Levantamento com 278,8 mil empresas mostra que 58,5% já atendem integralmente às novas exigências; adequação de sistemas, classificação fiscal e planejamento financeiro estão entre as prioridades para a transição até 2033
A adaptação das empresas à Reforma Tributária avançou em 2026, mas ainda ocorre em ritmos diferentes. Uma análise da Qive, baseada em 104,4 milhões de documentos fiscais emitidos entre janeiro e março, identificou que 58,5% das 278,8 mil empresas do Regime Normal avaliadas já apresentavam adesão total às novas exigências. Outras 8,5% estavam em estágio parcial, enquanto 32,9% ainda não haviam avançado de forma significativa na adequação.
Os dados indicam que a Reforma Tributária já começou a produzir mudanças na rotina fiscal das empresas, embora uma parcela relevante do mercado ainda esteja em processo de preparação para as próximas etapas da transição.
2026 marca início da fase de testes
Neste ano, começou a fase de testes do novo sistema de tributação sobre o consumo. As empresas precisam adaptar sistemas e documentos fiscais eletrônicos para informar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de acordo com o cronograma de obrigatoriedade aplicável a cada documento fiscal.
A alíquota de teste estabelecida para 2026 é de 1%, sendo 0,9% de CBS e 0,1% de IBS. De acordo com as regras apresentadas no material, os valores podem ser compensados conforme previsto na legislação e, para os contribuintes que cumprirem corretamente as obrigações acessórias, a sistemática de 2026 não deve representar aumento de carga tributária.
Na prática, porém, o período de testes exige mudanças que vão além da emissão das notas fiscais. Sistemas, cadastros, processos internos e classificação de produtos e serviços precisam ser revisados para acompanhar o novo modelo.
Para empresas optantes pelo Simples Nacional, a obrigatoriedade relacionada aos novos campos está prevista, em regra, para 2027.
Adequação avança entre empresas obrigadas à NF-e
O ritmo de preparação também varia conforme o perfil das empresas e os documentos fiscais utilizados. Entre as empresas obrigadas à adequação da Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), a adesão total passou de 74,7% em janeiro para 85,2% em março de 2026, segundo a análise da Qive.
A adaptação antecipada também está relacionada à necessidade de revisar classificações fiscais. Erros nessa etapa podem se propagar para diferentes processos de apuração, aumentando a possibilidade de retrabalho e problemas de conformidade.
Sistemas e cadastros estão entre as prioridades
Para Taynara Moraes, contadora e sócia da Contax Contabilidade e Planejamento Tributário, uma das primeiras medidas é verificar se o sistema de gestão ou emissão de notas utilizado pela empresa está preparado para os novos campos de CBS e IBS.
Outro ponto é revisar os códigos fiscais de produtos e serviços. A classificação incorreta pode afetar os processos posteriores de apuração e exigir correções em diferentes etapas.
A preparação também envolve o planejamento financeiro. A implementação gradual do chamado Split Payment, mecanismo pelo qual o recolhimento do tributo ocorre de forma vinculada ao pagamento da operação, pode alterar a dinâmica do fluxo de caixa das empresas.
Nesse cenário, negócios que atualmente utilizam o intervalo entre o recebimento de uma venda e o recolhimento dos tributos como parte da gestão do caixa precisarão considerar os efeitos da mudança em seu planejamento financeiro.
Integração entre áreas ganha importância
A transição também exige integração entre diferentes setores das empresas. A recomendação apresentada por Taynara é reunir áreas como fiscal, contábil, jurídica e tecnologia em um comitê interno para acompanhar a implementação.
A proposta é evitar que decisões tomadas isoladamente por uma área criem inconsistências em outras etapas do processo de adequação.
A necessidade de preparação se estende ao longo de todo o período de transição. A Reforma Tributária prevê mudanças graduais até 2033, quando o novo modelo deverá estar integralmente implementado.
Transição segue até 2033
Em 2027, PIS e Cofins serão extintos e a CBS passará a integrar efetivamente o novo sistema. O IBS será cobrado à alíquota de 0,1% em 2027 e 2028.
A partir de 2029, começa de forma gradual a transição do ICMS e do ISS para o IBS. Esse processo deverá ser concluído em 2033, encerrando a implementação do novo modelo de tributação sobre o consumo.
Com a transição distribuída por vários anos, 2026 representa uma etapa de preparação para as mudanças que serão incorporadas progressivamente ao sistema tributário. Para as empresas, o desafio envolve adequar tecnologia, cadastros, processos fiscais e gestão financeira de acordo com cada fase do cronograma.
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