Profissionalização do setor, desenvolvimento urbano e inteligência artificial ampliam a necessidade de atuação consultiva de corretores e incorporadores
O mercado imobiliário passa por uma transformação impulsionada pelo avanço da tecnologia, pela maior complexidade dos empreendimentos e por consumidores com acesso crescente a informações sobre preços, localização e oportunidades. Nesse cenário, a atuação dos profissionais do setor tende a se tornar mais consultiva, enquanto os projetos passam a incorporar elementos que vão além da construção e comercialização de imóveis.
A avaliação é do empresário e estrategista angolano Rosário Kivota, que participou de 36 projetos imobiliários responsáveis por aproximadamente US$ 4,3 bilhões em vendas, segundo informações apresentadas por ele. Com experiência em diferentes mercados, incluindo os Emirados Árabes Unidos, Kivota aponta uma aproximação cada vez maior entre o mercado imobiliário, investimentos e desenvolvimento urbano.
Do imóvel ao desenvolvimento urbano
Na avaliação do empresário, uma das mudanças mais relevantes está na evolução de empreendimentos imobiliários tradicionais para projetos de desenvolvimento urbano, que combinam moradia, infraestrutura, serviços e outros componentes em uma mesma proposta.
“O desenvolvimento urbano está associado a uma marca, está associado a um legado. Já um grande projeto imobiliário, muitas vezes, só tem impacto para aquele mercado específico”, afirma Kivota.
A mudança altera também a forma como o valor de um empreendimento é apresentado ao mercado. Características como metragem, localização e preço continuam sendo relevantes, mas passam a dividir espaço com fatores relacionados à infraestrutura e aos serviços disponíveis no entorno.
Com isso, projetos urbanos mais complexos podem ampliar seu público potencial para além dos compradores que buscam apenas uma propriedade, alcançando também investidores interessados nas características e no potencial econômico de determinada região ou empreendimento.
Corretor ganha papel mais consultivo
A transformação do perfil dos compradores também afeta a atuação dos corretores. Com ferramentas digitais que permitem pesquisar imóveis, comparar preços e analisar localizações antes mesmo do contato com um profissional, o consumidor chega às negociações com mais informações.
Nesse ambiente, o corretor tende a deixar de atuar exclusivamente na apresentação de propriedades e passa a ter maior importância na interpretação das informações disponíveis. A capacidade de explicar as características de um empreendimento, seu contexto e sua proposta de valor se torna parte relevante do processo de negociação.
Para Kivota, essa mudança exige maior preparação dos profissionais do setor, especialmente diante de projetos que combinam diferentes serviços, tecnologias e soluções de infraestrutura.
Inteligência artificial acelera mudanças
A inteligência artificial é outro fator apontado como capaz de alterar diferentes etapas do mercado imobiliário. As ferramentas podem influenciar desde a identificação de oportunidades e o desenvolvimento de projetos até o relacionamento entre empresas e compradores.
Ao mesmo tempo, a ampliação do acesso a dados reduz a assimetria de informação tradicionalmente existente entre profissionais do setor e consumidores. Para os corretores, isso aumenta a necessidade de agregar conhecimento e capacidade de análise à intermediação imobiliária.
A tendência, segundo a avaliação de Kivota, é que o profissional tenha cada vez mais a função de ajudar o cliente a interpretar informações e compreender as características e oportunidades associadas a um empreendimento.
Projetos urbanos mais integrados
A transformação também se reflete em iniciativas que buscam reunir diferentes dimensões da vida urbana em um mesmo projeto. Kivota participa atualmente de iniciativas de desenvolvimento urbano, entre elas a Ocean City, apresentada como um projeto que pretende integrar moradia, tecnologia, serviços e qualidade de vida.
A proposta está inserida em uma discussão mais ampla sobre como os novos empreendimentos podem responder às mudanças nas expectativas dos consumidores. Além de definir onde morar, o comprador passa a considerar também a infraestrutura disponível e os serviços que fazem parte do ambiente urbano.
Para Kivota, essa mudança deve aumentar a complexidade dos projetos e, consequentemente, a necessidade de profissionais capazes de compreender e comunicar ao mercado o valor de diferentes componentes de um empreendimento.
Atualmente no Brasil, o empresário afirma estar em uma nova fase de expansão de seus negócios no país. Sua atuação envolve negócios, investimentos e desenvolvimento urbano, com projetos que incorporam conceitos como tecnologia, sustentabilidade, mobilidade, saúde e qualidade de vida.
Rosário Kivota é empresário e estrategista angolano, com atuação internacional nos setores de negócios, investimentos e desenvolvimento urbano. Ao longo de sua trajetória, participou do desenvolvimento de 36 projetos imobiliários, que movimentaram aproximadamente US$ 4,3 bilhões em vendas.
Com experiência em diferentes mercados, atualmente está no Brasil, onde vive uma nova fase de expansão de seus negócios e busca ampliar sua atuação no país. Entre seus projetos está a Ocean City, iniciativa voltada a novos modelos de desenvolvimento urbano e que integra conceitos como tecnologia, sustentabilidade, mobilidade, saúde e qualidade de vida.


