Luiz Gustavo Borges, CEO na Congresseme.me. Foto: Divulgação
Empresa fundada em 2019 amplia atuação para além dos congressos digitais, integra cursos e webinars em uma única plataforma e aposta em inteligência artificial para reduzir custos e acelerar a criação de produtos educacionais.
A Congresse.me, empresa fundada em 2019 com a proposta de democratizar o acesso a congressos digitais, inicia uma nova fase de sua trajetória ao se posicionar como um ecossistema integrado de conhecimento. O reposicionamento, apresentado no segundo semestre de 2026, amplia a atuação da companhia e reúne, em um único ambiente, ferramentas para criar, divulgar, vender e realizar eventos, congressos, cursos e webinars, tanto presenciais quanto digitais.
A mudança acompanha uma transformação nas necessidades de organizadores, produtores de conteúdo e empresas, que buscam mais eficiência na gestão de projetos educacionais e na redução dos custos operacionais. A plataforma passa a concentrar recursos de tecnologia, marketing, vendas e entrega de conteúdo, com o objetivo de simplificar processos e diminuir a dependência de equipes especializadas.
“A percepção era de que organizadores, produtores de conteúdo e empresas precisavam operar com mais agilidade e integração, diante dos custos crescentes de equipes de tecnologia, design, marketing e operações”, afirma Luiz Gustavo Borges, CEO e um dos fundadores da Congresse.me.
Antes de chegar ao mercado, a nova plataforma passou por cinco meses de testes com produtos próprios e clientes próximos. Embora a expansão já estivesse prevista no planejamento da companhia, a decisão de acelerar o projeto foi motivada pela observação das demandas dos usuários.
De 25 congressos a mais de 2.500 eventos hospedados
A história da Congresse.me começou com o propósito de ampliar o acesso ao conhecimento técnico-científico, especialmente para pessoas que enfrentavam dificuldades para participar de eventos presenciais devido aos custos de deslocamento, hospedagem e inscrição.
No primeiro ano de operação, a empresa realizou 25 congressos próprios e reuniu 160 mil participantes. Com a pandemia, a demanda por experiências digitais impulsionou o negócio: a operação chegou a 220 eventos e aproximadamente 1,1 milhão de participantes.
O crescimento do setor, no entanto, também trouxe desafios. A proliferação de soluções e conteúdos de baixa qualidade prejudicou a percepção de parte do público sobre os eventos digitais, evidenciando que a tecnologia de transmissão, isoladamente, não era suficiente para garantir experiências relevantes.
“Ficou claro que oferecer tecnologia de transmissão não bastava, e que era preciso conhecer melhor o público, qualificar leads e ajudar organizadores a construir experiências relevantes”, destaca Borges.
Atualmente, a empresa atua em duas frentes principais: a produção e comercialização de cursos e congressos digitais próprios no Brasil e na América Latina e o fornecimento de tecnologia para terceiros que desejam estruturar seus próprios projetos.
A companhia acumula mais de 600 congressos e cursos próprios realizados, mantém mais de 2.500 eventos hospedados na plataforma e já atendeu mais de 700 organizações. A combinação entre experiência prática na produção de eventos e desenvolvimento tecnológico é apontada como um dos diferenciais do negócio.
Inteligência artificial para acelerar a criação de produtos
Um dos pilares da nova fase é a incorporação da inteligência artificial em diferentes etapas da operação. A tecnologia permite transformar informações básicas ou até mesmo um vídeo gravado em uma estrutura inicial de produto digital, com páginas profissionais, módulos, área de acesso, checkout, certificados e materiais de comunicação.
A IA também auxilia na divulgação, com a geração de textos, artes e conteúdos para redes sociais, e-mails e WhatsApp. Na etapa de entrega, a ferramenta pode produzir transcrições e traduções, além de converter aulas gravadas em apresentações e e-books de apoio.
Com isso, o organizador precisa revisar, personalizar e publicar o material, reduzindo o tempo necessário para colocar um projeto em funcionamento.
Segundo a empresa, a estrutura inicial de um produto pode ser criada em poucos minutos, enquanto projetos mais simples podem entrar no ar no mesmo dia. O prazo depende do volume de conteúdo, do nível de personalização e da necessidade de serviços adicionais.
A proposta é diminuir barreiras operacionais para especialistas, empresas e produtores de conteúdo que desejam transformar conhecimento em produtos comercializáveis, sem precisar montar uma estrutura completa de tecnologia e comunicação desde o início.
Base de 3 milhões de usuários e modelo de entrada gratuita
Outro ativo estratégico da Congresse.me é sua base própria, formada por mais de 3 milhões de usuários segmentados por localização, área de conhecimento, escolaridade e campo de atuação.
Essas informações são utilizadas para direcionar campanhas de captação por e-mail e WhatsApp para os projetos dos clientes, respeitando as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O modelo comercial também foi estruturado para atender diferentes perfis de organizadores. O plano Start não exige mensalidade e cobra uma taxa de 9,9% sobre as vendas. Já o plano Pro custa R$ 199 mensais, com taxa de 8,9%, enquanto o Premium tem mensalidade de R$ 499, taxa de 6,9% e acompanhamento dedicado.
Projetos personalizados e serviços adicionais, como consultoria, transmissão, edição e atendimento, são orçados de acordo com o escopo de cada operação.
A combinação entre planos de entrada, recursos automatizados e serviços sob demanda busca atender desde produtores independentes até organizações que precisam de soluções mais robustas para estruturar suas iniciativas.
Operação remota e crescimento do negócio
A Congresse.me mantém uma estrutura de trabalho remoto desde sua fundação. As equipes de marketing e operações estão concentradas em Cacoal, em Rondônia, enquanto as áreas de negócios atuam em Minas Gerais e no Rio de Janeiro.
A sociedade é formada por Luiz Gustavo Borges, CEO; Dérick Pimenta, CTO; Guilherme Torrejon, CMO; e Maráia Rodrigues, COO.
Em relação à composição da receita, aproximadamente 55% vêm da venda direta de cursos e congressos digitais próprios, enquanto os outros 45% são provenientes da plataforma e de projetos desenvolvidos para terceiros.
A empresa registrou faturamento de R$ 2,3 milhões no ano anterior e projeta alcançar R$ 3 milhões em 2026. A expectativa está associada à ampliação do escopo da plataforma, à automação de processos e à capacidade de atender diferentes demandas do mercado de educação digital.
Ao integrar produção de conteúdo, tecnologia, divulgação e comercialização, a Congresse.me busca ampliar sua presença no mercado de conhecimento digital. A estratégia marca uma mudança de posicionamento: de uma plataforma voltada principalmente à realização de congressos para uma estrutura que pretende apoiar diferentes etapas da criação e distribuição de produtos educacionais.


