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Greve da Caixa atrasa etapas do financiamento imobiliário, mas serviços começam a ser retomados

Paralisação continua por tempo indeterminado após empregados rejeitarem duas propostas; conformidade e liberação de contratos estão entre as etapas mais afetadas

A greve dos empregados da Caixa Econômica Federal, iniciada em 10 de setembro, continua por tempo indeterminado e já afeta o andamento de processos de financiamento imobiliário. Embora parte dos serviços tenha sido retomada, etapas internas, como a análise documental e jurídica das operações, seguem mais lentas.

Segundo Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário, o principal impacto ocorre na etapa de conformidade, responsável por conferir documentos e informações de compradores, vendedores e imóveis antes da emissão da minuta e da assinatura do contrato.

“Já estamos observando uma conformidade mais lenta. Isso pode retardar a liberação de minutas, a correção de pendências e a assinatura dos contratos. O processo não necessariamente para, mas pode levar mais tempo para avançar”, explica.

Ordens de serviço de engenharia são retomadas

Uma das mudanças recentes foi a regularização das ordens de serviço relacionadas à engenharia. Com a retomada das atividades da equipe de tecnologia, voltaram a ser emitidas solicitações para avaliações e vistorias de imóveis.

A avaliação de engenharia é necessária para verificar as condições do imóvel e o valor que será aceito pelo banco como garantia. Sem essa etapa, mesmo um crédito já aprovado não consegue avançar para a contratação.

“A regularização das ordens de serviço remove um dos obstáculos que estavam afetando os processos. Isso não representa a normalização de toda a operação, porque a conformidade e outras áreas continuam sujeitas à greve”, afirma Arjona.

Negociações continuam

A paralisação ocorre após os empregados rejeitarem duas propostas para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho. A primeira foi recusada por 90% dos participantes da assembleia realizada na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Na segunda votação, 68% dos empregados votaram contra.

Um dos principais pontos de impasse envolve as condições de custeio do Saúde Caixa, plano de saúde dos trabalhadores.

Após a rejeição da segunda proposta, a Caixa chegou a considerar recorrer à Justiça do Trabalho, mas informou nesta segunda-feira (14) que desistiu de levar o caso ao Tribunal Superior do Trabalho e demonstrou disposição para retomar as negociações. Ainda não há nova data definida para as tratativas nem previsão para o fim da greve.

O que pode ser feito durante a paralisação

A greve não interrompe completamente os financiamentos. Compradores podem continuar reunindo documentos, comprovar renda, atualizar a matrícula do imóvel e corrigir eventuais pendências apontadas pelo banco.

Também é possível acompanhar as avaliações de engenharia e manter contato com o correspondente responsável pela operação.

Para Arjona, adiantar essas etapas pode evitar atrasos adicionais. “O caminho é avançar nas etapas disponíveis, acompanhar as pendências e deixar a operação preparada para seguir quando os setores internos retomarem o fluxo normal”, orienta.

Processos que envolvem renda informal, restrições cadastrais ou documentação complementar podem exigir análises mais detalhadas e, consequentemente, enfrentar maior espera durante a paralisação.

Apesar da retomada das ordens de serviço de engenharia, o financiamento habitacional da Caixa ainda não opera em ritmo normal. Enquanto não houver acordo entre o banco e os empregados, compradores, vendedores e profissionais do setor devem considerar a possibilidade de prazos maiores, principalmente nas fases de conformidade, emissão de minuta e assinatura dos contratos.

Foto: Divulgação

Tags: Caixa Econômica Federal, Caixa Habitação, compra de imóvel, crédito imobiliário, financiamento de imóveis, financiamento imobiliário, Greve da Caixa, greve dos bancários, habitação, mercado imobiliário