Fernando Menezes (CEO Selfit). Foto: Divulgação
Sensores usados pela Selfit há cerca de quatro anos ajudam a identificar padrões de utilização, reduzir excessos e ampliar a oferta de aparelhos mais procurados pelos alunos.
A digitalização das academias começa a mudar não apenas a forma de controlar o acesso dos alunos, mas também decisões relacionadas à operação e aos investimentos. Sensores, sistemas de gestão e dados de utilização passaram a ser utilizados para entender a demanda e definir a estrutura de cada unidade.
Segundo a 4ª edição do Panorama Setorial Fitness Brasil, 54% dos centros de atividades físicas participantes da pesquisa utilizam sistemas de acesso por biometria ou reconhecimento facial. O levantamento aponta ainda que, para 64% dos respondentes, sistemas e tecnologia representam até 10% dos custos anuais.
Sensores ajudam a identificar demanda
Na Selfit, os sensores são utilizados há aproximadamente quatro anos para acompanhar a utilização dos equipamentos ao longo do dia. A análise dos dados permitiu identificar diferenças entre a configuração inicialmente planejada para algumas unidades e o comportamento efetivo dos alunos.
Em determinados casos, por exemplo, a rede identificou que cerca de 15 esteiras seriam suficientes para atender à demanda, enquanto o projeto original previa aproximadamente 30 equipamentos. Ao mesmo tempo, aparelhos de outras categorias apresentaram procura acima da estimada, levando à ampliação da oferta. Com isso, a empresa passou a considerar os dados da operação na definição da estrutura das academias, em vez de adotar uma configuração uniforme para todas as unidades.
“O monitoramento ajuda a direcionar os investimentos para os aparelhos mais utilizados, contribuindo para reduzir gargalos nos horários de maior movimento”, afirma Fernando Menezes, CEO da Selfit.
Atualmente, a rede possui 212 academias em funcionamento e estabeleceu como meta chegar a 250 unidades em 2026.
Tecnologia também acompanha comportamento dos consumidores
O uso de dados pelas academias ocorre em um cenário de maior presença de tecnologia na jornada dos praticantes. De acordo com o Panorama Setorial Fitness Brasil, 43% dos praticantes latino-americanos analisados utilizam dispositivos vestíveis, como relógios inteligentes e outros wearables, para acompanhar o desempenho. Outros 38% usam aplicativos para monitorar treinos e metas.
Para as academias, essas informações podem ampliar a compreensão sobre frequência, preferências e padrões de utilização dos espaços e equipamentos.
“Os dados nos permitem sair da percepção e entender o que de fato acontece dentro das academias. A partir disso, conseguimos ajustar a estrutura e tomar decisões mais alinhadas ao comportamento dos nossos clientes”, diz Menezes.
Eficiência na operação
A estratégia também se relaciona ao modelo HVLP (High Value, Low Price), adotado pela Selfit. A proposta combina oferta de serviços com preços mais acessíveis e exige atenção à eficiência operacional. Nesse contexto, entender quais equipamentos são efetivamente utilizados pode ajudar a direcionar recursos sem necessariamente aumentar a área física das unidades. A lógica é concentrar investimentos nos pontos de maior demanda e reduzir estruturas subutilizadas. O movimento indica uma mudança na gestão de academias: dados que antes estavam restritos a sistemas de acesso ou controle administrativo passam a contribuir também para decisões sobre espaço, equipamentos e investimentos. Para uma rede em expansão, esse tipo de informação ganha relevância à medida que novas unidades são planejadas e a empresa busca replicar modelos operacionais sem necessariamente reproduzir a mesma configuração física em todos os endereços.


