Alex Frota percorreu 77 mil quilômetros em 182 dias, com 297 horas de voo e pousos em 33 países; projeto foi desenvolvido paralelamente à carreira no mercado financeiro e à vida familiar
Aos 53 anos, o piloto cearense Alex Frota, conhecido como Alex Bacana, concluiu uma volta ao mundo solo em um monomotor experimental. A expedição terminou no Ceará em 12 de setembro de 2026, após 182 dias de viagem, 77 mil quilômetros percorridos, 297 horas de voo e pousos em 33 países de cinco continentes.
A jornada começou em 15 de março, mas o projeto vinha sendo estruturado desde 2022. Nesse período, Frota precisou conciliar a preparação da viagem com a carreira no mercado financeiro e a vida familiar. A experiência também foi registrada no projeto Frotas Pelo Mundo, que nasceu como um diário de viagem e posteriormente ganhou uma estrutura de produção e presença multiplataforma.
Administrador de empresas formado pela Universidade de Fortaleza, Frota tem MBA em Investimentos e Private Banking pelo IBMEC. É gestor de recursos e administrador de carteiras credenciado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além de possuir certificações CGA, CFP® e CEA.
A aviação fazia parte de seus interesses desde a infância, mas o brevê só veio aos 44 anos. A partir daí, a ideia de voar distâncias cada vez maiores evoluiu até se transformar no projeto de atravessar o planeta em uma aeronave monomotora.
Da paixão pela aviação ao projeto internacional
Mais conhecido como Alex Bacana, apelido inspirado no personagem da série Armação Ilimitada, Frota começou a organizar a expedição em etapas. A estratégia permitiu avaliar gradualmente questões como rota, autorizações internacionais, autonomia da aeronave, disponibilidade de tempo e custos.
“Desde 2022, a gente vem trabalhando mês a mês, divide o projeto em projetinhos menores”, explica o piloto.
O planejamento precisou ser conciliado com sua atividade profissional como gestor de recursos. Enquanto mantinha a carreira, Frota desenvolvia conhecimentos específicos de aviação e acumulava experiência para realizar voos internacionais mais longos.
Um dos principais testes ocorreu em 2024, quando voou de Fortaleza aos Estados Unidos e retornou ao Brasil. Foram cerca de 15 mil quilômetros, 60 horas de voo e passagem por dez países. O percurso serviu para testar a aeronave, as comunicações aéreas em inglês e os procedimentos necessários em aeroportos internacionais.
A experiência também ajudou a identificar ajustes necessários para uma expedição de maior duração.
Aeronave passou por adaptações
Antes da volta ao mundo, a aeronave experimental passou por uma revisão de 40 dias. Os tanques das asas foram ampliados, enquanto um reservatório adicional foi instalado no espaço do banco traseiro. Com as modificações, a autonomia chegou a quase 15 horas.
A alteração estava relacionada às características da rota planejada. Em determinados trechos, a distância entre locais disponíveis para pouso e abastecimento exigia maior autonomia da aeronave.
Durante os 182 dias de viagem, o piloto enfrentou situações como falhas de navegação, uma pane elétrica, vazamento de combustível e temperaturas de até 22 graus negativos na Groenlândia.
“O perigo existe e continua lá. Não é porque você venceu uma etapa que pode achar que está tudo resolvido e baixar a guarda”, afirma.
Autorizações alteraram o roteiro
Parte dos desafios ocorreu fora da aeronave. Autorizações atrasaram a viagem nas Filipinas e também provocaram mudanças no percurso de retorno pelo México.
Como consequência, Frota retirou da expedição a passagem pela América do Sul. Segundo ele, o planejamento já considerava a possibilidade de imprevistos e incluía períodos de reserva para absorver atrasos.
“No planejamento geral, já tinha previsto isso, então deixava em alguns lugares bolsões de reserva de dias”, relata.
A necessidade de alterar o roteiro mostrou que a conclusão da viagem dependia não apenas das condições técnicas da aeronave, mas também de fatores externos, como autorizações e disponibilidade de rotas.
Uma nova atividade iniciada depois dos 40
Tirar o brevê aos 44 anos significou começar uma nova atividade quando Frota já tinha profissão e responsabilidades familiares estabelecidas. Oito anos depois, o projeto resultou na primeira volta ao mundo solo em monomotor realizada por um brasileiro, segundo informações do projeto Frotas Pelo Mundo, com a aeronave cruzando os cinco continentes.
A trajetória também traz questões relacionadas a projetos iniciados na maturidade: tempo disponível, reorganização de compromissos, preparação técnica e avaliação de riscos.
Segundo o Monitor Global de Empreendedorismo 2025, divulgado pelo Sebrae em abril de 2026, pessoas com mais de 45 anos representaram 33,7% dos empreendedores iniciais no Brasil. Foi a maior participação dessa faixa etária desde o início da série histórica, em 2000.
Embora o levantamento trate especificamente da criação de empresas, o dado ajuda a contextualizar a relação entre novos projetos e responsabilidades já estabelecidas na vida adulta.
No caso de Frota, a preparação da viagem ocorreu paralelamente à carreira no mercado financeiro e à rotina familiar. A esposa e os filhos também precisaram lidar com o período em que o piloto permaneceria longe de casa.
Frotas Pelo Mundo
O Frotas Pelo Mundo nasceu como um diário da preparação e da viagem e se transformou em um projeto de alcance internacional, com comunidade digital e estrutura de produção dedicada.
A expedição, concluída em setembro de 2026, percorreu 77 mil quilômetros em 182 dias, somou 297 horas de voo e teve pousos em 33 países de cinco continentes.
Além do registro da viagem, o projeto teve desdobramentos nas áreas de educação, cultura, tecnologia e impacto social, com cobertura multiplataforma.
Entre a obtenção do brevê e a conclusão da volta ao mundo, passaram-se oito anos. A trajetória foi marcada por preparação gradual, testes de maior alcance, adaptações na aeronave, planejamento logístico e financeiro, autorizações internacionais e reorganização da rotina familiar.
Mais informações sobre o projeto estão disponíveis no site Frotas Pelo Mundo, no canal do Frotas Pelo Mundo no YouTube e no perfil do Frotas Pelo Mundo no Instagram.
Foto: Divulgação


