Com 39,4% da demanda já contratada, mercado chinês deve voltar às compras a partir de dezembro, quando a nova safra brasileira ganha espaço
A China não anunciou novos volumes de compra de soja dos Estados Unidos após a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, mantendo em aberto a disputa entre as duas principais origens do produto no mercado chinês.
Dos 25 milhões de toneladas que a China se comprometeu a comprar anualmente dos EUA entre 2026 e 2028, 13,73 milhões já estão contratadas. Restam cerca de 11,3 milhões de toneladas para completar o compromisso de 2026.
O Brasil, por sua vez, já soma aproximadamente 28 milhões de toneladas contratadas pela China, contra 13,73 milhões dos Estados Unidos e 1,65 milhão de Argentina e Uruguai. A diferença tarifária também favorece o produto brasileiro: a soja americana paga 13% para entrar na China, enquanto a brasileira está sujeita a uma tarifa de 3%.
Para Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, a China tem espaço para aguardar melhores condições antes de ampliar as compras.
“A China entra nos próximos meses com uma parcela importante da sua necessidade já coberta e, por isso, pode esperar para avaliar preços, disponibilidade e as condições comerciais antes de ampliar as compras. O ponto de atenção passa a ser dezembro e o início de 2027, quando essa cobertura diminui e a nova safra brasileira começa a ganhar espaço”, afirma.
Demanda chinesa
A China chega à temporada com uma necessidade estimada de 111 milhões de toneladas de soja, das quais 43,37 milhões já estão contratadas. A cobertura de 39,4% supera os 31,3% registrados no mesmo período do ano anterior.
Outubro está praticamente coberto, com 10,49 milhões de toneladas contratadas para uma necessidade de 10,5 milhões. Em novembro, a cobertura chega a 69%. A partir de dezembro, porém, o nível cai para 40% e chega a apenas 17% em janeiro.
É justamente nesse período que a nova safra brasileira começa a ganhar espaço. Para fevereiro, já estão contratadas cerca de 2,11 milhões de toneladas brasileiras; em março, 6,73 milhões; e, em abril, 5,48 milhões.
Disputa entre as origens
Os Estados Unidos concentram maior volume contratado para outubro e novembro, quando a nova safra americana está mais disponível. Em outubro, são cerca de 6,40 milhões de toneladas americanas, contra 3,30 milhões brasileiras. Em novembro, são 2,90 milhões dos EUA e 2,11 milhões do Brasil.
A partir de dezembro, a disputa tende a ganhar força com a redução da cobertura chinesa e a chegada da safra brasileira.
“A China terá de decidir entre avançar nas compras durante a janela americana ou deixar parte da demanda para um momento em que a soja brasileira estará mais disponível. A tarifa também continua sendo uma variável importante nessa decisão”, diz Isabella.
Para o mercado de Chicago, as 11,3 milhões de toneladas ainda necessárias para completar o compromisso americano estão entre os principais pontos de atenção. Para o Brasil, o foco está no ritmo das compras chinesas e na participação que a nova safra poderá conquistar a partir do fim do ano.
Divulgação/Biond Agro


