coordenadora do Núcleo de Comércio Exterior do CIESP.
Logística no centro do debate
O escoamento da produção é um dos principais desafios para manter a competitividade das exportações. O Porto de Santos, principal porta de saída da produção do Centro-Sul, movimentou 186,4 milhões de toneladas em 2025, recorde histórico. No primeiro semestre de 2026, foram 92,8 milhões de toneladas, alta de 5,05% sobre o mesmo período de 2025.
“Não adianta termos uma produção competitiva dentro da porteira e uma indústria eficiente se o produto perde competitividade no caminho até o comprador internacional”, afirma Cristiane.
Além do agronegócio, a indústria também contribui para o resultado externo. Entre janeiro e agosto, a indústria de transformação exportou US$ 129,41 bilhões, alta de 6,6%. A agropecuária somou US$ 57,85 bilhões e a indústria extrativa, US$ 62,14 bilhões.
Para os polos produtivos do interior paulista e do Centro-Sul, o desempenho das exportações depende, portanto, não apenas da capacidade de produção, mas também da eficiência dos corredores logísticos que conectam essas regiões aos mercados internacionais.
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