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Pesquisa aponta que 78% dos gestores brasileiros temem falta de sucessores nas empresas

Levantamento da Robert Half indica preocupação com a formação de lideranças até 2035; em empresas familiares, delegação e compartilhamento de conhecimento são desafios para a continuidade dos negócios.

A preparação de profissionais para assumir posições estratégicas é uma preocupação para 78% dos gestores brasileiros, segundo pesquisa da consultoria Robert Half divulgada em 2026. O levantamento aponta o receio de não encontrar sucessores capazes de sustentar os negócios até 2035 e reforça a importância do desenvolvimento de lideranças para a continuidade das empresas.

O desafio envolve diferentes organizações, mas pode ser especialmente complexo em empresas familiares e indústrias nas quais o conhecimento operacional, os relacionamentos comerciais e as decisões estratégicas estão concentrados nos fundadores ou em poucos executivos.

Nesses casos, a sucessão exige mais do que escolher quem ocupará um cargo. É necessário preparar profissionais para compreender o funcionamento da organização, assumir responsabilidades e tomar decisões com autonomia.

Para Vanessa Garcia, empresária com 26 anos de atuação na indústria alimentícia, a formação de novas lideranças precisa fazer parte da rotina de gestão, em vez de ser tratada como uma resposta a situações emergenciais.

“Uma empresa não pode depender para sempre de uma única pessoa para fazer tudo acontecer. Quem está à frente do negócio precisa preparar outras pessoas, compartilhar conhecimento e permitir que elas assumam responsabilidades. Isso não acontece de uma hora para outra”, afirma.

Centralização de decisões dificulta a formação de sucessores

Um dos obstáculos à preparação de novas lideranças é a dificuldade de delegar. Gestores que acompanharam de perto todas as etapas de um negócio podem ter receio de perder o controle sobre a operação ou de que as atividades não sejam executadas da maneira esperada.

Como resultado, decisões e responsabilidades permanecem concentradas em poucas pessoas. Esse modelo pode se tornar um entrave à medida que a empresa cresce e passa a exigir mais profissionais preparados para coordenar equipes, resolver problemas e conduzir processos.

A distribuição de responsabilidades também depende da criação de processos claros e do compartilhamento do conhecimento acumulado. Sem essas medidas, parte das informações necessárias à operação pode permanecer restrita a profissionais específicos, aumentando a dependência da organização em relação a eles.

Na avaliação de Vanessa Garcia, delegar não significa apenas transferir tarefas, mas oferecer condições para que outros profissionais desenvolvam capacidade de decisão.

“Delegar também exige confiança e disposição para ensinar. Se eu entrego uma responsabilidade, mas não dou espaço para a pessoa decidir, na prática continuo centralizando tudo. Desenvolver alguém é um processo que exige acompanhamento, conversa e tempo”, diz.

Planejamento sucessório precisa começar antes da saída de um líder

A sucessão empresarial costuma ganhar atenção quando um fundador se aproxima da aposentadoria ou quando um executivo deixa a organização. No entanto, a preparação de substitutos pode começar muito antes, com a identificação de profissionais que demonstram capacidade de aprendizado, liderança de equipes e compreensão dos impactos de suas decisões.

Esse trabalho permite desenvolver competências gradualmente, ampliar a autonomia dos profissionais e compartilhar conhecimentos que, de outra forma, poderiam permanecer concentrados em quem ocupa posições estratégicas.

Em empresas familiares, o planejamento também envolve conciliar a preservação da história do negócio com a necessidade de preparar a organização para novas etapas. A escolha de um sucessor, portanto, não precisa se limitar a um herdeiro ou a alguém que já ocupa um cargo de direção.

O objetivo é estruturar uma empresa capaz de manter suas operações, adaptar-se às mudanças e tomar decisões mesmo na ausência de seus principais líderes.

Diante da preocupação apontada pela pesquisa da Robert Half, o desenvolvimento de sucessores aparece como uma questão de gestão e continuidade empresarial. A preparação antecipada de profissionais, aliada à delegação e à disseminação do conhecimento, é parte do processo para reduzir a dependência de pessoas específicas e manter a capacidade de operação no longo prazo.

Foto: Divulgação

Tags: continuidade dos negócios, desenvolvimento de lideranças, empresas familiares, formação de líderes, gestão de pessoas, gestão empresarial, liderança empresarial, mercado de trabalho, planejamento sucessório, Robert Half, sucessão empresarial, sucessão familiar, Vanessa Garcia