De estudante de Medicina a estrategista de marketing, empreendedor construiu uma trajetória entre Brasil e Paraguai e hoje atende mais de 40 empresas.
O que começou com o objetivo de estudar Medicina no Paraguai acabou levando Junior Rezende para uma trajetória completamente diferente: o empreendedorismo e o marketing digital. Há oito anos vivendo no país, ele começou a empreender ao lado da esposa, Larissa, com a LV Lingerie, enquanto também desenvolvia trabalhos de marketing para empresas brasileiras e paraguaias. Com o crescimento dos negócios, a atividade que inicialmente acontecia em paralelo à faculdade passou a exigir cada vez mais dedicação, até que, no quinto ano do curso, decidiu trancar Medicina e assumir integralmente os negócios.
A experiência de empreender no Paraguai foi determinante para a construção de sua visão profissional. Mais do que aprender a lidar com um novo idioma, Junior precisou compreender diferenças culturais, hábitos de consumo, formas de negociação e maneiras distintas de construir confiança. Essa vivência passou a ser um dos seus principais diferenciais, especialmente por atuar justamente entre dois mercados. “Mais do que morar no Paraguai, aprendi a conectar dois mercados”, afirma.
Antes de consolidar sua carreira no marketing, Junior passou por áreas bastante diferentes, como Veterinária, Direito, Medicina, política e comércio. Hoje, ele entende que cada uma dessas experiências contribuiu para sua formação. A Veterinária trouxe disciplina e responsabilidade; o Direito desenvolveu sua capacidade de argumentação e análise; a Medicina ampliou sua percepção sobre comportamento e tomada de decisão; enquanto a política e o comércio contribuíram para sua comunicação, leitura de público e compreensão prática dos desafios de uma empresa.
Essa visão mais ampla também mudou sua maneira de trabalhar com marketing. Para Junior, uma empresa não pode ser analisada apenas pela publicidade que produz ou pelo volume de anúncios que coloca no ar. É preciso compreender o negócio como um todo. “Quando observo uma empresa, não vejo apenas uma campanha. Procuro compreender as pessoas, o negócio, a oferta, o atendimento e tudo o que pode estar impedindo aquela empresa de crescer”, explica.
Da própria empresa para mais de 40 negócios
A virada profissional aconteceu em 2021, quando Junior começou a cuidar do marketing da própria LV Lingerie. Depois de contratar diferentes gestores de tráfego e perceber que faltava uma compreensão mais profunda sobre o negócio e seu público, decidiu estudar marketing digital, tráfego pago, conteúdo e vendas.
O aprendizado mostrou que dominar ferramentas não era suficiente. Era necessário entender o consumidor. Vivendo no Paraguai, Junior conhecia tanto os brasileiros que moravam no país quanto o público paraguaio, o que permitiu desenvolver uma comunicação específica para a realidade local.
Os resultados obtidos com a LV Lingerie começaram a chamar a atenção de outros empresários. Por indicação, novos negócios passaram a procurá-lo e aquilo que começou como uma necessidade interna da própria empresa transformou-se em uma atividade profissional. Atualmente, Junior cuida do marketing de mais de 40 empresas e já participou do treinamento de mais de 200 empresários, principalmente no Paraguai.
A própria empresa como laboratório
A experiência com a própria empresa também trouxe uma perspectiva diferente sobre o marketing. Ao acompanhar estoque, fornecedores, equipe, atendimento, margem e fluxo de caixa, Junior passou a enxergar com mais clareza os limites de uma estratégia de publicidade quando outros setores do negócio não estão preparados para receber os resultados.
“Se faltar produto, se o atendimento demorar, se a equipe não acompanhar os contatos ou se a margem estiver errada, o marketing pode ampliar o problema em vez de resolvê-lo”, afirma. Para ele, essa é uma das principais diferenças entre simplesmente administrar campanhas e compreender verdadeiramente o negócio. “A LV me ensinou que o marketing precisa estar a serviço da empresa, e não a empresa a serviço do marketing.”
O anúncio não vende sozinho
Na visão de Junior, um dos maiores erros cometidos por empresários é acreditar que aumentar o investimento em anúncios será suficiente para fazer as vendas crescerem. O tráfego pago pode gerar atenção, apresentar uma oferta e levar potenciais clientes até a empresa, mas o resultado depende de toda a estrutura que existe depois disso. Produto, posicionamento, conteúdo, atendimento e acompanhamento precisam estar preparados para transformar o interesse em oportunidade comercial.
“Se o produto não é atrativo, o posicionamento é confuso, o conteúdo não transmite confiança, o atendimento demora e não existe acompanhamento, aumentar o investimento pode significar apenas perder mais dinheiro com velocidade”, alerta.
Por isso, ele compara o tráfego pago a um amplificador. Quando a empresa possui uma boa estrutura, a ferramenta pode acelerar o crescimento. Quando existem problemas internos, também pode acelerar esses problemas. Antes de definir quanto investir, portanto, é necessário avaliar se o negócio está preparado para aproveitar as oportunidades geradas pela publicidade.
Marketing, atendimento e vendas precisam falar a mesma língua
Junior defende uma visão integrada do marketing. Para ele, posicionamento, conteúdo, oferta, anúncios, atendimento e vendas fazem parte de uma mesma jornada e não podem funcionar de maneira isolada.
“O posicionamento define como a empresa quer ser percebida. O conteúdo apresenta suas ideias, seus diferenciais e sua autoridade. A oferta transforma essa atenção em uma oportunidade concreta. Os anúncios levam essa mensagem até as pessoas certas.”
Depois que o consumidor demonstra interesse, o atendimento passa a ter papel decisivo. “O consumidor não separa a empresa em departamentos. Para ele, tudo faz parte da mesma experiência”, explica.
Entre dois mercados
Atuar simultaneamente com brasileiros e paraguaios também fez com que Junior desenvolvesse uma percepção mais detalhada sobre os dois mercados. Segundo ele, o consumidor brasileiro está bastante exposto ao marketing digital e costuma receber uma quantidade elevada de ofertas, o que exige diferenciação e uma comunicação capaz de conquistar atenção rapidamente. No Paraguai, confiança, proximidade e relacionamento podem exercer um peso maior na decisão de compra. Por isso, uma campanha não deve simplesmente ser traduzida de um idioma para outro.
“Não basta traduzir uma campanha do português para o espanhol. É preciso adaptar a mensagem.”
Essa adaptação também é fundamental para empresas paraguaias que desejam conquistar brasileiros. Informações sobre pagamento, garantia, logística, procedência, endereço, atendimento e pós-venda precisam estar claras para reduzir a insegurança do consumidor.
Inteligência artificial entra no próximo capítulo
A inteligência artificial também já faz parte dos planos de Junior. Ele utiliza ferramentas de IA em seu trabalho e pretende, em 2027, disponibilizar algumas dessas soluções para seus clientes. Antes disso, porém, a estratégia é testar e validar as ferramentas para entender de que maneira elas podem gerar ganhos concretos para os negócios.
“Não quero oferecer inteligência artificial apenas porque o assunto está em alta. Primeiro, quero testar, validar e ter certeza de que aquilo realmente faz sentido para o negócio e produz algum ganho concreto.”
Para ele, a tecnologia pode aumentar a produtividade, mas não substitui experiência, conhecimento do cliente e capacidade estratégica.
A estratégia por trás do conteúdo
Em um ambiente no qual empresas produzem conteúdo diariamente, Junior acredita que o diferencial está em transformar cada publicação relevante em parte de uma estratégia maior. O conteúdo precisa posicionar a marca, mostrar seus diferenciais, gerar autoridade, responder objeções e conduzir o público para uma ação.
Ele também chama atenção para a dependência do alcance orgânico das redes sociais. Mesmo um bom conteúdo pode não alcançar uma parcela significativa dos seguidores de uma empresa. Por isso, além de produzir, é necessário distribuir estrategicamente.
“Criar conteúdo faz parte do trabalho. Criar conteúdos estratégicos dá direção. Distribuí-los por meio de anúncios faz essa mensagem chegar a quem realmente pode comprar.”
Empreendedorismo como exercício de mudança
A trajetória de Junior também é marcada por mudanças de direção. Da Medicina ao comércio e, posteriormente, ao marketing, diferentes experiências ajudaram a construir a atuação que desenvolve atualmente. Para ele, empreender significa entender que nem sempre o caminho será linear.
“Não acredito que exista uma caminhada de sucesso completamente linear. Toda trajetória possui mudanças de rota, obstáculos e períodos de incerteza.”
As três perguntas que todo empresário deveria fazer
Para quem deseja vender mais, mas ainda não sabe por onde começar no marketing, Junior recomenda voltar aos fundamentos. Antes de aumentar investimentos ou tentar estar presente em todas as redes sociais, o empresário precisa responder três perguntas: “Por que alguém deveria comprar de mim?”, “Quem é a pessoa que realmente precisa daquilo que vendo?” e “O que acontece depois que essa pessoa demonstra interesse?”
A partir dessas respostas, é possível estruturar uma oferta mais clara, entender o público e preparar o atendimento. Depois, uma estrutura simples, formada por conteúdo, anúncios direcionados e um processo comercial capaz de acompanhar as oportunidades, pode ser suficiente para começar.
O objetivo é testar, acompanhar os números, corrigir rapidamente o que não funciona e reinvestir naquilo que apresenta resultado. Afinal, como resume Junior Rezende: “Marketing não é mágica. É uma combinação de mensagem, público, processo, atendimento e constância.”


