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Do varejo à gastronomia: a estratégia de Viviane Schvartz para transformar experiência corporativa em negócio próprio

Com passagens por Americanas.com e Reader’s Digest, executiva levou aprendizados em marketing, vendas e e-commerce para a construção e expansão do Peixoto Sushi no Rio

Trocar uma carreira de 15 anos no ambiente corporativo por um negócio próprio na gastronomia pode parecer uma ruptura. No caso de Viviane Schvartz, porém, a mudança foi menos uma guinada do que uma transferência de competências.

Formada em marketing e com experiência em vendas diretas, e-commerce e gestão, Viviane passou por empresas como Americanas.com e Revista Seleções, da Reader’s Digest, antes de deixar o emprego formal e concentrar sua atuação no empreendedorismo.

Hoje, ela está à frente da gestão do Peixoto Sushi ao lado do marido, Beni Schvartz, em uma trajetória que começou com uma peixaria, avançou para o delivery e posteriormente ganhou estrutura de restaurante.

A história reúne alguns dos desafios mais frequentes enfrentados por pequenos e médios negócios: identificar uma oportunidade, validar demanda, estruturar processos e crescer sem perder controle de qualidade.

A experiência corporativa como escola de gestão

Viviane permaneceu cerca de 15 anos no mercado corporativo. Nesse período, acumulou experiência em marketing, vendas e operações digitais, mas também conviveu com o desejo de empreender.

“Durante esses 15 anos, vi que eu não me encaixava no mundo corporativo, mas não podia sair dele, pois já era mãe e precisava do meu salário. Trabalhar lá por tanto tempo foi um exercício de resiliência, mas a vontade de ter o meu próprio negócio nunca sumiu”, relata.

A transição começou de forma gradual. Viviane passou a desenvolver atividades paralelas ao emprego e, à medida que encontrou novas fontes de renda, ganhou espaço para deixar o modelo tradicional de trabalho.

Ao mesmo tempo, Beni começava a estruturar uma peixaria. Foi nesse momento que o casal decidiu concentrar energia no negócio.

Do produto à experiência

A origem da operação está diretamente ligada ao interesse do casal por pesca e culinária japonesa.

“Sempre gostamos da culinária oriental e um dos nossos hobbies era sair para pescar nas ilhas e levar o peixe do mar para os restaurantes japoneses prepararem. A partir daí, veio a vontade de ter a peixaria”, conta Viviane.

O que começou como comércio de pescados passou a incorporar degustações e preparos no próprio ponto. A resposta dos clientes ajudou a indicar um novo caminho para o negócio.

Com o aumento da procura, a operação avançou para o delivery e exigiu ampliação de cardápio, equipe e estrutura de cozinha. Em 2021, o Peixoto Sushi ganhou uma unidade no Leblon. Em 2025, a expansão chegou a Botafogo.

O crescimento colocou Viviane diante de um desafio conhecido por empreendedores do setor de alimentação: transformar uma operação artesanal em um negócio replicável sem comprometer produto e experiência.

Cadeia de suprimentos como diferencial

No setor gastronômico, margem, desperdício e qualidade de insumos têm impacto direto sobre a rentabilidade. No Peixoto Sushi, a seleção dos pescados tornou-se parte central da proposta do negócio.

A operação busca manter proximidade com fornecedores e controle sobre a origem do produto, em uma estratégia que conecta compras, estoque, produção e percepção de valor pelo cliente.

Na prática, esse tipo de cuidado afeta não apenas o sabor, mas também a previsibilidade da operação.

Para Viviane, a bagagem de gestão adquirida no mercado corporativo ajudou justamente na organização desses processos e na leitura do comportamento do consumidor.

Crescer sem perder eficiência

À medida que um restaurante aumenta sua operação, eficiência deixa de ser apenas uma questão de cozinha. Ela passa por logística, atendimento, gestão de pedidos, controle financeiro e experiência digital.

No Peixoto Sushi, o delivery foi estruturado como um canal próprio, separado da dinâmica do salão, numa tentativa de reduzir gargalos e melhorar o controle sobre os pedidos.

A lógica é semelhante à encontrada no varejo e no comércio eletrônico: canais diferentes exigem processos próprios, indicadores e acompanhamento constante.

Essa combinação ajuda a explicar como experiências anteriores de Viviane em e-commerce e vendas passaram a ser aplicadas em um setor aparentemente distante do ambiente corporativo.

Liderança feminina e transição de carreira

A trajetória também evidencia desafios relacionados à presença feminina em posições de liderança e ao acúmulo de responsabilidades entre trabalho e vida familiar.

“Fazer nossa voz ser ouvida é um desafio enorme. É como se precisássemos de validação constante para que nossas ideias sejam levadas a sério”, afirma Viviane.

Para ela, a mudança de carreira exigiu não apenas planejamento financeiro, mas disposição para reconstruir uma identidade profissional fora da estabilidade corporativa.

Esse movimento se tornou cada vez mais comum entre profissionais que deixam posições executivas para empreender utilizando habilidades desenvolvidas ao longo da carreira.

Quando experiência vira vantagem competitiva

A trajetória de Viviane Schvartz mostra que empreender nem sempre significa começar do zero.

No caso do Peixoto Sushi, conhecimentos adquiridos em marketing, vendas, e-commerce e gestão foram reaproveitados em outro setor e passaram a influenciar decisões sobre expansão, relacionamento com clientes e organização da operação.

Mais do que uma mudança da carreira corporativa para a gastronomia, sua história mostra como competências desenvolvidas em grandes empresas podem ser convertidas em vantagem competitiva em um negócio próprio.

E talvez esteja justamente aí uma das principais lições da trajetória: mudar de setor não significa abandonar a experiência anterior — muitas vezes, significa descobrir uma nova maneira de utilizá-la.

Tags: empreendedorismo feminino, gastronomia, gestão de negócios, liderança feminina, Peixoto Sushi, transição de carreira, Viviane Schvartz