Advogado, empresário, investidor e palestrante, Paulo Corrales construiu uma trajetória que ultrapassa os limites da advocacia tradicional e aposta na conexão entre pessoas, mercados e oportunidades
A carreira de Paulo Corrales começou na advocacia, mas não permaneceu restrita aos limites do Direito. Ao longo dos anos, a experiência jurídica abriu portas para novos ambientes, aproximando o advogado de empresários, investidores, negócios e diferentes mercados.
O que começou como uma trajetória profissional essencialmente técnica passou por uma transformação. Corrales percebeu que o conhecimento jurídico poderia ser apenas o ponto de partida para a construção de algo maior.
“Comecei na advocacia, com uma formação muito voltada à técnica e à execução jurídica. Durante muito tempo, como acontece com muitos advogados, eu acreditava que ser tecnicamente bom seria suficiente”, conta.
A mudança veio quando ele entendeu que seu crescimento não poderia depender exclusivamente da própria capacidade de execução. Gestão, vendas, marketing, liderança e processos passaram a fazer parte da rotina.
Foi nesse momento que o escritório deixou de ser visto apenas como uma atividade profissional e passou a ser encarado como uma empresa.
Da advocacia ao mundo dos negócios
A transformação de advogado em gestor e empresário também mudou a maneira como Corrales passou a enxergar oportunidades.
“Foi quando deixei de enxergar apenas a advocacia que exercia e comecei a enxergar o negócio que poderia construir.”
A nova perspectiva trouxe consigo um dos principais aprendizados de sua trajetória: não é possível construir grandes negócios sozinho.
Formar equipes, delegar funções, estabelecer processos e desenvolver áreas comerciais passaram a ser elementos fundamentais. Ao mesmo tempo, relacionamento, posicionamento e marca ganharam importância como ativos estratégicos.
Essa visão ajudou a formar o que hoje Corrales define como um verdadeiro ecossistema de negócios.
Quando pessoas, capital e oportunidades se encontram
Um dos mercados que melhor representa essa nova fase é o de precatórios.
Segundo Corrales, a oportunidade está justamente na conexão entre diferentes pontas. De um lado, existem pessoas e empresas que possuem créditos. Do outro, investidores e estruturas de capital interessados em operações.
“Na advocacia eu tinha acesso a empresários. Nos negócios, comecei a me aproximar de investidores. No mercado de precatórios, encontrei uma situação ainda mais clara: de um lado havia capital procurando boas operações e, do outro, boas operações procurando capital.”
Para ele, o mercado de precatórios deixou de ser uma discussão exclusivamente jurídica e passou a ocupar também um espaço relevante no mercado financeiro.
Bancos, fundos, FIDCs, investidores, escritórios, originadores e empresas de tecnologia passaram a integrar esse ecossistema, criando novas possibilidades para profissionais que entendem não apenas do aspecto jurídico, mas também de negócios.
Um mercado que exige conhecimento e estrutura
Apesar das oportunidades, Corrales faz uma ressalva importante: precatórios não devem ser tratados como dinheiro fácil.
O mercado exige análise de risco, segurança jurídica, conhecimento e estrutura adequada para cada operação.
Nesse cenário, surgem oportunidades para advogados, brokers, escritórios e empresas capazes de identificar bons ativos, organizar documentação, compreender os critérios dos compradores e estabelecer relacionamento com fundos e investidores.
A tecnologia também começa a mudar a dinâmica desse setor.
Inteligência artificial, automação, jurimetria e análise de dados podem ampliar a capacidade de identificar oportunidades, analisar documentos, acompanhar processos e realizar due diligence em escala.
O poder das conexões
Se existe um elemento que atravessa toda a trajetória de Paulo Corrales, é o relacionamento.
Para ele, grandes negócios são construídos por pessoas.
“Fundos têm CNPJ, bancos têm marcas e empresas têm estruturas. Mas quem decide são pessoas.”
Essa visão se transformou em um dos pilares do ecossistema construído por Corrales. Segundo ele, as empresas e empresários conectados aos projetos e ambientes que desenvolveu, em diferentes setores, somam mais de R$ 10 bilhões em faturamento.
Mais do que um número, Corrales entende esse resultado como reflexo da capacidade de aproximar pessoas com potencial para construir negócios juntas.
UM ECOSSISTEMA QUE SUPERA R$ 10 BILHÕES
Hoje, empresas e empresários conectados aos projetos e ambientes construídos por Paulo Corrales, em diferentes setores, somam mais de R$ 10 bilhões em faturamento. Às vésperas do Precatório Summit, parte desse ecossistema estará reunida em Alphaville para aproximar Direito, capital, tecnologia e negócios.
O palco como ferramenta de transformação
A comunicação também ganhou espaço importante nessa trajetória.
Para Corrales, o palco não representa apenas status ou visibilidade. É uma ferramenta de acesso, relacionamento e responsabilidade.
Foi por meio da comunicação que ele ampliou sua rede, conheceu novos profissionais e passou a frequentar ambientes que, segundo ele, poderiam levar muito mais tempo para serem alcançados por meio da advocacia tradicional.
Hoje, uma de suas missões é mostrar a outros profissionais do Direito que existe um universo muito maior além dos processos.
Negócios, vendas, investimentos, tecnologia, posicionamento e construção patrimonial também podem fazer parte da trajetória de um advogado.
Precatório Summit: um mercado reunido no mesmo ambiente
Foi justamente a percepção sobre a necessidade de aproximar essas diferentes áreas que deu origem ao Precatório Summit.
A proposta, segundo Corrales, não era criar apenas mais um congresso jurídico, mas reunir em um mesmo ambiente as diferentes pontas que movimentam o mercado.
Nos dias 24 e 25 de setembro, em Alphaville, o evento reunirá autoridades, advogados, empresários, investidores, fundos, FIDCs, instituições financeiras, brokers, grandes operadores e empresas de tecnologia.
Entre as empresas citadas estão Droom, Carbon, Ativos, PREKS e BMAJ.
A programação contará com mais de oito painéis abordando temas como mercado financeiro, grandes operações, tributário, segurança jurídica, tecnologia, inteligência artificial, tokenização e investimentos.
“Não estamos apenas reunindo palestrantes. Estamos reunindo um mercado.”
A tecnologia não elimina o valor das pessoas
A chegada da inteligência artificial à advocacia e ao mercado de precatórios deve provocar mudanças profundas.
Atividades operacionais tendem a ser automatizadas, enquanto ferramentas tecnológicas poderão atuar na análise documental, acompanhamento processual, identificação de oportunidades e processos de due diligence.
Mas Corrales enxerga um paradoxo.
Quanto mais a tecnologia avança e se torna acessível, maior pode ser o valor de características essencialmente humanas, como relacionamento, confiança, negociação e estratégia.
É justamente na combinação desses elementos que ele enxerga uma das grandes oportunidades dos próximos anos.
Direito, mercado financeiro e tecnologia
Para o empresário, o futuro está na convergência entre três grandes áreas: Direito, mercado financeiro e tecnologia.
A tendência é que precatórios e ativos judiciais se tornem cada vez mais profissionalizados, aproximando investidores, fundos, FIDCs, empresas de tecnologia e novas estruturas de operação.
É nessa interseção que Corrales pretende concentrar parte importante de seus próximos projetos.
Mais do que acompanhar a transformação do mercado, a proposta é participar ativamente dela.
Sucesso é construir algo maior do que você
A definição de sucesso também mudou ao longo da trajetória.
Faturamento, patrimônio e crescimento continuam sendo importantes. Afinal, empresas precisam gerar resultados. Mas, atualmente, Corrales enxerga sucesso de maneira mais ampla.
“Sucesso também significa construir algo que seja maior do que você.”
Para ele, isso significa criar empresas, projetos e ambientes que continuem gerando oportunidades mesmo depois que determinada negociação ou iniciativa termina.
É colocar pessoas na mesma mesa e descobrir, posteriormente, que daquela conexão nasceu um negócio.
O conselho para quem está começando
Se pudesse voltar ao início da carreira, Paulo Corrales faria uma escolha diferente: buscaria mais cedo os ambientes certos.
Mentores, empresários, investidores e profissionais que já alcançaram os objetivos desejados poderiam ter acelerado sua visão e sua trajetória.
“Não construa sua carreira sozinho.”
A frase resume uma das principais lições de sua jornada.
O conhecimento técnico continua indispensável, mas, para Corrales, mudar de ambiente pode mudar também a velocidade de crescimento, a visão de mundo e o tamanho das oportunidades que um profissional consegue enxergar.
Sua própria trajetória é um exemplo disso.
O advogado que começou olhando para processos passou a enxergar empresas. O empresário passou a enxergar mercados. E o investidor passou a enxergar conexões.
No centro de tudo, permanece uma mesma ideia: grandes oportunidades surgem quando conhecimento, pessoas, capital e estratégia conseguem ocupar a mesma mesa.


