Levantamento da Abimetal-Sicetel mostra retração de 0,3% no volume processado pelas associadas, avanço das importações e mudanças nos mercados atendidos pelo setor.
A indústria processadora de aço brasileira movimentou milhões de toneladas em 2025, mas enfrentou desafios relacionados à retração da atividade e ao avanço dos produtos importados. Segundo a 15ª edição do Anuário de Análise Econômica do Mercado do Aço 2026, elaborado pela Abimetal-Sicetel, as empresas associadas à entidade processaram aproximadamente 3,3 milhões de toneladas de aço no período, uma queda de 0,3% em relação ao ano anterior.
O volume corresponde a 15,5% do total de aço processado no país, mantendo a participação do grupo próxima à registrada em 2024. Os dados ajudam a dimensionar a importância do segmento na cadeia produtiva nacional e os desafios enfrentados por empresas que fornecem insumos para diferentes setores da economia.
Lançado em 7 de outubro, durante o Jantar Anual da Abimetal-Sicetel, em São Paulo, o anuário reúne indicadores sobre o desempenho da indústria, os mercados atendidos e as transformações que influenciam a cadeia de processamento do aço.
“Os números mostram a dimensão da indústria processadora de aço e sua importância dentro da cadeia do aço. Mesmo diante de um cenário de retração, nossas associadas mantiveram um volume expressivo de transformação de aço e uma participação relevante no mercado nacional”, afirma Ricardo Martins, presidente da Abimetal-Sicetel.
Aços longos lideram o processamento
Entre os produtos processados pelas empresas associadas, os aços longos concentraram a maior parte do volume em 2025. Foram aproximadamente 2,6 milhões de toneladas, resultado 0,4% inferior ao registrado no ano anterior.
Já o processamento de aços planos apresentou retração mais expressiva, de 27%, alcançando cerca de 575 mil toneladas.
A indústria de trefilação e laminação ocupa uma posição estratégica na cadeia produtiva, conectando a siderurgia aos fabricantes de bens finais. Entre os produtos resultantes desse processo estão barras e arames trefilados, perfis metálicos, fitas relaminadas, telas, cabos, cordoalhas, correntes industriais, pregos e grampos.
Esses materiais abastecem atividades como construção civil, infraestrutura, indústria automotiva, fabricação de máquinas e equipamentos, além dos setores de petróleo e gás.
Construção civil e indústria estão entre os principais mercados
A diversidade de aplicações do aço aparece no levantamento sobre os mercados atendidos pelas associadas. Em 2025, a indústria em geral e a construção civil e infraestrutura estavam entre os segmentos com maior presença, ambos atendidos por 76% das empresas pesquisadas. O mercado de máquinas, equipamentos e implementos agrícolas e industriais apareceu em seguida, com 72%.
Apesar dessa abrangência, a pesquisa identificou mudanças relevantes na participação das empresas em diferentes cadeias produtivas.
O setor de petróleo e gás ganhou espaço, passando de 36,8% das empresas em 2024 para 48% em 2025. Os segmentos naval e de embalagens e recipientes também avançaram, de 15,8% para 24%.
Em sentido contrário, a presença no setor automotivo caiu de 73,7% para 52%, enquanto o segmento eletroeletrônico recuou de 57,9% para 28%.
Para Ricardo Martins, as diferenças refletem as condições específicas de cada mercado e demonstram a importância da diversificação das atividades.
“Essa distribuição é um indicador importante porque mostra que não existe uma única dinâmica para o setor. Enquanto alguns mercados ganharam participação, outros recuaram, refletindo as condições específicas de cada cadeia produtiva”, avalia.
Déficit comercial e importações pressionam o setor
Um dos principais desafios apontados pelo anuário é o crescimento do déficit comercial da indústria de trefilação e laminação. Em 2025, o saldo negativo chegou a US$ 823,1 milhões, diante de US$ 612,6 milhões em 2021. No acumulado entre 2021 e 2025, o déficit alcançou US$ 3,4 bilhões, um aumento de 172,2% em relação ao quinquênio anterior.
No ano passado, as exportações somaram US$ 335 milhões, enquanto as importações atingiram US$ 1,158 bilhão.
O avanço também foi observado nos volumes comercializados. As importações chegaram a 783,3 mil toneladas em 2025, alta de 5,3% sobre o ano anterior e o quinto recorde consecutivo. A China respondeu por mais de 50% das importações brasileiras de produtos de aço e derivados do setor.
O cenário amplia a pressão competitiva sobre os fabricantes nacionais, especialmente diante da entrada de produtos estrangeiros com preços competitivos.
“Quando produtos importados, especialmente os chineses, entram no mercado em volumes crescentes e com preços muito competitivos, a indústria nacional perde espaço, enfrenta maior pressão sobre margens e tem sua capacidade de investir e competir comprometida”, afirma Martins.
Novos materiais abrem perspectivas para inovação
Além dos desafios comerciais, o anuário aponta oportunidades relacionadas ao desenvolvimento de novas ligas metálicas, à reciclagem e à utilização de materiais com propriedades específicas.
As discussões sobre terras raras também podem contribuir para o desenvolvimento de produtos destinados a aplicações industriais de alto desempenho. Elementos como cério e lantânio, por exemplo, podem ser utilizados em processos metalúrgicos como agentes de refino e de liga, contribuindo para propriedades como resistência mecânica, ductilidade e resistência à corrosão e ao calor.
Para a entidade, acompanhar essas transformações é fundamental para compreender as possibilidades de inovação e agregação de valor na indústria processadora de aço.
O levantamento reúne informações sobre a participação do setor em diferentes cadeias produtivas e oferece uma visão dos fatores que influenciam sua competitividade. Em um cenário marcado pelo avanço das importações e por mudanças na demanda, os dados reforçam a importância de acompanhar o desempenho industrial e identificar oportunidades de desenvolvimento tecnológico.
Sobre a Abimetal-Sicetel
A Abimetal-Sicetel representa a indústria processadora de aço no Brasil e reúne empresas de diferentes portes e origens de capital. A entidade atua na defesa dos interesses do setor e na promoção da competitividade, da inovação e do crescimento sustentável da indústria nacional.


