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Negócios

Sono sob medida: inteligência artificial pode ajudar a indicar o colchão ideal para cada pessoa

Estudos sobre ergonomia do sono e novas tecnologias mostram como a distribuição de pressão do corpo pode influenciar conforto, postura e qualidade do descanso

Passamos cerca de um terço da vida dormindo. Ainda assim, a escolha do colchão muitas vezes é feita principalmente pela sensação de conforto experimentada no momento da compra, sem considerar características individuais que podem influenciar diretamente a qualidade do sono.

Peso corporal, estrutura física e posição adotada durante a noite estão entre os fatores que interferem na maneira como o corpo se apoia sobre a superfície. Nesse cenário, estudos de ergonomia e novas tecnologias começam a transformar a escolha do colchão em uma decisão cada vez mais personalizada.

Pesquisas desenvolvidas no segmento de superfícies de descanso vêm utilizando sensores de mapeamento de pressão corporal para analisar como diferentes regiões do corpo interagem com o colchão. A proposta é compreender onde existe maior concentração de pressão e como o peso é distribuído durante o período de descanso.

Tecnologia permite mapear a pressão exercida pelo corpo

Uma das tecnologias utilizadas nesse tipo de análise permite gerar mapas térmicos capazes de representar os pontos de maior e menor pressão sobre o colchão.

Nas representações obtidas nos estudos, diferentes cores indicam a distribuição da pressão corporal. Regiões com menor concentração de pressão aparecem em tons mais frios, enquanto áreas de maior pressão são representadas por cores mais quentes.

Esse tipo de mapeamento pode ajudar a identificar situações em que determinadas regiões do corpo estão recebendo carga excessiva durante o sono. Ombros, quadris e coluna estão entre as áreas que merecem atenção, especialmente porque a distribuição inadequada do peso pode contribuir para desconforto durante a noite.

Mais do que avaliar simplesmente se um colchão é macio ou firme, a análise busca compreender o equilíbrio entre sustentação e adaptação ao corpo.

Não existe um colchão ideal para todo mundo

Um dos principais pontos observados nas análises é que não existe necessariamente um único modelo de colchão capaz de atender igualmente a todas as pessoas.

O biotipo e os hábitos de sono influenciam diretamente na escolha. Pessoas com maior peso corporal, por exemplo, podem precisar de estruturas com maior densidade e firmeza para evitar que o corpo afunde excessivamente.

Já quem costuma dormir de lado pode se beneficiar de superfícies capazes de acompanhar melhor os contornos corporais, reduzindo a concentração de pressão principalmente na região dos ombros e quadris.

A posição predominante durante o sono, portanto, passa a ser uma informação relevante na avaliação do produto.

Modelos híbridos ganham espaço

Entre as alternativas analisadas estão os colchões híbridos, que combinam sistemas de molas ensacadas com diferentes camadas de espuma.

A combinação busca oferecer equilíbrio entre suporte estrutural e adaptação ao corpo. A tecnologia permite que o colchão tenha diferentes níveis de resposta à pressão, contribuindo para uma distribuição mais adequada do peso.

A escolha, porém, deve considerar o conjunto de características de cada consumidor, e não apenas a composição do produto.

Inteligência artificial pode transformar a escolha do colchão

O avanço da análise biomecânica abre espaço para uma nova etapa no mercado de produtos para o sono: o uso de inteligência artificial para transformar dados técnicos em recomendações personalizadas.

De acordo com informações apresentadas pela Probel Colchões, a empresa trabalha no desenvolvimento de uma solução baseada em IA que pretende utilizar os dados obtidos nas análises para indicar estruturas de colchão mais adequadas a diferentes perfis.

A proposta é que a tecnologia consiga identificar fatores determinantes relacionados à distribuição de peso e, a partir dessas informações, apontar quais estruturas tendem a oferecer melhor suporte para cada perfil.

Na prática, a inteligência artificial funcionaria como uma ferramenta de apoio à decisão, aproximando o consumidor de uma escolha baseada em dados, e não somente na percepção subjetiva de conforto.

Uma nova relação entre tecnologia e bem-estar

A aplicação de inteligência artificial ao mercado de colchões acompanha um movimento mais amplo de personalização de produtos e serviços. No setor de bem-estar, informações individuais vêm ganhando importância para orientar decisões mais adequadas às necessidades de cada pessoa.

No caso do sono, o objetivo é tornar mais acessível ao consumidor o conhecimento técnico produzido por pesquisas sobre ergonomia e qualidade do descanso.

A tendência indica que, no futuro, escolher um colchão poderá envolver muito mais do que deitar sobre alguns modelos em uma loja. Dados sobre biotipo, posição de dormir e distribuição da pressão poderão ser utilizados para criar recomendações cada vez mais individualizadas.

Para um mercado em que conforto, saúde e tecnologia estão cada vez mais conectados, a personalização pode representar uma mudança importante na forma como o consumidor escolhe um dos produtos mais diretamente relacionados à sua rotina: o colchão.

Fonte: informações e estudos apresentados pela Probel Colchões.