Fabricante amplia matriz energética de seu portfólio e desenvolve plataforma exclusiva para equipamentos destinados às operações agrícolas
A Grunner está ampliando sua atuação no mercado de máquinas agrícolas inteligentes com um investimento de R$ 19,5 milhões destinado ao desenvolvimento de uma nova plataforma e à incorporação de novas matrizes energéticas ao portfólio. A fabricante de Lençóis Paulista (SP) passa a oferecer equipamentos movidos a etanol e biometano, além das versões tradicionais a diesel.
Do investimento total, R$ 4 milhões foram destinados ao desenvolvimento da nova plataforma agrícola e R$ 15,5 milhões às novas opções de motorização. As novidades foram apresentadas durante o Grunner Day 2026, realizado nos dias 23 e 24 de setembro.
Os novos motores foram desenvolvidos em parceria com a MWM e podem equipar todo o portfólio da companhia, incluindo a Linha ATR, voltada ao transbordo de cana-de-açúcar; a Linha ASP, destinada à aplicação de vinhaça; e a Linha ADS, utilizada na distribuição de sólidos.
Os equipamentos com as novas motorizações já fazem parte da oferta comercial da Grunner.
Mais autonomia energética para as usinas
A ampliação das opções de combustível busca atender principalmente usinas que já produzem etanol ou biometano e podem utilizar essas fontes diretamente em suas operações agrícolas.
A estratégia permite reduzir a dependência do diesel e, consequentemente, a exposição às oscilações de preço de um dos principais insumos utilizados na mecanização do campo.
“Etanol e biometano dão às usinas mais alternativas para definir sua estratégia energética. Quem produz o próprio combustível pode avaliar, de acordo com o cenário operacional e econômico, quando utilizá-lo na frota e quando destiná-lo ao mercado”, explica André Torquetti, gerente nacional de Vendas e Marketing da Grunner.
Segundo o executivo, a utilização de combustíveis produzidos dentro das próprias unidades industriais pode proporcionar maior controle sobre a matriz energética.
“Ao utilizar etanol ou biometano, a usina reduz a exposição a um insumo sujeito a fatores externos e passa a ter maior controle sobre sua matriz energética. É uma decisão que combina inteligência operacional e maior autonomia”, afirma.
Etanol também poderá ser utilizado em retrofit
Outra possibilidade apresentada pela fabricante é a conversão de equipamentos que já estão em operação com motores a diesel para a utilização de etanol.
A solução de retrofit estará disponível para a motorização a etanol, mas não para os equipamentos movidos a biometano.
A alternativa amplia o potencial de adoção da nova tecnologia entre clientes que já possuem máquinas Grunner em suas operações. Atualmente, mais de 1.500 equipamentos da marca estão em funcionamento no Brasil.
Nova plataforma foi desenvolvida exclusivamente para o campo
Além das novas opções de motorização, a Grunner investiu R$ 4 milhões em uma nova arquitetura desenvolvida especificamente para suas máquinas agrícolas.
O projeto foi realizado em parceria com a Mercedes-Benz e estabelece uma nova base para o desenvolvimento e a montagem dos equipamentos da fabricante.
Anteriormente, as máquinas utilizavam como ponto de partida uma plataforma originalmente concebida para aplicações rodoviárias, que posteriormente era customizada pela Grunner para atender às necessidades do trabalho no campo.
Com a nova arquitetura, a lógica muda. A plataforma passa a ser projetada desde o início considerando as características das operações agrícolas.
A Mercedes-Benz permanece como parceira da Grunner no fornecimento da plataforma e das motorizações a diesel, enquanto a MWM passa a integrar a arquitetura como fornecedora dos motores a etanol e biometano.
Robustez e disponibilidade operacional
A nova plataforma será utilizada nas principais linhas de máquinas inteligentes da Grunner e foi desenvolvida com foco em robustez, redução da necessidade de intervenções e maior disponibilidade dos equipamentos.
A expectativa da empresa é que a nova arquitetura também contribua para aumentar a vida útil das máquinas e reduzir custos relacionados a reparos e manutenção ao longo da operação.
“Estamos deixando uma plataforma originalmente concebida para aplicação rodoviária e posteriormente customizada para o campo para trabalhar com uma base desenvolvida especificamente para os equipamentos Grunner”, explica Torquetti.
De acordo com o executivo, o projeto busca reduzir intervenções e aumentar a disponibilidade das máquinas, contribuindo para uma operação mais eficiente.
Tecnologia alinhada à produção de combustíveis renováveis
A combinação entre a nova plataforma e as diferentes opções de motorização amplia a possibilidade de configuração dos equipamentos de acordo com as características de cada operação.
Para usinas que produzem etanol ou biometano, a solução representa a possibilidade de integrar combustíveis produzidos internamente à estratégia de abastecimento da própria frota.
Além da busca por eficiência operacional, a adoção dessas fontes renováveis acompanha o movimento de redução da dependência de combustíveis fósseis e de busca por alternativas mais sustentáveis para a mecanização agrícola.
“No caso das usinas que produzem etanol ou biometano, essa flexibilidade ganha ainda mais relevância, porque permite incorporar combustíveis produzidos internamente à estratégia da frota”, conclui André Torquetti.
Inovação nasceu dentro do campo
A história da Grunner começou em 2018, a partir da experiência dos irmãos Belei, tradicionais produtores de cana-de-açúcar de Lençóis Paulista, no interior de São Paulo.
O projeto surgiu de uma necessidade observada diretamente no campo: reduzir o chamado “pisoteio” nas linhas de cana. Para isso, os empresários adaptaram um caminhão para realizar operações de colheita e aplicação de insumos.
A solução contribuiu para aumentar a produtividade, reduzir custos e melhorar a eficiência das operações agrícolas.
Desde a fundação, a Grunner mantém uma parceria exclusiva com a Mercedes-Benz. A união permitiu que caminhões da montadora recebessem o protocolo tecnológico responsável pela transformação dos veículos nas chamadas Smart Machines da Grunner.
O desenvolvimento da tecnologia ganhou reconhecimento em 2021, quando as máquinas da Grunner foram incluídas entre os dez principais produtos da história da Mercedes-Benz.
Patente reforça propriedade da tecnologia
A Grunner também possui uma patente de modelo de utilidade relacionada à tecnologia utilizada na estrutura de suas máquinas agrícolas Smart Machines.
Concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a patente garante à empresa a propriedade do título referente ao conjunto de conversão destinado ao aumento da bitola das rodas de caminhões rodoviários para utilização em diferentes tipos de lavouras.
A proteção da tecnologia é válida em todo o território nacional até 2033.
Com os novos investimentos, a Grunner amplia sua estratégia de inovação e passa a combinar uma plataforma desenvolvida especificamente para o ambiente agrícola com diferentes alternativas de motorização. O movimento reforça a aposta da companhia em máquinas inteligentes, eficiência operacional e utilização de fontes energéticas renováveis no campo.
Foto: Divulgação


