Evento chegou à 10ª edição com debates sobre inteligência artificial, agentes autônomos, fraudes digitais e proteção de infraestruturas críticas
A transformação digital acelerou a inovação nas empresas, mas também ampliou a superfície de exposição a ataques cibernéticos. Em um cenário no qual inteligência artificial, agentes autônomos e sistemas cada vez mais conectados passam a fazer parte da rotina corporativa, discutir segurança deixou de ser uma pauta exclusivamente tecnológica e passou a ocupar espaço estratégico nas decisões dos negócios.
Foi nesse contexto que o Cyber Security Summit Brasil 2026 realizou sua 10ª edição nos dias 5 e 6 de outubro, no Grand Hyatt São Paulo. O encontro reuniu executivos, especialistas e líderes de grandes organizações para discutir os principais desafios da cibersegurança e os impactos das novas tecnologias sobre empresas e infraestruturas essenciais.
Entre as organizações representadas estiveram Santander, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, B3, Mercado Livre, Rede D’Or, Dasa, Hospital Sírio-Libanês, Braskem, Aegea Saneamento, GOL, Klabin, Livelo, Banco Toyota e Credicorp.
Com mais de 280 palestras realizadas ao longo de sua trajetória, o evento consolidou-se como um dos principais espaços de discussão sobre segurança digital no país. Nesta edição, a inteligência artificial esteve no centro de boa parte dos debates, especialmente diante do avanço dos agentes autônomos e da necessidade de estabelecer mecanismos de controle, governança e confiança.
Inteligência artificial entra definitivamente no debate sobre segurança
Um dos destaques internacionais foi David A. Cass, referência em cibersegurança, governança de inteligência artificial e riscos relacionados a ativos digitais. Atual Head of Security e CISO da Keyrock, Cass já atuou em organizações como IBM, JPMorganChase e PwC, além de ter sido vice-presidente de Cyber and IT Risk do Federal Reserve Bank of New York.
Durante o evento, o especialista discutiu os desafios relacionados à utilização da inteligência artificial e a necessidade de construir sistemas confiáveis por meio da combinação entre governança jurídica e técnica.
A discussão ganha ainda mais relevância diante da expansão dos chamados agentes de IA, capazes de interagir com sistemas, bancos de dados, APIs e infraestruturas corporativas. A autonomia desses sistemas cria novas possibilidades para as empresas, mas também abre portas para riscos que precisam ser antecipados.
Agentes de IA mudam a lógica da segurança corporativa
A evolução das chamadas identidades não humanas também esteve entre os temas apresentados durante o summit. Em uma das palestras, Rafael Santos, CISO da Azion, abordou o avanço de agentes de inteligência artificial com acesso a APIs, bancos de dados, códigos e infraestruturas corporativas.
A discussão mostra como a segurança digital está deixando de olhar apenas para usuários humanos. À medida que sistemas passam a tomar decisões e executar tarefas de maneira autônoma, torna-se necessário estabelecer mecanismos capazes de identificar, controlar e auditar essas novas identidades digitais.
O painel “Security by Design: protegendo aplicações na era dos agentes de IA” também reuniu executivos de organizações como Itaú Unibanco, Einstein Hospital Israelita e Banco Bradesco para discutir como a segurança pode ser incorporada desde a criação das soluções tecnológicas.
Sistema financeiro busca reconstruir a confiança
O setor financeiro teve participação relevante na programação. Representantes de Santander, Dock, Banco BV e Banco do Brasil participaram do painel “Redesenhando a confiança: o novo modelo de segurança no sistema financeiro”.
Entre os assuntos discutidos estiveram identidades digitais, agentes de inteligência artificial, novas modalidades de fraude, riscos relacionados a terceiros e resiliência operacional.
A discussão reflete um dos principais desafios enfrentados pelo mercado financeiro: oferecer experiências cada vez mais digitais e rápidas sem comprometer a segurança e a confiança dos clientes.
Infraestruturas críticas entram no radar
Outro ponto de destaque foi a proteção de setores considerados essenciais para o funcionamento da sociedade.
Executivos de Braskem, Aegea Saneamento, Axia Energia e Klabin participaram da discussão “Infraestrutura crítica brasileira: onde estaria nosso Volt Typhon?”, que abordou ameaças capazes de permanecer silenciosamente em ambientes críticos por longos períodos.
Na saúde, representantes da Rede D’Or, Dasa e Hospital Sírio-Libanês discutiram a nova agenda da cibersegurança no setor, considerando o crescimento da conectividade e a integração de diferentes sistemas e dispositivos.
Nesse cenário, um ataque cibernético deixa de representar apenas uma interrupção de sistemas. Dependendo do ambiente atingido, pode comprometer operações essenciais e afetar diretamente empresas, profissionais e consumidores.
Segurança passa a ser questão estratégica para os negócios
A 10ª edição do Cyber Security Summit Brasil mostrou que a cibersegurança já não pode ser tratada apenas como uma responsabilidade do departamento de tecnologia.
Com a inteligência artificial acelerando processos, criando novos modelos de negócios e permitindo que agentes autônomos interajam diretamente com ambientes corporativos, segurança, governança e estratégia precisam caminhar juntas.
O principal desafio para as empresas, portanto, não é simplesmente acompanhar a evolução tecnológica, mas encontrar o equilíbrio entre inovação e proteção. Em um ambiente digital cada vez mais complexo, preservar a confiança pode ser tão importante quanto acelerar a transformação.
Para as organizações, a mensagem deixada pelo evento é clara: quanto maior a autonomia e a conectividade dos sistemas, maior precisa ser a capacidade de antecipar riscos, proteger dados e garantir a continuidade das operações.


