Débora De Landa, fundadora da Joias Kether e empresária com mais de 26 anos de experiência no setor joalheiro. Foto: Divulgação.
Consumidores valorizam imagens de produtos em situações reais, vídeos menos publicitários e interação ao vivo; movimento amplia o papel do conteúdo visual na experiência do e-commerce
No comércio eletrônico, uma boa fotografia deixou de cumprir apenas a função de tornar um produto atraente. Cada vez mais, imagens, vídeos e transmissões ao vivo são usados para reduzir dúvidas, demonstrar características e diminuir a distância entre a experiência digital e o contato físico com aquilo que está sendo comprado.
Pesquisa do Opinion Box em parceria com a Influency.me, divulgada pelo E-Commerce Brasil, aponta que 70% dos consumidores que pesquisam produtos pelas redes sociais consideram mais confiáveis fotos que mostram os itens em situações do cotidiano. Ao mesmo tempo, conteúdos com aparência excessivamente publicitária incomodam 41% dos entrevistados.
Os números ajudam a explicar por que marcas têm buscado uma comunicação visual mais próxima da vida real. Em vez de apresentar apenas imagens altamente produzidas, a tendência é combinar qualidade estética com referências que permitam ao consumidor compreender tamanho, proporção, uso e características do produto.

No mercado de joias, onde detalhes podem ser determinantes para a decisão de compra, essa estratégia ganha importância adicional.
Para Débora De Landa, fundadora da joalheria Kether e profissional com mais de 26 anos de atuação no setor, mostrar uma peça em diferentes situações ajuda a diminuir algumas das limitações da compra pela tela.
“A fotografia precisa despertar desejo, mas também ajudar o cliente a entender como aquela joia realmente é. Quando mostramos a peça no corpo, em movimento e por diferentes ângulos, ela consegue perceber melhor o tamanho, a proporção e como aquilo pode funcionar na vida real”, afirma.
Autenticidade passa a influenciar a decisão de compra
A busca por uma apresentação mais natural também aparece nos vídeos. Segundo o levantamento do Opinion Box e da Influency.me, 77% dos consumidores que pesquisam produtos pelas redes sociais preferem vídeos a textos. Entre eles, 43% consideram mais confiáveis conteúdos com edição leve, enquanto 22% indicam preferência por produções com acabamento profissional.
O resultado não significa que qualidade técnica perdeu importância. O que muda é a forma como ela é percebida: produções sofisticadas precisam conviver com uma crescente valorização da espontaneidade e da autenticidade. Para o varejo digital, isso cria um desafio. A imagem precisa valorizar o produto sem criar uma representação distante daquilo que será efetivamente entregue ao consumidor.
Imagem precisa compensar limitações da compra digital
A impossibilidade de tocar ou analisar fisicamente um produto continua sendo uma das principais diferenças entre o comércio eletrônico e a loja tradicional. Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, aponta que 85% dos consumidores digitais residentes nas capitais fizeram pelo menos uma compra online nos 12 meses anteriores ao levantamento.
Entre as desvantagens citadas, 49% destacam justamente a impossibilidade de ver ou tocar fisicamente o item antes da compra. Nesse contexto, fotografias mais informativas podem funcionar como uma ferramenta para reduzir incertezas. Em categorias como joias, roupas, acessórios, móveis e itens de decoração, mostrar um produto contextualizado ajuda o consumidor a criar referências de escala e proporção. No caso das joias, imagens no corpo permitem visualizar dimensões que seriam difíceis de identificar em uma fotografia isolada. Diferentes ângulos ajudam a demonstrar espessura, acabamento e formato.
A iluminação também merece atenção. Ouro, prata e pedras refletem a luz de maneiras diferentes, o que pode alterar a percepção de brilho, textura e tonalidade pela tela.
“Existe uma diferença entre valorizar uma joia e criar uma expectativa que o produto não precisa cumprir. O cliente deve reconhecer na peça que recebe aquilo que viu nas imagens. Essa correspondência é fundamental para construir confiança”, diz Débora.
Cinco práticas que aproximam a fotografia da experiência real
Algumas estratégias podem tornar a apresentação visual mais informativa no ambiente digital:
- Mostrar o produto em uso: permite que o consumidor entenda melhor como o item se comporta em uma situação real.
- Apresentar diferentes ângulos: ajuda a revelar acabamento, dimensões e características que uma única fotografia pode esconder.
- Preservar as características do produto: tratamentos e edições devem evitar alterações excessivas de cor, textura ou brilho.
- Criar referências de escala: contextualizar o tamanho facilita a avaliação, especialmente em produtos pequenos.
- Combinar fotografia e vídeo: o movimento acrescenta informações que imagens estáticas nem sempre conseguem transmitir.
Esses recursos transformam o conteúdo visual em parte da própria experiência de compra, especialmente em segmentos nos quais detalhes influenciam diretamente a percepção de valor.
Lives aproximam consumidor e vendedor

Outro formato que vem ganhando espaço no comércio digital são as transmissões ao vivo. Dados da CNDL e do SPC Brasil mostram que 54% dos consumidores pesquisados compraram pelas redes sociais no período analisado. Entre os motivos para utilizar esses canais, 29% mencionaram a possibilidade de interagir e tirar dúvidas diretamente com o vendedor.
Antes de decidir pela compra, 39% também procuram fotografias do produto nas próprias redes sociais. Na Kether, as transmissões conduzidas por Débora permitem que consumidoras solicitem aproximações da câmera, comparações entre diferentes peças e demonstrações das joias no corpo.
“Na live, a cliente pode pedir para aproximar uma peça, perguntar sobre o tamanho ou solicitar uma comparação. Ela vê a joia em movimento e acompanha uma pessoa real apresentando o produto. Essa interação humaniza a experiência e ajuda a tomar uma decisão com mais segurança”, explica.
Conteúdo visual passa a exercer papel estratégico no e-commerce
A mudança mostra que fotografia, vídeo e transmissão ao vivo deixaram de funcionar apenas como elementos de divulgação. No ambiente digital, esses formatos também ajudam a apresentar informações, criar contexto e reduzir parte das dúvidas existentes antes de uma compra. Para empresas que dependem cada vez mais de redes sociais e e-commerce, a tendência reforça a necessidade de equilibrar estética, transparência e informação.
Quanto menor a distância entre aquilo que aparece na tela e aquilo que chega às mãos do consumidor, maior tende a ser a capacidade da marca de construir uma relação baseada em expectativa realista e confiança.
Sobre Débora De Landa
Débora De Landa é fundadora da joalheria Kether e atua há mais de 26 anos no mercado joalheiro. Sua trajetória inclui experiências com semijoias, importação de prata e, posteriormente, atuação no segmento de joias em ouro 18 quilates. Atualmente, lidera a Kether, que atende consumidores por meio de loja física, e-commerce e vendas ao vivo.


