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Fintech criada por ex-executivo da Uber quadruplica transações e prepara expansão para novos serviços financeiros

Ruvo, fundada por Alec Howard e Mike Mason, captou US$ 4,6 milhões em rodada seed e planeja ampliar sua plataforma com investimentos em dólar, crédito internacional e proteção cambial.

 

A fintech Ruvo quadruplicou o volume mensal de transações nos últimos cinco meses e prepara uma nova etapa de expansão no mercado brasileiro. Criada pelo americano Alec Howard, ex-integrante da equipe de expansão da Uber no Brasil, e pelo engenheiro de software Mike Mason, a empresa conecta operações financeiras entre Brasil e Estados Unidos e pretende ampliar seu portfólio para além das transferências internacionais.

O crescimento, segundo a companhia, foi impulsionado pela evolução da plataforma e pela expansão da base de clientes. A empresa não divulgou os valores absolutos movimentados nem o número total de usuários, mas informou que o avanço acompanha uma mudança no perfil de sua operação, que passou a atender também negócios com relações comerciais frequentes com o exterior.

A proposta da Ruvo é concentrar diferentes operações financeiras internacionais em uma única plataforma, reunindo meios de pagamento e liquidação como Pix, ACH — sistema de transferências bancárias dos Estados Unidos —, Wire, stablecoins e cartão Visa.

A iniciativa busca atender a brasileiros que recebem pagamentos em moeda estrangeira, profissionais que trabalham para empresas internacionais e negócios que precisam enviar ou receber recursos do exterior.

“Percebemos que muitos brasileiros já vivem uma realidade financeira global, mas ainda precisam recorrer a diferentes plataformas para enviar, receber e administrar recursos em dólar. Queremos eliminar essa complexidade”, afirma Alec Howard, CEO e cofundador da Ruvo.

Experiência no Brasil inspirou criação da fintech

A ideia de criar a empresa surgiu a partir da experiência de Howard no país. Em 2016, quando chegou ao Brasil para trabalhar na expansão da Uber, o executivo acompanhou os desafios relacionados às movimentações financeiras entre os dois países.

Anos depois, com o avanço dos pagamentos digitais, a expansão dos serviços bancários e a adoção do Pix, Howard identificou uma oportunidade para desenvolver uma solução internacional adaptada às necessidades dos brasileiros.

A fintech foi selecionada pela aceleradora americana Y Combinator, conhecida por apoiar empresas como Airbnb e DoorDash. Também captou US$ 4,6 milhões em uma rodada seed liderada pela 1confirmation, com participação da Coinbase Ventures, Rebel Fund e investidores-anjo do Brasil e dos Estados Unidos.

O investimento inicial ajudou a estruturar a operação e ampliar a oferta de serviços. A empresa, no entanto, não detalhou como os recursos foram distribuídos entre desenvolvimento tecnológico, aquisição de clientes e expansão comercial.

Base de clientes inclui empresas e profissionais internacionais

Nos primeiros meses de operação, a Ruvo concentrou boa parte de sua atuação em desenvolvedores e outros profissionais brasileiros que recebem remuneração de empresas estrangeiras.

Com o crescimento da plataforma, a companhia passou a atender também software houses, agências de marketing, agências de viagem, marketplaces, plataformas de investimentos internacionais e empresas que realizam pagamentos recorrentes a profissionais no Brasil.

Esses segmentos têm em comum a necessidade de movimentar recursos entre diferentes países com previsibilidade de custos e prazos.

Além da expansão comercial, a empresa investe em iniciativas de aquisição e fidelização de clientes, incluindo programas de embaixadores voltados a desenvolvedores e estudantes, ações de educação financeira e atividades para fortalecer comunidades profissionais.

A estratégia procura ampliar o alcance da fintech em públicos que já trabalham ou mantêm relações financeiras com o mercado internacional.

Novos produtos devem ampliar atuação

A próxima etapa da Ruvo prevê a incorporação de serviços voltados à gestão financeira global. Entre os produtos planejados estão investimentos em ativos denominados em dólar, soluções de rendimento para ativos digitais, crédito internacional e ferramentas de proteção cambial.

A ampliação representa uma mudança de posicionamento: de uma plataforma concentrada em transferências internacionais para uma estrutura que pretende reunir diferentes necessidades financeiras de pessoas e empresas com operações em mais de um país.

Mike Mason, CTO e cofundador da Ruvo, afirma que a proposta é simplificar a administração de recursos em diferentes moedas sem exigir que os usuários dominem a tecnologia utilizada nas operações.

“O usuário não precisa entender blockchain ou stablecoins. Ele só precisa conseguir enviar, receber e administrar seu dinheiro de forma simples”, afirma.

A expansão, contudo, dependerá da implementação dos novos produtos e das condições regulatórias aplicáveis a cada serviço. A empresa não informou datas para o lançamento das soluções previstas.

Taxas e serviços da plataforma

Segundo a Ruvo, a plataforma oferece conversão entre reais e dólares e transferências internacionais via ACH e Wire com taxas a partir de 0,3%. A companhia também afirma eliminar a cobrança de IOF nas operações elegíveis.

A aplicação dessa condição depende das características de cada transação e do enquadramento tributário correspondente. Por isso, a ausência de IOF não deve ser interpretada como uma isenção válida para todas as operações internacionais.

A empresa também oferece cartão Visa internacional e uma conta global em dólar destinada a brasileiros que precisam receber, guardar, converter ou gastar recursos em moeda estrangeira.

Com a quadruplicação do volume mensal de transações e a previsão de novos serviços, a Ruvo busca ampliar sua participação no mercado de soluções financeiras internacionais. O desafio será transformar o crescimento da operação em uma oferta mais abrangente, mantendo transparência nas tarifas, simplicidade de uso e adequação às exigências regulatórias.

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