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Negócios

Aos 19 anos, Pedro Casabona aposta no empreendedorismo sem abrir mão da fé e dos valores pessoais

Foto: Arquivo pessoal

Jovem que viveu parte da infância e da adolescência na Espanha voltou ao Brasil para estudar negócios e construir a Valida. Em sua trajetória, defende que execução, paciência e princípios são tão importantes quanto a ambição de crescer.

Aos 19 anos, Pedro Casabona está começando a construir sua trajetória no empreendedorismo com uma visão que vai além dos resultados financeiros. Estudante da Link School of Business, em São Paulo, e fundador da iniciativa Valida, ele busca desenvolver negócios enquanto procura manter a fé, a família e os valores pessoais como pilares de suas decisões.

Nascido em São Paulo, Pedro viveu no Brasil até os 10 anos e passou praticamente toda a adolescência na Espanha, para onde se mudou aos 11. A experiência de crescer entre dois países contribuiu para sua formação pessoal e o colocou diante de desafios que exigiram adaptação, resiliência e capacidade de recomeçar.

“Carrego muito dos dois lugares. Tenho minhas raízes, minha família e uma parte muito forte da minha identidade no Brasil, mas foi na Espanha que amadureci”, conta.

Da arquitetura ao empreendedorismo

Antes de se interessar diretamente por negócios, Pedro chegou a ingressar em uma universidade pública em Barcelona para estudar Arquitetura. Após um semestre, porém, percebeu que sua escolha havia sido influenciada pelas expectativas e opiniões ao seu redor, sem que tivesse clareza sobre o próprio futuro.

Abandonar o curso foi uma das primeiras grandes decisões que o levaram a questionar a ideia de seguir um caminho considerado seguro.

O contato com a Link School of Business aconteceu por meio de um amigo. Durante uma visita a São Paulo, no início de 2026, Pedro conheceu alunos, acompanhou aulas e começou a explorar um ambiente que despertou seu interesse pelo empreendedorismo.

Ao ingressar na instituição, deparou-se com colegas que aparentavam ter mais experiência e repertório sobre negócios. Em vez de interpretar essa diferença apenas como uma desvantagem, passou a enxergá-la como uma oportunidade de aprendizado.

“Se eu realmente sou o pior da sala, talvez eu esteja na sala certa. Porque significa que existe muita coisa que eu posso aprender”, reflete.

O aprendizado de que boas ideias não são suficientes

Uma das principais transformações na visão de Pedro foi compreender que empreender exige muito mais do que encontrar uma ideia promissora. No início, ele acreditava que uma oportunidade excepcional poderia acelerar o caminho até o sucesso financeiro. A prática, entretanto, começou a mostrar outra realidade.

Ao explorar possibilidades de negócios, chegou a mudar de ideia entre dez e 15 vezes em poucas semanas. A cada novo obstáculo, concorrente ou dificuldade de validação, surgia uma alternativa aparentemente melhor.

Com o tempo, percebeu que parte dessas mudanças não era motivada por evidências concretas de que uma ideia não funcionaria, mas pelo desconforto de ter de executá-la. Pesquisar mercados, elaborar apresentações e discutir possibilidades eram atividades relativamente confortáveis. O desafio verdadeiro começava ao conversar com potenciais clientes, apresentar um produto ainda incompleto, tentar vender e lidar com respostas negativas.

“Eu não estava abandonando ideias porque tinha evidência de que eram ruins. Eu estava abandonando porque tinha chegado na parte em que elas exigiam trabalho desconfortável”, explica.

Essa percepção influenciou sua decisão de dedicar mais tempo à Valida, buscando testar hipóteses e aprender com a realidade antes de considerar uma mudança de direção.

Validação, execução e a importância de ouvir o mercado

Na visão do jovem empreendedor, saber quando persistir e quando mudar de estratégia depende menos da empolgação inicial e mais das evidências obtidas durante o processo.

Pedro defende que uma hipótese precisa ser colocada à prova por meio de conversas com potenciais clientes, testes de soluções, análise do interesse pelo produto e observação da disposição das pessoas para pagar por aquilo que está sendo oferecido.

“Hoje eu tento não confundir desconforto com evidência”, afirma. Para ele, executar bem significa realizar atividades que gerem informações concretas, mesmo quando os resultados ainda não aparecem.

Conversar com clientes, apresentar soluções, receber críticas e ajustar o produto são etapas fundamentais. A inteligência artificial pode ajudar na organização, na pesquisa e na produtividade, mas não substitui o contato com pessoas reais nem a necessidade de testar uma proposta no mercado.

Fé e valores como fundamentos das decisões

Embora esteja desenvolvendo sua trajetória no universo empresarial, Pedro não separa o empreendedorismo de suas convicções religiosas. Cristão desde a infância, ele conta que sua relação com Deus se tornou mais pessoal durante a adolescência na Espanha, especialmente nos períodos em que se sentiu sozinho e precisou enfrentar dificuldades.

A separação dos pais, a mudança de país, os desafios de adaptação escolar e os problemas de saúde enfrentados pela mãe estão entre as experiências que marcaram sua formação. Segundo ele, foram períodos difíceis, mas que contribuíram para seu amadurecimento e para a maneira como compreende a vida.

Essa relação com a fé influencia também suas ambições profissionais. Pedro afirma que deseja prosperar, construir empresas relevantes e trabalhar para alcançar grandes objetivos, mas não quer que o crescimento exija o abandono de seus princípios.

“Não quero construir nada que, para existir, exija que eu abandone aquilo em que acredito”, diz.

Entre os valores que considera inegociáveis estão a verdade, a fidelidade, a lealdade às pessoas que ama e o compromisso com a família. Para ele, o desafio não está apenas em defender esses princípios publicamente, mas em mantê-los quando as circunstâncias oferecem vantagens em troca de pequenas concessões.

O papel do erro no desenvolvimento de um empreendedor

A experiência com Arquitetura também se tornou uma referência para Pedro sobre a importância de reconhecer escolhas equivocadas. Em vez de considerar o período como simplesmente desperdiçado, ele passou a enxergá-lo como parte do processo que o levou a conhecer novas possibilidades.

Essa compreensão se reflete na maneira como encara os erros no empreendedorismo. Para ele, errar pode ser uma fonte valiosa de aprendizado, desde que exista responsabilidade e capacidade de interpretar o que aconteceu.

A disposição para experimentar não deve ser confundida com agir sem preparo. É necessário reconhecer as próprias limitações e buscar conhecimento suficiente para compreender os resultados das tentativas.

“Meu objetivo é minimizar os erros irresponsáveis e maximizar os erros responsáveis”, afirma.

Redes sociais, comparação e a pressão pelo sucesso precoce

Em uma geração exposta diariamente a histórias de jovens milionários, empresas em expansão e resultados extraordinários, Pedro reconhece que a comparação também afeta sua própria percepção de progresso.

Ele conta que já se cobrou ao observar pessoas da mesma idade alcançando independência financeira ou construindo negócios de grande porte. A reflexão sobre o próprio momento, entretanto, ajudou a compreender que sua trajetória empreendedora começou recentemente.

As redes sociais frequentemente apresentam o resultado final sem mostrar os anos de trabalho, as dificuldades e as tentativas que vieram antes. Pedro procura utilizar essas referências como incentivo, sem permitir que elas eliminem a paciência necessária para desenvolver suas próprias competências.

Ele também chama a atenção para o papel da tecnologia e da inteligência artificial. Embora reconheça o potencial dessas ferramentas para ampliar a produtividade, acredita que seu uso sem maturidade pode reforçar a busca por conforto e reduzir o contato com experiências que exigem esforço e disposição para enfrentar a possibilidade de fracasso.

O que Pedro Casabona deseja construir nos próximos dez anos

Ao projetar o futuro, Pedro não estabelece o sucesso exclusivamente a partir de patrimônio ou faturamento. Ele deseja construir negócios relevantes, alcançar independência financeira e proporcionar melhores condições de vida para sua família, mas também pretende preservar relacionamentos e aprofundar sua relação com Deus.

Entre seus objetivos pessoais estão se casar, eventualmente ter filhos e continuar próximo dos pais, dos irmãos e das pessoas que considera fundamentais em sua vida. No campo profissional, mantém abertura para diferentes possibilidades: a Valida pode crescer, novos negócios podem surgir e sua trajetória pode assumir caminhos que hoje ainda não consegue prever.

“Quero continuar entendendo que dinheiro é uma ferramenta, não a finalidade”, afirma.

Pedro também deseja gerar impacto por meio de empresas, projetos e conteúdos capazes de ajudar outras pessoas a superar períodos de estagnação.

Ao começar sua trajetória empresarial, Pedro Casabona procura conciliar a vontade de construir algo grande com a consciência de que o processo também molda quem ele será. Seu desafio não é apenas descobrir como desenvolver negócios, mas aprender a crescer sem perder de vista os valores que deseja levar consigo.