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Negócios

Carlos Eduardo Rubim: entre a nutrição, a transformação e a construção de novos caminhos

Nutricionista aposta em uma abordagem mais humana do emagrecimento, defende uma relação equilibrada com a comida e inicia uma nova trajetória no Direito

Durante muito tempo, falar em emagrecimento significava falar em restrição, culpa, proibição e disciplina levada ao extremo. Para o nutricionista Carlos Eduardo Rubim, esse modelo precisa ser repensado. À frente de um trabalho baseado na Nutrição Comportamental, Carlos defende uma ideia simples, mas capaz de transformar a maneira como as pessoas encaram o processo de emagrecimento: é possível buscar resultados sem viver em guerra com a comida.

Sua atuação parte de uma experiência que também é pessoal. Antes de orientar pacientes, Carlos viveu suas próprias dificuldades relacionadas ao corpo, à alimentação e à pressão por alcançar determinados padrões estéticos. Essa vivência contribuiu para que desenvolvesse uma abordagem mais próxima e individualizada no consultório.

“Antes de ser nutricionista, sou uma pessoa que também já enfrentou dificuldades com o próprio corpo, com a alimentação e com a cobrança de buscar um padrão”, conta.

Para ele, essa experiência não substitui a ciência ou a formação profissional, mas ajuda a compreender melhor o que existe por trás de uma consulta. “O paciente não chega apenas com um objetivo de emagrecer. Ele chega carregando anos de tentativas, frustrações e cobranças.”

Mais do que números na balança

Foto: Divulgação

Ao longo de sua trajetória, Carlos Eduardo Rubim já acompanhou e transformou muitas vidas, ajudando pessoas a conquistar resultados, recuperar a autoestima e desenvolver uma relação mais saudável com a alimentação. Para ele, o verdadeiro sucesso vai muito além dos números na balança: está em cada mudança de hábito, na confiança reconquistada e na liberdade de viver sem culpa ao comer.

“Já acompanhei pessoas que perderam muitos quilos, mas também pessoas que voltaram a se olhar no espelho com mais confiança, passaram a frequentar lugares que antes evitavam, conseguiram voltar a praticar atividade física ou simplesmente deixaram de sentir culpa depois de comer algo que gostam”, relata. Essa visão amplia o conceito de resultado. O emagrecimento continua sendo um objetivo importante para muitos pacientes, mas passa a fazer parte de uma transformação maior: aprender a cuidar de si sem transformar a alimentação em uma fonte permanente de sofrimento.

“Para mim, é muito significativo quando percebo que a pessoa não está apenas emagrecendo, e sim aprendendo a cuidar de si de uma maneira diferente.”

A dieta precisa caber na vida real

Um dos pilares do trabalho de Carlos é a personalização. Para ele, não existe uma estratégia universal capaz de funcionar da mesma maneira para todas as pessoas. Rotina profissional, horários, preferências alimentares, vida social, disponibilidade para cozinhar e até a relação emocional com a comida são fatores que precisam entrar na equação.

“Duas pessoas podem ter o mesmo objetivo e necessidades completamente diferentes”, explica. Na prática, isso significa que um plano alimentar precisa ser possível de executar. Uma estratégia perfeita no papel pode fracassar quando não conversa com a realidade do paciente. “Não adianta ter uma dieta perfeita no papel se ela é impossível de manter na prática.”

É justamente nesse ponto que Carlos identifica um dos principais erros cometidos por quem tenta emagrecer: querer transformar completamente a rotina de uma hora para outra. “Muita gente começa querendo mudar tudo de uma vez: corta vários alimentos, muda completamente os horários, estabelece uma rotina impossível e acredita que precisa fazer tudo perfeito. O problema é que a vida não funciona assim.”

Consistência no lugar da perfeição

Para Carlos, uma das palavras mais importantes quando o assunto é mudança de hábitos é consistência. Ele acredita que muitas pessoas não constroem hábitos de fato, mas apenas seguem regras durante determinado período. Quando entendem que aquela dieta é uma espécie de fase que precisa ser suportada até alcançar o peso desejado, o retorno aos antigos comportamentos se torna muito provável.

“O objetivo deveria ser justamente o contrário: construir uma alimentação que possa continuar existindo depois que o peso desejado for alcançado.” Isso também significa entender que uma alimentação equilibrada não precisa excluir viagens, restaurantes, comemorações ou momentos de prazer. “Um resultado sustentável é aquele em que a pessoa consegue manter bons hábitos mesmo tendo uma vida normal.”

Autonomia como objetivo

Foto: Divulgação

No consultório, Carlos busca ir além da entrega de um plano alimentar. Seu objetivo é fazer com que o paciente compreenda o próprio comportamento. Fome, saciedade, alimentação emocional, rotina, episódios de exagero, refeições sociais e os pensamentos que surgem depois de comer fazem parte das conversas.

“Meu objetivo é que, com o tempo, ele precise cada vez menos de regras externas para saber como se alimentar. Quero que ele desenvolva autonomia.” Essa perspectiva também ajuda a explicar seu posicionamento diante das promessas rápidas que dominam as redes sociais. Para o nutricionista, construir autoridade na área da saúde exige responsabilidade e transparência.

“Autoridade profissional não está em prometer uma transformação milagrosa, mas em conseguir explicar o porquê das estratégias utilizadas e conduzir o paciente de forma responsável.”

Entre a ciência e a vida real

A presença digital também se tornou uma extensão de seu trabalho. Nas redes sociais, Carlos procura traduzir informações relacionadas à nutrição para uma linguagem acessível, sem abrir mão da responsabilidade profissional. Ele, porém, faz um alerta sobre o impacto das redes na percepção que as pessoas têm do próprio corpo.

“As redes sociais podem aproximar informação de qualidade das pessoas e até incentivar mudanças positivas. Por outro lado, também podem criar comparações irreais.” Para ele, desenvolver senso crítico é fundamental. “Nem tudo que funciona para alguém vai funcionar para você, e nem tudo que aparece na internet representa a realidade completa daquela pessoa.”

A mesma responsabilidade se aplica ao conteúdo produzido por profissionais da saúde. Simplificar uma informação para torná-la compreensível é diferente de distorcê-la para torná-la viral.

Uma segunda formação e um novo capítulo

Se a Nutrição representa uma carreira já construída, o Direito surge agora como um novo território a ser explorado. Carlos está estudando Direito e se preparando para uma segunda formação profissional. A decisão nasceu de um interesse antigo que, durante muito tempo, permaneceu apenas como uma possibilidade.

“O Direito é um interesse antigo. Sempre tive curiosidade pela área, mas, durante muito tempo, talvez eu ainda não tivesse a maturidade ou a seriedade necessária para transformar esse interesse em uma decisão profissional”, conta. A escolha não representa uma ruptura com a Nutrição. Pelo contrário. Carlos enxerga a nova formação como uma possibilidade de ampliar conhecimentos e, quem sabe, construir no futuro uma atuação que conecte os dois universos.

“Não queria apenas continuar pensando na possibilidade de estudar Direito; eu queria, de fato, começar.” Ele reforça que a decisão é encarada com maturidade e responsabilidade, reconhecendo que ainda há um longo caminho de aprendizado pela frente. “Não encaro o Direito como uma fuga da Nutrição. Encaro como uma nova construção.”

A interseção entre as duas áreas pode envolver temas como responsabilidade profissional, publicidade na área da saúde, regulamentação, relação entre profissionais e pacientes e direitos do consumidor. “Ainda estou construindo minha formação jurídica e não quero antecipar uma área de atuação que ainda estou descobrindo, mas acredito que essa interseção pode abrir caminhos muito interessantes no futuro.”

O poder de continuar aprendendo

A segunda graduação também tem provocado reflexões sobre disciplina, argumentação e pensamento crítico. “O Direito exige leitura, interpretação, análise de argumentos e atenção aos detalhes. Isso conversa muito com a própria ciência: precisamos avaliar evidências, questionar informações e entender o contexto antes de chegar a uma conclusão.”

Para Carlos, o aprendizado em uma área pode contribuir para a atuação na outra, ampliando sua capacidade de análise e organização. Mais do que acumular títulos, ele enxerga as duas formações como partes de uma trajetória em construção. “Uma experiência não precisa necessariamente apagar a anterior. Ela pode se somar.”

O próximo passo

Com a Nutrição como profissão estabelecida, uma presença digital em crescimento e uma nova formação pela frente, Carlos Eduardo Rubim segue construindo os próximos capítulos de sua trajetória. Seu objetivo é continuar crescendo sem perder a essência do trabalho que desenvolveu até aqui.

“Na Nutrição, quero ampliar meu impacto, fortalecer minha atuação e continuar ajudando pessoas a construírem uma relação mais equilibrada com a alimentação. Também quero seguir desenvolvendo minha presença digital de forma responsável e profissional.”

Ao mesmo tempo, pretende se dedicar ao Direito e descobrir quais possibilidades essa nova formação poderá abrir. “Talvez o futuro seja justamente a união dessas experiências. Ainda não tenho todas as respostas, mas tenho certeza de que quero continuar construindo algo que tenha significado para mim e gere valor para outras pessoas.”

“Você ainda não desistiu de você”

Ao falar diretamente com quem já tentou inúmeras dietas, começou diferentes processos de emagrecimento e acabou desistindo, Carlos deixa uma mensagem que resume boa parte de sua filosofia profissional. “Eu diria para essa pessoa não transformar as tentativas anteriores em uma sentença sobre o futuro.”

Para ele, é importante compreender que nem sempre o problema está na falta de disciplina ou de força de vontade. Muitas vezes, a estratégia adotada simplesmente não considera as necessidades e a realidade de quem tenta colocá-la em prática. “Talvez o problema não seja você. Talvez a estratégia que você tentou simplesmente não fosse compatível com a sua vida.”

A orientação é começar de maneira possível, sem exigir mudanças radicais ou perfeição desde o primeiro dia. “Você não precisa começar perfeito, nem mudar tudo de uma vez. Precisa encontrar uma forma de cuidar de si que consiga sustentar ao longo do tempo.”

E conclui com uma frase que traduz sua visão sobre transformação, persistência e autocuidado: “Recomeçar não significa que você fracassou. Significa que você ainda não desistiu de você.”