Estudo aponta impacto da migração de consumidores no terceiro trimestre de 2026. Chery Tiggo 7 lidera ranking de rentabilidade dos seminovos, enquanto tíquete médio recua ao menor nível do ano.
As marcas chinesas ampliaram sua presença no mercado brasileiro de veículos usados e seminovos e passaram a disputar também os consumidores que já possuem carros dessas fabricantes. No terceiro trimestre de 2026, Jeep, Volkswagen, Hyundai e Chevrolet estiveram entre as montadoras tradicionais mais afetadas pela migração de compradores para marcas chinesas, segundo o Estudo MegaDealer de Performance de Veículos Usados (PVU), elaborado com dados transacionais da plataforma Auto Avaliar.
A Jeep registrou a maior perda proporcional entre as quatro marcas analisadas. Segundo o levantamento, 23.993 unidades deixaram de ser destinadas à montadora em razão desse movimento, volume equivalente a 46% dos emplacamentos potenciais considerados pelo estudo. Na Volkswagen, foram 22.463 unidades, correspondentes a 15% do volume potencial.
Hyundai e Chevrolet também registraram perdas relevantes. A primeira deixou de alcançar 19.003 unidades, o equivalente a 30% do volume potencial, enquanto a segunda teve uma perda estimada de 18.421 unidades, ou 18%.
Os números indicam que a expansão das fabricantes chinesas não se limita à conquista de novos compradores. O movimento também interfere nas escolhas de consumidores que já possuem veículos de outras marcas e chegam ao momento de trocar de carro.
Marcas chinesas começam a disputar clientes entre si
Outro indicador do estudo reforça a mudança no cenário competitivo: 17,4% das trocas consideradas na análise já acontecem entre duas marcas chinesas.
Para Fábio Braga, Country Manager da MegaDealer, esse resultado sinaliza uma nova etapa da concorrência no setor automotivo brasileiro, na qual as próprias fabricantes chinesas passam a disputar consumidores que já fazem parte desse mercado.
O avanço também coloca pressão sobre as concessionárias, que precisam acompanhar as mudanças nas preferências dos compradores e avaliar como elas afetam a procura por diferentes modelos na hora da renovação da frota.
Tíquete médio cai ao menor nível desde janeiro
Além das mudanças na concorrência entre marcas, o mercado de usados e seminovos apresentou redução no valor médio das vendas em setembro. De acordo com o PVU, o tíquete médio recuou de R$ 88.545 em agosto para R$ 87.298 no mês seguinte, o menor patamar registrado desde janeiro de 2026.
A margem bruta média das concessionárias também caiu, passando de 9,9% para 9,8%. Já o giro médio dos estoques aumentou de 37 para 38 dias, indicando um leve alongamento do tempo necessário para comercializar os veículos.
O cenário exige atenção à formação dos preços de compra e venda, já que margens menores e estoques com giro mais lento podem pressionar a rentabilidade das operações.
Apesar disso, o mercado brasileiro de veículos usados manteve crescimento no acumulado do ano. Segundo a Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), foram comercializados 14,2 milhões de veículos usados de janeiro a setembro de 2026, alta de 6,4% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.
Chery Tiggo 7 lidera ranking de rentabilidade
No ranking de rentabilidade dos seminovos fabricados entre 2024 e 2026, o Chery Tiggo 7 ocupou a primeira posição em setembro. O modelo registrou preço médio de venda de R$ 122.833, margem bruta de 10% e giro médio de estoque de 26 dias.
O Renault Kwid ficou em segundo lugar, com preço médio de R$ 56.313, margem bruta de 11,7% e giro de 33 dias. Na terceira posição, o Chery Tiggo 5x apresentou preço médio de R$ 102.775, margem de 9,2% e giro de 27 dias.
A lista mostra que a presença de modelos chineses no mercado de seminovos também se reflete nos indicadores de retorno das concessionárias. Ao mesmo tempo, veículos de fabricantes tradicionais continuam entre os modelos com melhor desempenho.
O Fiat Mobi ficou em quarto lugar, com margem bruta de 12,4% e giro de estoque de 37 dias. Na quinta posição, o BYD Song Plus registrou preço médio de R$ 175.192, margem de 8,7% e giro de 31 dias.
Completam o ranking dos dez modelos mais bem posicionados em rentabilidade o Fiat Strada, o Fiat Argo, o Hyundai HB20, o Volkswagen Polo e o Toyota Yaris Hatch.
Levantamento reúne milhares de concessionárias
A edição de outubro do Estudo MegaDealer de Performance de Veículos Usados utiliza uma amostra de 3.471 concessionárias de 26 marcas conectadas à plataforma Auto Avaliar.
O levantamento acompanha mensalmente indicadores do mercado de usados e seminovos, incluindo tíquete médio, margens, giro de estoque e rentabilidade por modelo.
Os dados do terceiro trimestre mostram duas tendências simultâneas: a ampliação da concorrência das fabricantes chinesas sobre marcas tradicionais e a necessidade de as concessionárias administrarem preços, margens e estoques em um mercado cujo volume de vendas segue em expansão.


