Mudanças na tributação devem levar empresas a reavaliar rotas, custos logísticos e centros de distribuição. Santa Catarina, um dos principais polos de comércio exterior do país, terá de fortalecer sua eficiência operacional para manter a competitividade.
A reforma tributária brasileira promete provocar mudanças importantes na dinâmica do comércio exterior. Com a implementação gradual do novo sistema até 2033, empresas que importam mercadorias terão de reavaliar estratégias que, durante anos, foram influenciadas pela combinação entre incentivos fiscais estaduais e infraestrutura logística.
Nesse cenário, a escolha do porto de entrada das mercadorias poderá ganhar novos critérios. Além dos aspectos tributários, fatores como custo do frete, velocidade no desembaraço aduaneiro, armazenagem, frequência das rotas internacionais e necessidade de capital de giro tendem a ter maior peso nas decisões empresariais.
Segundo o especialista em tributação e consultor da Tendências Consultoria, Mário Westrup, a transformação vai além da forma como os impostos são cobrados. A mudança também pode influenciar a escolha de fornecedores, os locais de armazenamento e a organização de toda a cadeia logística.
Santa Catarina enfrenta novos desafios competitivos
Santa Catarina ocupa uma posição relevante no comércio exterior brasileiro, especialmente pela concentração de portos, empresas de comércio internacional, tradings, operadores logísticos e recintos alfandegados. A região de Itajaí, no litoral norte do estado, tornou-se um importante centro de operações de importação.
Parte desse desenvolvimento esteve associada aos incentivos tributários oferecidos ao longo dos anos. Com a redução gradual do peso desses mecanismos, porém, as empresas precisarão demonstrar outras vantagens para manter sua participação no mercado.
A infraestrutura já instalada, a experiência dos profissionais e a integração entre os diferentes serviços logísticos podem continuar representando diferenciais competitivos. Nesse contexto, empresas que oferecem gestão de riscos, financiamento, inteligência comercial e eficiência operacional tendem a ter mais recursos para se adaptar ao novo ambiente.
Para Mário Westrup, organizações cuja competitividade depende principalmente de benefícios fiscais poderão enfrentar maior pressão durante a transição. Já aquelas que combinam serviços especializados e eficiência na operação terão condições de buscar novas oportunidades.
Escolha dos portos deve considerar mais fatores
A reforma também pode ampliar a comparação entre diferentes alternativas logísticas disponíveis no Brasil. Com a mudança na tributação, empresas poderão reavaliar se as rotas utilizadas atualmente continuam sendo as mais adequadas para suas operações.
Na prática, a decisão poderá envolver uma análise conjunta de custos de transporte, prazos de entrega, disponibilidade de serviços, infraestrutura portuária e previsibilidade das operações. A localização dos centros de distribuição e a distância até os mercados consumidores também podem influenciar os resultados.
Matheus F. Bernardes, CEO da Cronos Logistics, empresa de logística internacional sediada em Itajaí, avalia que a escolha dos pontos de entrada das mercadorias deverá considerar um conjunto mais amplo de variáveis.
A capacidade de acompanhar diferentes portos, aeroportos e rotas internacionais pode ajudar importadores a comparar cenários e identificar alternativas adequadas para cada tipo de carga. Com isso, o planejamento logístico tende a ganhar ainda mais importância nas decisões estratégicas das empresas.
Exportações podem se beneficiar da recuperação de créditos
Os efeitos da reforma não se limitam às importações. Nas exportações, a ampliação da não cumulatividade tributária poderá contribuir para reduzir a parcela de impostos acumulada ao longo da cadeia produtiva, desde que os mecanismos de compensação e ressarcimento funcionem de maneira eficiente.
Atualmente, algumas empresas exportadoras enfrentam dificuldades para utilizar ou recuperar determinados créditos tributários. Quando esses valores permanecem retidos, podem representar recursos financeiros que deixam de estar disponíveis para outras atividades do negócio.
A possibilidade de recuperar esses créditos com maior agilidade pode reduzir o volume de capital de giro imobilizado e melhorar a formação dos preços dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Esse cenário, entretanto, dependerá da aplicação prática das novas regras e da capacidade das empresas de adaptar seus processos fiscais e financeiros.
Planejamento será essencial durante a transição
A implementação gradual da reforma exigirá acompanhamento constante dos impactos sobre custos, contratos e operações internacionais. Mais do que realizar ajustes pontuais, as empresas precisarão revisar suas estratégias à medida que as novas regras entrarem em vigor.
Para Fábio Rengel, COO da Cronos Logistics, o acesso a informações operacionais e a comparação entre diferentes cenários serão fundamentais para orientar decisões durante esse período.
A análise integrada de tributação, logística e fluxo financeiro poderá ajudar as organizações a identificar riscos, aproveitar oportunidades e evitar decisões baseadas exclusivamente em vantagens fiscais que perderão relevância ao longo da transição.
Embora os efeitos variem conforme o setor, o perfil da carga e a estrutura de cada empresa, a reforma coloca em evidência uma questão central para o comércio exterior brasileiro: a competitividade dependerá cada vez mais da capacidade de combinar eficiência tributária, planejamento financeiro e desempenho logístico.
Sobre a Cronos Logistics
Com mais de 20 anos de experiência no comércio internacional, a Cronos Logistics tem sede em Itajaí (SC) e atua em operações de importação e exportação pelos modais marítimo e aéreo. A empresa oferece serviços de cargas consolidadas, projetos especiais, cargas vivas, seguro de transporte, courier, cabotagem e acompanhamento 24 horas. Além de Santa Catarina, mantém unidades em Caxias do Sul (RS), Curitiba (PR), São Paulo (SP), Salvador (BA) e Fortaleza (CE), além de escritórios próprios em Miami e Nova York, nos Estados Unidos. Entre suas certificações estão OEA, ISO 9001 e IATA.


