Franco Scornavacca é empresário e fundador da MD1 Nexus. Foto: Divulgação
Alta dos investimentos brasileiros nos Estados Unidos e maior procura por vistos ligados a negócios refletem estratégia de diversificação, mobilidade internacional e presença em dois mercados.
A expansão internacional de empresas brasileiras começa a ganhar um novo formato. Em vez de transferir definitivamente operações, patrimônio e vida pessoal para os Estados Unidos, empresários têm buscado manter suas bases no Brasil enquanto constroem novas frentes de negócios no exterior.
O movimento ocorre em um cenário de crescimento dos investimentos brasileiros nos Estados Unidos. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), os aportes chegaram a US$ 22,1 bilhões em 2024, alta de 52,3% em relação a 2014. Dados do governo americano compilados pelo InfoMoney também apontam aumento de 22,5% em 2025 nos vistos relacionados a trabalho e negócios para brasileiros. Os números ajudam a contextualizar uma mudança na estratégia de internacionalização. Para parte dos empresários, estar nos Estados Unidos não significa necessariamente deixar de atuar no Brasil, mas ampliar o número de mercados nos quais podem operar, investir e estabelecer relacionamentos.
Internacionalização como extensão do negócio
Franco Scornavacca, conhecido como Kiko, acompanha esse movimento a partir de sua atuação na construção de conexões empresariais entre Brasil e Estados Unidos. Empresário e fundador da MD1 Nexus, ele afirma observar uma mudança no perfil dos brasileiros interessados em ampliar sua presença internacional.
“O empresário brasileiro não quer necessariamente emigrar. Ele quer ampliar suas possibilidades de crescimento, acessar novos relacionamentos estratégicos e desenvolver negócios em diferentes mercados sem perder a conexão com a operação construída no Brasil.”
Na avaliação do empresário, a mobilidade internacional passou a ser consequência de uma estratégia mais ampla de expansão, e não necessariamente o objetivo principal. A lógica representa uma mudança em relação ao modelo de internacionalização baseado na transferência completa das atividades. Empresas podem manter clientes, equipes e operações no Brasil enquanto estruturam novas iniciativas nos Estados Unidos ou em outros mercados.
“Muitos projetos de expansão fracassavam porque eram construídos a partir da ideia de ruptura. Hoje a lógica é diferente. O empresário mantém clientes, equipes e operações no Brasil enquanto desenvolve novas frentes de atuação fora do país. A internacionalização deixou de ser uma mudança e passou a ser uma diversificação”, afirma Scornavacca.
Empresas mais jovens também buscam novos mercados
A tendência não se restringe a empresários com negócios consolidados há décadas. Pesquisa da Endeavor divulgada em 2026 indica que 33% das empresas fundadas entre 2020 e 2024 já haviam iniciado algum processo de expansão internacional, enquanto 29% planejavam ingressar em novos mercados nos anos seguintes.
O interesse pela internacionalização também envolve fatores que ultrapassam a expansão comercial. Educação dos filhos, diversificação patrimonial, acesso a investidores, novos clientes e parceiros estratégicos estão entre os elementos que podem influenciar a decisão de construir uma presença internacional. Nesse contexto, a presença em mais de um país passa a ser encarada como uma forma de ampliar alternativas para empresas e famílias empresárias.
Presença em dois países exige estruturas complementares
Segundo Scornavacca, algumas características aparecem com frequência nos projetos de empresários que adotam esse modelo: manutenção da operação principal no Brasil, criação de estruturas complementares no exterior, diversificação geográfica dos investimentos e desenvolvimento de redes de relacionamento em diferentes mercados.
O interesse por programas de residência vinculados a investimento também faz parte desse cenário. Dados divulgados pela FirstPathway Partners apontam crescimento de 42% na emissão global do visto EB-5 em 2024. O Brasil permanece entre os dez países com maior participação no programa, destinado a investidores que atendem aos requisitos de investimento e criação de empregos estabelecidos pela legislação americana.
A procura por mecanismos de residência, no entanto, não significa necessariamente uma decisão de mudança definitiva. Para empresários com operações estabelecidas no Brasil, a possibilidade de circular e desenvolver atividades em diferentes mercados pode fazer parte de uma estratégia de longo prazo.
“A discussão deixou de ser Brasil ou Estados Unidos. O empresário passou a pensar em como aproveitar o melhor dos dois ambientes. Quem consegue construir presença internacional sem perder conexão com sua operação local amplia sua capacidade de adaptação, relacionamento e crescimento”, diz Scornavacca.
Um modelo de expansão baseado em diversificação
A estratégia de operar entre dois países acompanha uma visão mais ampla sobre crescimento empresarial. Em vez de substituir um mercado por outro, o objetivo passa a ser distribuir operações, investimentos e relacionamentos em diferentes ambientes econômicos.
Para a MD1 Nexus, que atua na conexão entre empresários, investidores e oportunidades de negócios entre Brasil e Estados Unidos, esse movimento tende a ganhar espaço à medida que empresas buscam novas alternativas de crescimento sem abrir mão de estruturas já consolidadas.
O modelo, porém, exige planejamento empresarial, tributário, societário e migratório adequado a cada caso. A expansão internacional não elimina os desafios da operação original e acrescenta novas exigências para empresas que passam a atuar em diferentes jurisdições.
Nesse cenário, a internacionalização deixa de ser necessariamente uma escolha entre permanecer no Brasil ou se mudar para os Estados Unidos. Para um número crescente de empresários, a estratégia passa pela construção de uma operação capaz de conectar os dois mercados.
Sobre Franco Scornavacca
Franco Scornavacca, conhecido como Kiko do KLB, é empresário e fundador da MD1 Nexus. Atua na construção de conexões empresariais entre Brasil e Estados Unidos, com foco em expansão internacional, networking estratégico e aproximação entre empresários, investidores e lideranças empresariais.
Sobre a MD1 Nexus
A MD1 Nexus atua com aceleração de negócios, conexões empresariais e expansão internacional, aproximando empreendedores, investidores e lideranças de oportunidades em mercados globais. A empresa mantém atuação entre Brasil e Estados Unidos e desenvolve projetos relacionados a internacionalização, expansão comercial e relacionamento empresarial.
Fontes: CNI/Agência Brasil, InfoMoney, Endeavor/Startups.com.br e FirstPathway Partners/Panrotas.


