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Startup negocia com três prefeituras centros para recuperar carteiras escolares e reduzir gastos públicos

Reescola propõe instalar unidades de reindustrialização de mobiliário nas estruturas municipais, combinando capacitação, processos industriais e software para monitorar custos, reaproveitamento e vida útil dos móveis.

 

Com 106.572 escolas municipais no Brasil, segundo o Censo Escolar 2025, a recuperação do mobiliário escolar pode se tornar uma alternativa às compras recorrentes de carteiras e cadeiras na rede pública. A Reescola, startup especializada na reindustrialização de móveis, negocia com três prefeituras a implantação de centros municipais voltados à recuperação desses equipamentos, com o objetivo de ampliar sua vida útil e permitir que os gestores comparem os custos de reparo com os da aquisição de novos produtos.

A proposta prevê que os municípios disponibilizem espaço físico, maquinário, equipes e componentes de reposição. A startup ficaria responsável pela transferência de conhecimento técnico, estruturação dos processos industriais, capacitação dos profissionais, supervisão das atividades e fornecimento de um software para acompanhar o inventário e os resultados das intervenções.

Os centros ainda estão em fase de negociação e desenvolvimento. Segundo as informações divulgadas pela empresa, nenhuma das unidades previstas nesse formato foi implantada até o momento.

Recuperação de móveis como estratégia de gestão

O modelo pretende incorporar a recuperação do mobiliário à rotina de manutenção patrimonial das prefeituras, em vez de tratar o reaproveitamento como uma iniciativa pontual.

Na prática, carteiras e cadeiras seriam avaliadas para identificar quais podem ser recuperadas, quais exigem intervenções mais complexas e quais precisam ser substituídas. O acompanhamento digital permitiria registrar os custos de cada serviço e monitorar indicadores relacionados à recuperação dos móveis.

A proposta parte do princípio de que a decisão entre reparar e comprar um novo conjunto escolar deve considerar mais do que o preço de aquisição. Gastos com mão de obra, materiais, transporte, manutenção e durabilidade também precisam entrar na conta para que a administração pública identifique a alternativa mais vantajosa.

A recuperação, porém, não é viável em todos os casos. Móveis com danos estruturais ou que não atendam aos requisitos de estabilidade, ergonomia e segurança podem precisar ser substituídos. Por isso, a avaliação técnica é uma etapa necessária para determinar quais itens podem voltar ao uso.

Contratações públicas e economia circular

A proposta também se relaciona às diretrizes de sustentabilidade aplicáveis às compras governamentais. A Lei nº 14.133/2021, que estabelece normas para licitações e contratos administrativos, permite considerar fatores como custos de manutenção, utilização, reposição, depreciação e impactos ambientais na avaliação do ciclo de vida dos bens, desde que sejam objetivamente mensuráveis.

Já a Estratégia Nacional de Economia Circular, instituída pelo Decreto nº 12.082/2024, prevê medidas para ampliar a vida útil dos materiais e estimular práticas circulares, incluindo as compras públicas.

Esse contexto oferece referências para que os municípios avaliem alternativas à substituição integral do mobiliário. A adoção de modelos de recuperação, entretanto, depende de planejamento, critérios técnicos, demonstração de viabilidade econômica e observância das regras de contratação pública.

Para Laura Camargos, CEO e cofundadora da Reescola, a comprovação dos resultados é essencial para avaliar a eficiência da iniciativa.

“Não basta recuperar uma carteira e afirmar que houve economia. É necessário demonstrar quanto custou a intervenção, se o móvel atende aos requisitos de qualidade, qual será sua vida útil e quanto o município efetivamente deixou de gastar”, afirma.

Resultados ainda precisam ser medidos

A próxima etapa do modelo é demonstrar, na operação municipal, se a estrutura proposta consegue gerar benefícios econômicos e ambientais mensuráveis.

Entre os indicadores previstos estão custos de recuperação, capacidade produtiva, proporção de móveis reaproveitados, vida útil após as intervenções, geração de empregos e impacto ambiental. Esses dados poderão ajudar as prefeituras a comparar os resultados da reindustrialização com os custos de reposição do mobiliário.

A estrutura também exige avaliar a disponibilidade de mão de obra, a necessidade de equipamentos e a regularidade do fornecimento de peças. Esses fatores influenciam a capacidade de atendimento e o custo total da operação.

Os resultados dos projetos iniciais, caso sejam implementados, deverão fornecer elementos para avaliar a possibilidade de expansão do modelo para outros municípios. Até lá, a proposta permanece em fase de negociação, sem resultados operacionais dos novos centros que permitam dimensionar a economia potencial.

Startup já atendeu mais de 300 escolas

A Reescola informa ter atendido mais de 300 escolas públicas e privadas e reindustrializado mais de 10 mil conjuntos escolares. A empresa também afirma ter fornecido mobiliário recuperado para a Prefeitura de Sorocaba, no interior de São Paulo.

A experiência anterior constitui a base operacional apresentada pela startup para a expansão do modelo às estruturas municipais. A nova etapa busca combinar a recuperação física dos móveis com processos padronizados, formação de equipes locais e acompanhamento de dados.

A iniciativa se insere no segmento de GovTechs, empresas que desenvolvem soluções para desafios da administração pública. Nesse caso, a proposta vai além da digitalização de serviços ao combinar tecnologia, engenharia e capacitação para apoiar a gestão de ativos públicos.

O avanço do projeto dependerá da formalização das parcerias com as prefeituras e da comprovação de que os centros conseguem recuperar mobiliário dentro dos padrões exigidos, com custos competitivos e resultados que possam ser medidos ao longo do tempo.

Sobre a Reescola

A Reescola é uma startup especializada na reindustrialização de mobiliário escolar. Segundo a empresa, sua tecnologia proprietária permite transformar móveis usados em produtos padronizados. A companhia informa ter atendido mais de 300 escolas públicas e privadas e recuperado mais de 10 mil conjuntos escolares.

Mais informações estão disponíveis no site oficial: reescola.com.br.

Foto: Divulgação
Tags: compras públicas, economia circular, educação pública, escolas municipais, gestão pública, GovTech, inovação, Laura Camargos, mobiliário escolar, prefeituras, recuperação de carteiras escolares, redução de gastos públicos, Reescola, reindustrialização de móveis, sustentabilidade, Você & Negócios