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Música & Negócios

Mercado de música digital já movimenta bilhões no Brasil

Spotify, YouTube e outras plataformas transformaram a indústria fonográfica, enquanto grandes gravadoras e produtoras nacionais disputam espaço em um mercado que faturou quase R$ 4 bilhões em 2025

O crescimento das plataformas digitais transformou a música em um negócio cada vez mais relevante no Brasil. Spotify, YouTube, Apple Music, Deezer e outras plataformas passaram a ocupar o centro da indústria fonográfica, criando uma economia bilionária em torno de artistas, gravadoras, distribuidoras e detentores de direitos musicais.

Mas, diante de números tão expressivos, surge uma pergunta: qual gravadora brasileira ganha mais dinheiro com as plataformas digitais?

A resposta não é tão simples. Isso porque não existe atualmente um ranking público e auditado que revele quanto cada gravadora recebe individualmente de Spotify, YouTube ou outros serviços de streaming.

Ainda assim, os números disponíveis ajudam a mostrar quem está entre os principais nomes dessa disputa.

Mercado brasileiro se aproxima dos R$ 4 bilhões

O mercado brasileiro de música gravada faturou R$ 3,958 bilhões em 2025, crescimento de 14,1% em relação ao ano anterior, segundo dados da Pro-Música Brasil. O resultado colocou o país na oitava posição entre os maiores mercados fonográficos do mundo. (UBC)

O principal motor desse crescimento é o streaming.

Somente as receitas digitais somaram aproximadamente R$ 3,4 bilhões em 2025, mostrando que a maior parte do dinheiro da indústria musical brasileira já circula pelo ambiente digital. (UBC)

O Spotify oferece outra dimensão desse mercado. Segundo a própria plataforma, músicas de artistas brasileiros geraram aproximadamente R$ 2 bilhões em royalties em 2025, valor 24% superior ao registrado no ano anterior. (Spotify)

O dinheiro, entretanto, não vai diretamente e integralmente para os artistas. Os pagamentos são destinados aos detentores dos direitos das músicas, que podem incluir gravadoras, distribuidoras, editoras e outras empresas, responsáveis posteriormente pelos repasses de acordo com cada contrato.

Sony, Universal e Warner têm enorme presença no Brasil

Quando são consideradas todas as gravadoras que operam no mercado brasileiro, as multinacionais Sony Music, Universal Music Group e Warner Music Group aparecem entre as empresas com maior capacidade de capturar receitas do streaming.

Essas companhias administram grandes catálogos, possuem contratos com artistas de enorme audiência e contam com estruturas internacionais de distribuição e negociação com as principais plataformas.

A Sony ainda ampliou significativamente sua presença no Brasil ao adquirir a Som Livre, uma das marcas mais tradicionais da música brasileira. A aquisição foi concluída em março de 2022. (Sony Music)

Em 2025, a companhia reorganizou sua operação brasileira, reunindo Sony Music Brasil e Som Livre sob uma estrutura estratégica liderada pela Sony Music Entertainment Brazil, embora as unidades continuem operando de forma independente. (Sony Music)

Isso coloca a empresa em uma posição particularmente relevante dentro do mercado nacional.

E entre as empresas brasileiras?

Quando a análise é direcionada para empresas brasileiras independentes, um nome chama atenção: GR6.

Nascida no universo do funk, a empresa construiu uma estrutura que reúne produção musical, gestão de artistas, videoclipes, distribuição e exploração de direitos musicais.

Segundo informações divulgadas pela própria companhia, a GR6 atingiu 6 bilhões de streams nas principais plataformas digitais em 2023. A empresa também afirma ter negociado mais de R$ 220 milhões em parcerias com grandes gravadoras, incluindo Universal Music, Sony Music e Warner Music, ao longo de cinco anos. (GR6)

O modelo chama atenção principalmente pela escala.

A GR6 informou produzir entre 30 e 40 músicas e aproximadamente 15 vídeos por semana, utilizando uma estrutura própria que permite acelerar lançamentos e aproveitar rapidamente tendências de consumo. (GR6)

Essa estratégia transformou a velocidade de produção em um modelo de negócio.

Em vez de depender apenas de poucos grandes lançamentos durante o ano, a empresa trabalha com grande volume de conteúdo, aumentando as possibilidades de que determinadas músicas alcancem milhões de reproduções.

Funk virou um grande ativo digital

O crescimento da GR6 acompanha também a expansão internacional do funk brasileiro.

Dados divulgados pelo Spotify mostram que, em 2025, o funk foi o gênero de maior crescimento global entre aqueles que geraram mais de US$ 50 milhões dentro da plataforma, avançando 36% em relação ao ano anterior. (Spotify)

Isso representa uma mudança importante para a indústria.

Um gênero que durante décadas cresceu principalmente através de bailes, rádios locais, CDs e distribuição informal passou a integrar uma economia global baseada em propriedade intelectual, algoritmos, playlists e bilhões de reproduções.

Para empresas que controlam grandes catálogos de funk, cada música de sucesso pode continuar gerando receita durante anos.

Afinal, qual gravadora ganha mais?

Não é possível apontar com precisão qual gravadora recebe mais dinheiro das plataformas digitais no Brasil porque os valores individuais pagos por Spotify, YouTube, Apple Music e outras plataformas não são divulgados dessa maneira.

Considerando toda a indústria que atua no território brasileiro, grupos multinacionais como Sony Music, Universal Music e Warner Music possuem escala e catálogos que os colocam entre os principais participantes do mercado.

Já entre as empresas brasileiras independentes, a GR6 aparece como um dos casos mais expressivos, principalmente pelo volume de lançamentos, pela força do funk e pelos bilhões de reproduções acumuladas por seu ecossistema.

Mais importante do que descobrir quem ocupa exatamente a primeira posição é observar a transformação do setor.

O Brasil já é o oitavo maior mercado de música gravada do planeta, o streaming movimenta bilhões de reais anualmente e empresas brasileiras começam a transformar gêneros locais em propriedades intelectuais consumidas mundialmente.

A música deixou de ser apenas entretenimento.

Ela se tornou também um gigantesco negócio digital.

Se quiser, também posso fazer uma versão mais “Forbes/Exame”, com título mais chamativo e linguagem ainda mais voltada para empreendedorismo e dinheiro.