Skip to main contentSkip to footer
Negócios

Empresários financiam projetos de infraestrutura em Balneário Camboriú para reduzir dependência de recursos públicos

Instituto mantido por mais de 40 empresas prevê investir cerca de R$ 10 milhões na elaboração de projetos para a reurbanização da Avenida Brasil; modelo também foi usado no alargamento da Praia Central

Matéria completa

Em Balneário Camboriú (SC), empresários e entidades da sociedade civil estão ampliando a participação privada na elaboração de projetos de infraestrutura urbana. Por meio do Instituto +BC, empresas locais financiam estudos e projetos executivos de obras públicas que, depois de concluídos, são doados ao município para eventual execução pelo poder público.

A estratégia busca reduzir a dependência de recursos externos para a fase de planejamento de grandes intervenções urbanas, em um momento marcado por restrições fiscais e pela proximidade das eleições de 2026. Segundo o Instituto, cerca de R$ 10 milhões serão destinados pela entidade apenas à etapa de projetos da reurbanização da Avenida Brasil, uma das principais vias da cidade.

A avenida, paralela à orla, deverá passar por uma reurbanização completa, incluindo uma proposta de instalação subterrânea da fiação. O projeto ainda depende das etapas públicas necessárias para que a obra seja executada pelo município.

O modelo de participação privada já havia sido utilizado nos estudos relacionados ao alargamento da Praia Central de Balneário Camboriú, intervenção que, segundo o Instituto, permaneceu em discussão por mais de duas décadas antes de avançar.

Infraestrutura como estratégia urbana

Criado em 2017, o Instituto +BC reúne mais de 40 empresas de diferentes setores e atua na articulação entre iniciativa privada, poder público e instituições especializadas. A organização afirma que seu papel é viabilizar estudos e projetos de interesse coletivo, sem fins lucrativos.

Além do alargamento da Praia Central e da reurbanização da orla, a entidade participou de iniciativas relacionadas a saneamento e drenagem e ao Parque Inundável Multiuso do Rio Camboriú.

Os projetos desenvolvidos pelo Instituto são posteriormente entregues ao município, que fica responsável pelas decisões e pela implementação das obras.

Para Marcos Gracher, presidente do Instituto +BC, a participação empresarial permite antecipar uma etapa que normalmente depende da estrutura pública.

“O que o setor privado estruturou aqui é uma espécie de proteção ao desenvolvimento urbano. Nós garantimos a evolução da cidade com recursos próprios”, afirma.

Segundo Gracher, a iniciativa também busca diminuir os efeitos das mudanças políticas sobre o planejamento urbano. “Projetar a nova orla ou a nova Avenida Brasil com capital privado significa que as obras acontecerão independentemente de quem ocupe a cadeira do Executivo em nível estadual ou federal”, diz.

A afirmação, porém, se refere à elaboração dos projetos. A execução das obras continua dependendo das decisões, autorizações e recursos do poder público.

Cidade enfrenta pressão por infraestrutura

A participação privada ocorre em uma cidade que passou por forte verticalização e crescimento populacional. De acordo com os dados apresentados pelo Instituto, 57,22% da população de Balneário Camboriú vive em apartamentos, percentual que coloca o município entre os mais verticalizados do país. O último Censo também apontou crescimento demográfico de 30%.

Esse processo aumenta a pressão sobre infraestrutura, mobilidade, saneamento, drenagem e segurança hídrica, especialmente em uma área urbana com disponibilidade limitada de espaço para expansão.

O setor imobiliário é um dos principais componentes da economia local, com forte presença de empreendimentos residenciais de alto padrão. Nesse cenário, investimentos em infraestrutura passam a ter impacto também sobre a ocupação de novas áreas da cidade e sobre a valorização imobiliária.

O release cita dados do FipeZAP para classificar Balneário Camboriú entre os mercados com metro quadrado mais caro do país, mas não apresenta o valor ou o ranking correspondente para setembro de 2026.

A proposta defendida pelo Instituto é que o planejamento urbano acompanhe a expansão imobiliária para além da região central e da faixa da Avenida Atlântica. A entidade aponta como prioridades a modernização de sistemas de saneamento, a segurança hídrica e melhorias de mobilidade.

Modelo reduz dependência no planejamento, mas não substitui o poder público

O financiamento privado de estudos e projetos não significa, por si só, uma transferência integral da responsabilidade pela infraestrutura para as empresas. A prefeitura permanece responsável pela avaliação, aprovação e execução das intervenções, conforme o modelo descrito pelo Instituto.

A experiência de Balneário Camboriú coloca em discussão um formato de cooperação em que empresas antecipam recursos para estruturar projetos que seriam posteriormente incorporados ao planejamento municipal. O mecanismo pode acelerar a preparação técnica de obras, mas sua implementação continua sujeita aos processos administrativos, orçamentários e legais do setor público.

Para o Instituto +BC, a intenção é manter uma agenda de projetos estruturantes independentemente do ciclo político. A entidade pretende continuar atuando em áreas consideradas estratégicas para o crescimento da cidade, com foco em infraestrutura urbana e planejamento de longo prazo.

Fotos divulgação: Instituto +BC

Tags: Avenida Brasil, Balneário Camboriú, construção civil, desenvolvimento urbano, infraestrutura urbana, Instituto +BC, investimentos em infraestrutura, investimentos privados, mercado imobiliário, mobilidade urbana, planejamento urbano, reurbanização, saneamento, Santa Catarina, setor imobiliário