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Negócios

Luz natural vira ativo estratégico e já impacta produtividade, saúde e desempenho

Cassio Pisseti (CEO da Engepoli). Foto: Divulgação

Estudos apontam redução no tempo de internação, melhora no aprendizado e ganhos de produtividade, enquanto empresas e projetos imobiliários ampliam o uso da iluminação natural para reduzir custos e melhorar ambientes

A luz natural está deixando de ser apenas uma solução de arquitetura ou eficiência energética para ganhar espaço como um recurso estratégico dentro de hospitais, escolas, escritórios, indústrias e empreendimentos comerciais.

Pesquisas nacionais e internacionais indicam que ambientes planejados para aproveitar melhor a iluminação do dia podem contribuir para a recuperação de pacientes, melhorar o desempenho escolar, aumentar a produtividade profissional e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência de iluminação artificial.

Na prática, o tema começa a aproximar arquitetura, saúde, sustentabilidade e resultados empresariais.

Pacientes podem permanecer menos tempo internados

Um dos estudos mais relevantes sobre o tema foi conduzido pelo Center for Health Design, nos Estados Unidos.

A análise verificou que pacientes com transtorno bipolar e depressão internados em quartos com maior incidência de luz natural permaneceram, em média, 3,67 dias a menos no hospital em comparação com aqueles instalados em ambientes com menor exposição à luz do dia.

Outras pesquisas também associam ambientes naturalmente iluminados à redução de níveis de estresse, dor e necessidade de medicamentos.

Em unidades hospitalares e UTIs, estudos apontam ainda possíveis impactos positivos sobre dor, febre e depressão no período pós-operatório.

Os resultados reforçam uma tendência que vem ganhando espaço na arquitetura hospitalar: projetar não apenas para atender exigências técnicas, mas também para tornar o próprio ambiente parte da experiência e da recuperação do paciente.

Luz natural também pode melhorar desempenho escolar

Os benefícios não se limitam à área da saúde.

Um levantamento realizado pela consultoria norte-americana HMG avaliou aproximadamente 21 mil estudantes e encontrou uma relação entre maior presença de luz natural nas salas de aula e melhores resultados acadêmicos.

Segundo a pesquisa, estudantes expostos a ambientes com maior iluminação natural apresentaram avanço 20% mais rápido em matemática e 26% maior em leitura ao longo de um ano letivo.

Para Cassio Pissetti, diretor comercial da Engepoli, empresa paranaense especializada em iluminação e ventilação natural, esses dados ajudam a mostrar como o planejamento dos espaços pode interferir diretamente na experiência de quem os utiliza.

“Quando a iluminação natural é considerada desde a concepção do projeto, não estamos apenas reduzindo a necessidade de energia elétrica. Estamos criando ambientes mais saudáveis, confortáveis e eficientes, que favorecem o bem-estar das pessoas e entregam melhor desempenho para quem vive, trabalha, recebe atendimento médico ou estuda nesses espaços”, afirma.

Empresas também olham para produtividade

Nos ambientes corporativos, os impactos da exposição à luz natural também começam a ser considerados nas decisões sobre arquitetura e ocupação dos espaços.

Um estudo da Northwestern Medicine identificou que profissionais com maior exposição à luz natural durante o expediente dormiam, em média, 46 minutos a mais por noite.

Outra pesquisa, conduzida pela seguradora norte-americana West Bend Mutual Insurance, registrou ganhos de produtividade de até 16% em ambientes com iluminação adequada.

Os dados ajudam a explicar por que empresas vêm ampliando a atenção sobre qualidade ambiental, conforto dos colaboradores e desenho dos espaços de trabalho.

Para Pissetti, esse tipo de investimento não deve ser analisado apenas pelo potencial de economia de energia.

“Hoje, quando uma empresa investe em iluminação e ventilação natural, ela não está apenas reduzindo o consumo de energia. Está criando um ambiente mais saudável, que favorece o sono, diminui a fadiga, melhora a concentração e contribui para a produtividade das equipes”, afirma.

Segundo o executivo, esses fatores podem refletir diretamente na qualidade de vida dos profissionais e no desempenho das organizações.

Construção civil incorpora novo padrão

No Brasil, a discussão também avança dentro da construção civil.

Projetos corporativos, hospitais, escolas, centros logísticos e indústrias vêm incorporando soluções de iluminação e ventilação natural desde as primeiras etapas de planejamento.

O movimento é impulsionado tanto pela busca por redução de custos operacionais quanto pela preocupação crescente com conforto ambiental, sustentabilidade e qualidade de vida.

Certificações como LEED, WELL e AQUA-HQE também contribuíram para colocar o tema no centro das decisões de novos empreendimentos, ao valorizar estratégias relacionadas a eficiência, bem-estar e experiência dos ocupantes.

Com isso, soluções que antes poderiam ser tratadas como complementares passam a fazer parte da estratégia econômica e operacional dos edifícios.

A tendência é que decisões sobre luz, ventilação e conforto ambiental sejam cada vez menos analisadas somente sob a ótica arquitetônica e passem a integrar discussões sobre produtividade, saúde ocupacional, sustentabilidade e retorno do investimento.

Sobre a Engepoli

A Engepoli atua no desenvolvimento de soluções para iluminação e ventilação natural no Brasil e no exterior. A empresa desenvolve projetos voltados à eficiência energética e ao conforto ambiental em edificações industriais e comerciais, utilizando sistemas certificados e soluções proprietárias com foco em desempenho técnico e redução do consumo de energia elétrica.

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