Carlos Akira Sato, especialista em Mercado de Capitais e Startups. Foto: Divulgação/M2 Comunicação
Com mais de 20 mil empresas inovadoras ativas no país, ecossistema acompanha possíveis impactos do cenário eleitoral sobre investimentos, crédito, inovação e expansão dos negócios
As eleições de 2026 devem colocar no radar das startups brasileiras uma série de fatores que vão além do resultado das urnas. Juros, tributação, acesso a crédito, políticas de incentivo, segurança jurídica e regulação podem influenciar as condições para investimentos e crescimento das empresas de inovação a partir de 2027.
O ecossistema brasileiro reúne mais de 20 mil empresas inovadoras ativas, segundo levantamento do Observatório Sebrae Startups. Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, o número de startups cresceu mais de 30%. São Paulo concentra a maior parcela das empresas, enquanto a Região Nordeste registrou crescimento de 24,7% no período.
Capital e cenário econômico
Um dos principais pontos de atenção para as startups é o acesso a capital. Empresas em fase de crescimento frequentemente dependem de rodadas de investimento para ampliar operações, contratar profissionais e desenvolver produtos.
Em períodos de maior incerteza sobre política econômica, trajetória fiscal e câmbio, investidores podem adotar critérios mais rigorosos para novos aportes. Para as startups, esse cenário aumenta a importância do planejamento financeiro, da gestão de caixa e da avaliação de diferentes cenários econômicos.
“A eleição não deve ser analisada pelas startups apenas sob a perspectiva de quem ocupará o governo, mas principalmente pelas condições econômicas e regulatórias que serão construídas a partir de 2027. Juros, tributação, acesso a crédito, segurança jurídica e previsibilidade regulatória são fatores que influenciam diretamente a disposição de investidores em aportar capital e a capacidade das empresas de inovar e crescer”, afirma Carlos Akira Sato, cofundador da Syscapital e especialista em startups e mercados regulados.
Reforma Tributária exige adaptação
A Reforma Tributária também está entre os temas que podem afetar o planejamento das empresas de tecnologia. A transição para o novo sistema de tributação tende a exigir adaptações em sistemas, contratos e modelos de negócio.
Além da própria mudança na estrutura tributária, startups acompanham possíveis alterações em políticas de incentivo à inovação, que podem influenciar decisões de investimento e estratégias de expansão.
O impacto pode ser ainda mais relevante para empresas que atuam em segmentos sujeitos a regras específicas, como fintechs, criptoativos, apostas e plataformas digitais. Nesses mercados, mudanças regulatórias podem alterar custos, requisitos de operação e perspectivas de crescimento.
Planejamento diante de diferentes cenários
Para Sato, o período eleitoral deve ser encarado pelas startups como uma etapa de planejamento, e não de espera. O acompanhamento das discussões sobre políticas econômicas, tributárias e de inovação pode ajudar as empresas a identificar sua exposição a eventuais mudanças.
“O ecossistema de startups precisa olhar para as eleições como um momento de planejamento, e não de espera. Empresas que conhecem sua exposição a mudanças tributárias e regulatórias, preservam caixa e acompanham as discussões sobre políticas de inovação estarão mais preparadas para diferentes cenários. A previsibilidade é um ativo importante para quem investe em negócios de alto crescimento”, avalia.
Nesse contexto, o processo eleitoral pode trazer riscos, mas também abrir espaço para novas oportunidades, dependendo das propostas apresentadas para empreendedorismo, crédito, inovação, tecnologia, tributação e regulação.
“Muito além de antecipar resultados políticos, startups e investidores deverão acompanhar propostas relacionadas a empreendedorismo, crédito, inovação, tecnologia, tributação e regulação, transformando o período eleitoral em uma oportunidade para revisar estratégias e preparar os negócios para o próximo ciclo econômico”, conclui Sato.
Fonte: Carlos Akira Sato, cofundador da Syscapital e especialista em Mercados Regulados, Startups, Governança e Inovação. Vice-Presidente de Relações Institucionais da PAGOS.


