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Clara BabyClub aposta em atividades para bebês de até 2 anos e 11 meses, fortalece o posicionamento da rede na hotelaria familiar e acompanha mudanças no comportamento dos viajantes.
A experiência de viajar em família está passando por transformações, e a hotelaria precisa acompanhar as novas expectativas dos consumidores. Atenta a esse movimento, Taiza Krueder, CEO do Clara Resorts, lidera uma iniciativa que busca ampliar o cuidado com os hóspedes desde os primeiros meses de vida: o Clara BabyClub, projeto desenvolvido especialmente para famílias com bebês de até 2 anos e 11 meses.
A proposta nasceu da identificação de uma lacuna no mercado de hospitalidade. Segundo Taiza, embora existam serviços voltados ao público infantil, a primeira infância ainda recebia pouca atenção em muitos empreendimentos. A iniciativa foi criada para oferecer uma experiência mais completa, que contempla desde a estrutura dos quartos e a alimentação até atividades de estímulo e momentos de interação entre pais e filhos.

“Queríamos oferecer cuidado em todos os momentos da experiência, desde o quarto até a alimentação e as atividades. Também queríamos criar um senso de comunidade”, afirma a executiva.
Mais do que acrescentar uma área infantil à estrutura dos resorts, o projeto busca incentivar a participação dos responsáveis nas brincadeiras e fortalecer os vínculos familiares. A proposta também considera a presença dos pais nas atividades cotidianas com os bebês, criando oportunidades de convivência que nem sempre fazem parte da rotina.
Uma nova perspectiva para a hotelaria familiar
O Clara BabyClub foi concebido para atender a uma faixa etária que reúne necessidades bastante específicas. Bebês de poucos meses e crianças próximas dos três anos apresentam diferentes níveis de autonomia e demandam estímulos adequados a cada etapa do desenvolvimento.
Para responder a essa diversidade, o projeto conta com quatro atividades diárias, planejadas para proporcionar experiências sensoriais, musicais, artísticas e de contato com a natureza. Entre as propostas estão brincadeiras com instrumentos musicais, pinturas adaptadas, atividades com alimentos comestíveis e caminhadas com os bebês nos carrinhos, sempre com a participação dos pais.

A estrutura também contempla necessidades práticas das famílias, como papinhas exclusivas, utensílios e recursos para aquecer alimentos. No Clara Dourado e no Clara Ibiúna, os espaços foram desenvolvidos especificamente para essa finalidade, em projeto assinado pelo estúdio DWG.
Taiza ressalta que o objetivo não é transformar os empreendimentos em hotéis exclusivos para bebês, mas ampliar as possibilidades de atendimento sem comprometer a identidade de cada unidade.
“O Clara Resorts continua sendo para todas as idades. Gostamos de dizer que não existe uma persona única de hóspede do Clara: somos um pouco ageless, atendemos do zero aos 120 anos”, explica.
A estratégia permite que o BabyClub funcione como um serviço complementar à experiência já oferecida pela rede, sem retirar o espaço de outros públicos. Dessa forma, a empresa busca atender às diferentes configurações familiares e ampliar a participação dos pequenos na programação dos resorts.
Diferenciação como estratégia de negócio
Em um mercado competitivo, a capacidade de compreender necessidades específicas do consumidor pode se tornar um importante diferencial. Para o Clara Resorts, a atenção dedicada à primeira infância representa uma oportunidade de qualificar a experiência dos hóspedes e ampliar o valor percebido pelos clientes.
De acordo com Taiza, muitas atividades voltadas aos bebês teriam um custo elevado se contratadas individualmente. Ao estruturar uma programação recorrente para diferentes famílias, o resort consegue viabilizar experiências que seriam mais difíceis de oferecer de maneira isolada.

A executiva explica que o BabyClub conta com uma pequena taxa pelos serviços disponibilizados e que a proposta foi desenvolvida prioritariamente para atender melhor quem já se hospeda na rede, e não como uma iniciativa voltada exclusivamente à geração de receita.
“Ganhar dinheiro com o BabyClub nunca foi o objetivo principal; a intenção sempre foi atender melhor os nossos clientes e oferecer mais valor a quem já se hospeda conosco”, afirma.
O projeto também responde a uma questão de equidade na experiência infantil. Antes, crianças menores podiam ter menos opções de entretenimento do que irmãos mais velhos. Com atividades específicas para essa faixa etária, o resort amplia as possibilidades de participação dos pequenos.
A iniciativa traduz uma estratégia de diferenciação baseada na personalização dos serviços e na compreensão das necessidades de cada etapa da vida. Como resume Taiza: “Até hoje, o bebê precisava se adaptar à estrutura do hotel. Aqui, ao contrário, nós nos adaptamos aos bebês”.
O novo perfil das famílias transforma o mercado de luxo
As mudanças no comportamento dos viajantes também influenciam o desenvolvimento de novos serviços. Na avaliação da CEO, famílias menores e a maior presença de crianças nas viagens exigem que os empreendimentos revejam suas estruturas e propostas de atendimento.
A executiva observa que o conceito tradicional de luxo, frequentemente associado ao silêncio e à tranquilidade, precisa conviver com ambientes acolhedores para crianças e famílias. O desafio está em conciliar diferentes perfis de hóspedes sem comprometer a qualidade da experiência.
A valorização das viagens compartilhadas, especialmente entre familiares e pessoas próximas, reforça essa necessidade. Nesse contexto, iniciativas como o Clara BabyClub demonstram como a hotelaria pode adaptar seus serviços às novas expectativas sem abandonar o posicionamento da marca.
Para Taiza, a inovação não depende necessariamente da criação de empreendimentos inteiramente novos, mas da capacidade de identificar oportunidades dentro da própria operação e aprimorar aquilo que já existe.
Identidade própria e expansão responsável
O Clara Resorts reúne unidades com propostas distintas. O Clara Arte, em Inhotim, tem a arte como elemento central; o Clara Dourado preserva a atmosfera de fazenda; e o Clara Ibiúna tem a água entre os elementos marcantes de sua experiência.
A introdução do BabyClub foi pensada para respeitar essas características. Em vez de padronizar completamente os empreendimentos, a rede agrega serviços e estruturas que atendem às necessidades dos bebês, mantendo a personalidade de cada unidade.
A mesma preocupação aparece na estratégia de sustentabilidade do grupo. Segundo Taiza, a preservação ambiental orienta decisões relacionadas à construção, à escolha de materiais e ao planejamento dos espaços.
A executiva destaca a manutenção de áreas florestais superiores às exigências legais nas propriedades, o uso de materiais locais e naturais sempre que possível e a consideração de energias renováveis e materiais certificados nos projetos.
“Colocamos a natureza e a sustentabilidade em primeiro lugar”, afirma.
A escolha de fornecedores e recursos locais também pode reduzir os impactos associados ao transporte. Para a empresa, responsabilidade socioambiental e qualidade da experiência precisam caminhar juntas, inclusive nos projetos de modernização e expansão.
Crescimento começa dentro de casa
Apesar das oportunidades de expansão, Taiza afirma que a prioridade atual é aprimorar a estrutura existente. A rede mantém uma agenda de modernização dos empreendimentos, com reformas periódicas dos quartos e investimentos para elevar o padrão de atendimento.
No Clara Ibiúna, por exemplo, a empresa está reformando metade dos quartos, em um processo que exige planejamento e recursos financeiros, inclusive pela necessidade de manter parte das acomodações indisponível durante as obras.
A estratégia também contempla o redesenho de atividades para diferentes faixas etárias e a criação de salões para eventos sociais e corporativos no Clara Arte e no Clara Dourado.
“Nosso primeiro passo é garantir que tudo o que já temos esteja impecável antes de pensar em crescer para fora. Queremos olhar para dentro e entender como podemos ser melhores em cada hotel”, diz.
A declaração evidencia uma visão de crescimento baseada na consolidação da operação, no aperfeiçoamento dos serviços e na valorização das características de cada empreendimento.
Um legado baseado no cuidado
Ao falar sobre o futuro da hotelaria, Taiza coloca a qualidade das relações e a atenção ao hóspede no centro da estratégia. Para ela, inovar significa criar experiências capazes de gerar conexões verdadeiras e fazer com que as pessoas se sintam acolhidas durante a estadia.
A executiva defende uma hospitalidade que combine alimentação de qualidade, diversão, convivência e respeito às diferentes necessidades dos visitantes. O Clara BabyClub representa uma extensão dessa visão ao incluir a primeira infância em uma experiência de lazer que tradicionalmente oferecia mais opções para crianças maiores.
Ao investir em serviços especializados sem abandonar a identidade de seus empreendimentos, o Clara Resorts busca demonstrar que a diferenciação na hotelaria pode nascer da atenção a públicos que ainda encontram poucas alternativas adaptadas às suas necessidades.
Para Taiza Krueder, o resultado esperado vai além da infraestrutura ou da programação de atividades: está na percepção de cuidado que permanece depois da viagem.
“Queremos que o hóspede vá embora com a sensação de ter sido muito bem cuidado”, conclui.


