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IA entra na cadeia de suprimentos para automatizar compras de long tail

Agentes autônomos passam a atuar diretamente nos processos corporativos e, segundo a UpFlux, podem gerar economia de R$ 1,6 milhão em operações de compras de R$ 20 milhões

A inteligência artificial já ocupa espaço relevante nas estratégias de transformação digital das grandes empresas. O próximo desafio, porém, é fazer com que essa tecnologia deixe de atuar apenas como ferramenta de apoio e passe a gerar resultados diretamente nos processos operacionais.

É nesse cenário que cresce o conceito de Enterprise AI, modelo no qual a inteligência artificial é integrada aos fluxos de negócio para compreender operações, analisar dados, interagir com sistemas corporativos e executar determinadas atividades de forma automatizada.

A UpFlux, empresa especializada em mineração de processos, aposta nessa estratégia com o desenvolvimento do NOUS AI, plataforma que combina mineração de processos, inteligência operacional e agentes autônomos.

Segundo Alex Meincheim, CEO e cofundador da UpFlux, muitas empresas já possuem uma quantidade significativa de dados, mas ainda enfrentam dificuldades para transformar essas informações em decisões capazes de produzir resultados.

“A maioria das empresas já possui dados suficientes para operar melhor. O problema não é a falta de informação, mas a dificuldade de transformar esses dados em decisões que gerem resultados. É essa lacuna que a inteligência artificial começa a preencher”, afirma.

Da análise à execução

A proposta da tecnologia é ampliar o papel da inteligência artificial dentro das organizações. Em vez de apenas responder perguntas, gerar relatórios ou auxiliar funcionários, os agentes podem ser conectados aos sistemas corporativos para acompanhar processos, identificar desvios e executar atividades previamente autorizadas.

Na área de compras, por exemplo, a tecnologia pode agrupar requisições equivalentes, analisar fornecedores considerando prazos reais de entrega, calcular o custo tributário efetivo, apoiar negociações e lançar pedidos diretamente no ERP, sempre respeitando as regras estabelecidas pela empresa.

Essa integração busca aproximar a análise dos dados da execução das atividades, reduzindo etapas manuais e permitindo que as equipes concentrem seus esforços em tarefas de maior valor estratégico.

O papel da mineração de processos

A experiência da UpFlux em mineração de processos é uma das bases utilizadas no desenvolvimento dessa estratégia.

Desde sua fundação, a empresa afirma ter analisado mais de R$ 59 bilhões em compras corporativas e R$ 200 bilhões em contas médicas, utilizando dados dos processos para identificar gargalos, desperdícios e oportunidades de eficiência.

A partir dessa experiência, a companhia ampliou sua atuação para integrar mineração de processos, inteligência operacional e agentes autônomos em uma mesma arquitetura.

O objetivo é permitir que a IA tenha uma compreensão mais ampla do funcionamento das operações antes de executar determinadas tarefas.

Compras de long tail entram no foco

Um dos principais campos de aplicação está na cadeia de suprimentos, especialmente nas chamadas compras de long tail.

Esse conceito engloba milhares de aquisições de menor valor individual que, quando analisadas em conjunto, representam uma parcela relevante das operações de compras de grandes empresas.

É justamente nesse volume de transações que a automação pode assumir atividades repetitivas, como análise de solicitações, comparação de fornecedores, identificação de oportunidades e execução de pedidos dentro dos parâmetros definidos pela organização.

Segundo a UpFlux, a aplicação da tecnologia pode gerar, em média, R$ 1,6 milhão em economia para cada R$ 20 milhões processados.

IA como parte da operação

Para Alex Meincheim, o principal desafio das empresas não está apenas em incorporar ferramentas de inteligência artificial, mas em fazer com que elas produzam efeitos concretos sobre os processos.

“Muitas organizações incorporaram IA à rotina dos colaboradores, mas a operação continua funcionando da mesma forma. O ganho aparece quando a tecnologia entende como o processo funciona, respeita regras de negócio e passa a apoiar decisões operacionais”, explica.

Essa mudança representa uma evolução em relação ao uso tradicional da IA como ferramenta de produtividade. A tecnologia passa a ser inserida diretamente na operação, com capacidade de executar determinadas tarefas dentro de limites previamente estabelecidos.

Investimento em Enterprise AI

A estratégia também marca uma nova fase para a UpFlux, que pretende ampliar sua atuação no mercado de Enterprise AI.

Para acelerar o desenvolvimento da tecnologia, a companhia anunciou investimentos de R$ 8 milhões em pesquisa e desenvolvimento e projeta alcançar R$ 100 milhões em receita até 2028.

A empresa conta com investidores como Aggir, Citrino Ventures e Alexia Ventures e pretende ampliar sua presença na América Latina.

Pessoas e agentes inteligentes trabalhando juntos

A expansão dos agentes autônomos não significa, necessariamente, a substituição das equipes humanas. A proposta apresentada pela UpFlux é direcionar a tecnologia para atividades repetitivas e operacionais, liberando profissionais para funções que exigem análise, negociação, relacionamento e tomada de decisão.

“A IA não deve substituir pessoas. Ela deve assumir atividades repetitivas para que as equipes possam concentrar esforços em negociação, análise e tomada de decisão. O futuro passa por operações em que profissionais e agentes inteligentes trabalham lado a lado”, afirma Meincheim.

Nesse modelo, a inteligência artificial passa a ocupar uma posição mais próxima da execução dos negócios. Para empresas que lidam diariamente com milhares de transações, fornecedores e processos, a combinação entre dados, automação e supervisão humana pode abrir uma nova frente de eficiência operacional.

A tendência aponta para uma transformação na cadeia de suprimentos: em vez de utilizar a IA apenas para consultar informações ou produzir conteúdo, as organizações começam a explorar agentes capazes de compreender processos e executar tarefas dentro das regras estabelecidas.

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