Casal transforma o desejo de ter o próprio negócio em uma empresa criada dentro de casa e encontra no empreendedorismo uma nova forma de construir o futuro juntos
Empreender em casal significa dividir muito mais do que as tarefas de uma empresa. É compartilhar decisões, enfrentar momentos de incerteza, reconhecer as habilidades de cada um e, principalmente, manter um propósito em comum. Para Luciana e Charles, a construção da Criartere representa exatamente isso: um projeto profissional que nasceu dentro de casa e que também está diretamente ligado ao desejo de construir uma vida com mais autonomia e presença junto aos filhos.
A ideia de empreender já fazia parte dos planos do casal. Eles queriam ter uma empresa própria e conquistar maior autonomia profissional. “A gente já tinha no coração o desejo de ter uma empresa, de abrir um negócio e sermos nossos próprios patrões”, contam. A busca por essa autonomia também tinha uma motivação familiar:
“Queríamos ter uma autonomia um pouco maior, principalmente para conseguirmos cuidar dos nossos filhos e estar mais presentes na vida deles”.
O momento decisivo chegou quando Luciana foi demitida de um trabalho onde estava havia mais de cinco anos. O que poderia representar apenas uma dificuldade profissional acabou se transformando na oportunidade que faltava para tirar o projeto do papel. Foi a partir daquela mudança que o casal enxergou a possibilidade de começar uma nova fase e transformar um desejo antigo em empreendimento.
“A gente enxergou naquele momento uma oportunidade de começar a empreender e iniciar essa empresa”, explicam.
Foi nesse contexto que nasceu a Criartere, unindo duas áreas que despertavam o interesse do casal: a impressão 3D e a papelaria personalizada. A escolha por trabalhar com as duas frentes veio da percepção de que havia espaço para uma proposta diferente no mercado.
“A ideia de criar uma marca com identidade própria veio justamente da vontade de juntar essas duas áreas: a impressão 3D e a papelaria personalizada.”
Para Luciana e Charles, criar uma marca própria também significava colocar personalidade no negócio e desenvolver uma empresa que tivesse a identidade dos dois.
O primeiro endereço foi dentro de casa
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Como acontece com muitos empreendedores, a Criartere não começou com uma grande estrutura. A empresa começou dentro do próprio quarto do casal, enquanto Luciana e Charles aprendiam, na prática, a organizar processos, atender clientes, produzir e administrar um novo negócio.
O espaço reduzido, porém, nunca foi encarado como motivo para adiar o projeto. “Somos muito gratos por já termos conseguido começar, independentemente de onde fosse. Por exemplo, neste momento, a gente começou no nosso próprio quarto.”
A intenção é crescer gradualmente e, no futuro, conquistar uma estrutura maior e um espaço próprio. O casal sabe que ainda está no início de uma trajetória que pode ganhar novas proporções à medida que a empresa se desenvolve.
“A nossa expectativa é que, daqui a um tempo, tenhamos um espaço maior e possamos continuar evoluindo cada vez mais.”
Essa fase inicial também exige uma grande capacidade de organização. Além da empresa, o casal tem dois filhos em fases diferentes e outras responsabilidades que precisam ser conciliadas. Por isso, administrar o tempo tornou-se um dos grandes desafios dessa nova rotina.
“Ainda está sendo um desafio, porque a gente acabou de iniciar a nossa empresa. E, graças a Deus, tem sido um sucesso, mas existem muitos desafios nesse processo.”
Mais do que administrar uma operação empresarial, Luciana e Charles estão aprendendo a construir uma empresa sem abrir mão das outras áreas importantes da vida.
“Como casal, também estamos aprendendo muito nesse processo, construindo isso juntos e entendendo, dia após dia, como fazer a empresa crescer sem deixar de lado aquilo que é importante para nós.”
Uma sociedade baseada na complementaridade
Se existe uma característica que define a relação profissional dos dois, é a parceria. Luciana e Charles não tentam necessariamente fazer as mesmas coisas. Eles encontraram uma maneira de dividir responsabilidades levando em consideração aquilo que cada um sabe fazer melhor.
“Eu e o Charles somos muito parceiros e, de modo geral, pensamos muito parecido.”
Mesmo quando surgem opiniões diferentes, existe um ponto de convergência: os dois sabem que estão trabalhando pelo mesmo objetivo.
“Às vezes temos opiniões um pouco diferentes, mas estamos sempre caminhando na mesma direção e com o mesmo propósito.”
Na prática, Charles assumiu uma posição mais ligada à tecnologia e à produção. Ele trabalha com os projetos, modelagens e impressão das peças, além de participar do processo criativo e da definição dos preços.
Luciana ficou mais próxima da papelaria e da administração da empresa. Sua experiência profissional anterior na área administrativa contribuiu para que ela assumisse responsabilidades como financeiro, pedidos, planilhas, organização e criação das artes.
“Cada um assumindo mais aquilo que tem facilidade e experiência, mas sempre se ajudando e tomando as decisões juntos.”
Essa divisão permite que cada um tenha autonomia em sua área, sem perder a participação no todo. Afinal, para o casal, trabalhar juntos significa justamente aproveitar as características individuais para fortalecer o negócio.
“Por mais que a gente discorde em algumas coisas, uma hora sim, outra hora não, a gente consegue chegar a um consenso muito facilmente, porque temos um propósito em comum e conhecemos muito um ao outro.”
Uma oportunidade que virou a primeira grande confirmação
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A primeira venda da Criartere representa um capítulo importante na história do casal. Pouco depois do início da empresa, surgiu uma oportunidade inesperada relacionada ao Dia dos Pais. Uma cliente entrou em contato perguntando se eles fariam produtos para a data.
Em vez de deixar a oportunidade passar, Luciana rapidamente criou um portfólio com algumas opções de kits e apresentou à cliente. O resultado foi a venda de três produtos e, logo depois, a chegada de novas encomendas.
“Assim que a gente iniciou a nossa empresa, no dia 6 de agosto, a gente ainda não tinha muita noção de como tudo iria acontecer. A gente estava começando e descobrindo, na prática, como seria esse processo.”
A oportunidade ganhou um significado ainda maior porque não fazia parte dos planos iniciais do casal começar a empresa especificamente por causa do Dia dos Pais.
“Não era nossa intenção começar a empresa por meio dessa data. Mas, diante de uma pergunta que surgiu, a gente enxergou uma oportunidade e decidiu aproveitar.”
A primeira venda acabou se tornando uma confirmação de que havia espaço para aquilo que estavam construindo.
“Essa primeira venda sempre vai ficar muito marcada para a gente.”
Depois dela, novos pedidos começaram a chegar e a empresa passou a trabalhar também com outras empresas. Cada novo projeto passou a representar uma oportunidade de aprimorar os processos, melhorar a qualidade e entregar os produtos em prazos cada vez melhores.
Quando a tecnologia encontra a personalização
A impressão 3D abriu para a Criartere a possibilidade de trabalhar com uma variedade muito maior de produtos e demandas. Um dos diferenciais percebidos pelo casal está justamente na flexibilidade da produção.
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Enquanto determinados processos tradicionais exigem grandes quantidades mínimas, a impressão 3D permite atender desde uma necessidade individual até pedidos maiores.
“Com a impressão 3D, a gente consegue produzir exatamente a quantidade que o cliente precisa: seja uma peça, sejam dez ou sejam cem.”
Essa flexibilidade se soma à possibilidade de transformar ideias em produtos personalizados.
“Na parte de personalização, literalmente, o céu é o limite.”
Para o casal, mesmo ideias consideradas mais complexas podem ser transformadas em projetos viáveis. Quando necessário, a impressão 3D pode ser combinada com a papelaria para criar soluções ainda mais completas.
“Conseguimos juntar papelaria e 3D para transformar uma ideia em algo completamente novo e exclusivo para o cliente.”
Essa capacidade de personalização também influencia a visão de futuro da Criartere.

Um futuro que vai além das lembrancinhas
Apesar de ter iniciado suas atividades com lembrancinhas, papelaria e itens decorativos, a visão de Luciana e Charles para a Criartere vai muito além.
O casal enxerga oportunidades em brinquedos, produtos sensoriais e itens personalizados, além de possibilidades de atuação em marketplaces e em diferentes segmentos.
Entre as ideias estão soluções para crianças com necessidades específicas, produtos para nichos industriais, mercado automotivo e utilidades.
“Queremos fugir um pouco do óbvio.”
Para eles, o potencial da impressão 3D está justamente na capacidade de criar produtos que não sejam apenas exclusivos, mas que também possam atender necessidades reais.
“A impressão 3D permite criar itens personalizados que, além de serem exclusivos, podem resolver problemas específicos.”
Por isso, a intenção é continuar explorando as possibilidades da tecnologia e entender em quais mercados a Criartere pode oferecer soluções diferenciadas.
“A nossa intenção é justamente explorar cada vez mais essas possibilidades e entender onde a tecnologia 3D pode não apenas criar um produto, mas também solucionar uma necessidade real.”
Tecnologia e inteligência artificial como aliadas
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Por atuar diretamente com tecnologia, a Criartere também acompanha a evolução da inteligência artificial e dos novos softwares de criação e modelagem.
Na visão do casal, essas ferramentas podem contribuir para tornar os processos mais rápidos e ampliar as possibilidades dentro da impressão 3D.
“Cada vez mais, os softwares e as inteligências artificiais vão surgir para facilitar ainda mais o nosso trabalho, principalmente na parte de criações e modelagens.”
A expectativa é acompanhar essa transformação e utilizar os novos recursos como aliados no crescimento da empresa.
“Essas tecnologias podem ajudar bastante a tornar os processos mais rápidos e ampliar ainda mais as possibilidades dentro da impressão 3D.”
Para a Criartere, crescer também significa estar aberta às mudanças e aprender a utilizar a tecnologia disponível para melhorar o trabalho.
Começar pequeno não significa pensar pequeno
A trajetória de Luciana e Charles carrega uma mensagem importante para outros casais que desejam empreender, mas acreditam que precisam primeiro ter uma grande estrutura para começar.
A Criartere começou dentro de casa, com os recursos disponíveis, e foi ganhando forma conforme as oportunidades apareceram. Para o casal, o mais importante não é esperar pelas condições perfeitas, mas começar e continuar construindo.
Se pudessem voltar ao primeiro dia da empresa, o principal conselho seria não se deixar paralisar pelas circunstâncias.
“Acho que a gente diria para não olhar para as circunstâncias ao redor. Começar com o que tem, não desistir e persistir, principalmente em meio às dificuldades.”
Eles também sabem que o empreendedorismo é marcado por altos e baixos.
“Esse mercado, assim como qualquer outro, é como uma montanha-russa: uma hora está muito bom, outra hora nem tanto.”
Por isso, a persistência é considerada fundamental. O casal também reforça que cada empreendedor precisa respeitar sua própria trajetória, sem transformar o sucesso dos outros em parâmetro para medir o próprio caminho.
“Sem ficar se comparando com outras pessoas ou com outras empresas.”
O propósito que mantém o casal no mesmo caminho
Por trás da Criartere existe uma palavra que aparece como elemento central na história de Luciana e Charles: propósito.
Para eles, saber por que estão empreendendo é tão importante quanto saber onde querem chegar.
“Não dá para começar alguma coisa sem saber por que você está começando e onde quer chegar.”
Essa visão ajuda o casal a enfrentar as dificuldades e manter clareza sobre o futuro que deseja construir.
“Quem não sabe onde quer chegar, qualquer caminho serve. Mas quem sabe para onde quer ir consegue seguir com mais clareza o caminho que precisa percorrer para chegar até lá.”
A história da Criartere mostra que uma empresa não precisa nascer grande para carregar grandes sonhos. O projeto de Luciana e Charles começou dentro de um quarto, a partir de uma mudança profissional inesperada, e foi crescendo com trabalho, criatividade, parceria e disposição para aproveitar as oportunidades.
“Grandes empresas surgem, às vezes, assim como a gente: dentro de um quarto.”
Mais do que uma empresa de impressão 3D e papelaria personalizada, a Criartere representa uma construção feita a quatro mãos. Uma história que começou com o desejo de ter mais autonomia profissional e mais presença na vida dos filhos e que hoje se transforma, dia após dia, em um projeto de futuro.
Luciana e Charles estão descobrindo, na prática, que empreender juntos exige organização, diálogo, paciência e capacidade de respeitar as habilidades de cada um. Mas também descobriram que a parceria construída dentro de casa pode se tornar uma das maiores forças dentro da empresa.
E, para esse casal de empreendedores, o caminho continua sendo guiado por uma certeza: começar com o que se tem, não desistir, não se comparar e nunca perder de vista o propósito.


