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CEO da ATrinca Real Estate, Cézar Haik encara duas provas de Ironman 70.3 e transforma preparação esportiva em laboratório de liderança, gestão de tempo e consistência
Com 1,9 km de natação, 90 km de ciclismo e 21,1 km de corrida, o Ironman 70.3 está entre os desafios esportivos que mais exigem preparo, estratégia e resistência. Para o empresário Cézar Haik, CEO da ATrinca Real Estate, porém, a prova representa algo que vai muito além do desempenho físico: é também uma extensão dos princípios que orientam sua trajetória profissional.
Cézar participa da etapa de São Paulo, marcada para 20 de setembro, e volta a competir em Florianópolis, no dia 18 de outubro. Entre treinos, compromissos profissionais e vida pessoal, o empresário transformou a preparação para as provas em um exercício de disciplina e gestão de prioridades.
A relação com o esporte de alta performance não começou agora. Desde jovem, Cézar carregava o desejo de se tornar um Ironman. Chegou a iniciar a preparação, interrompeu o projeto, mas nunca abandonou a ideia. A retomada aconteceu no fim do ano passado, durante um treino com o sócio Joel Jota, quando conheceu o atual treinador, Thiago Vinhal, atleta que terminou em 13º lugar no Mundial de Kona, em 2017.
“Sempre gostei de desafio e o esporte é o desafio mais honesto que existe. Ele cobra na hora”, afirma.
Menos excesso, mais eficiência
À frente da ATrinca Real Estate, empresa fundada ao lado de Flávio Augusto, Joel Jota e Caio Carneiro, Cézar precisou encontrar uma maneira de encaixar uma rotina intensa de treinamentos em uma agenda empresarial igualmente exigente.
O processo, segundo ele, não significou simplesmente adicionar mais compromissos ao dia. A principal mudança foi aprender a selecionar melhor aquilo que merece tempo e energia.
“Minha rotina não ficou mais cheia, ficou mais seleta. Cortei o que não sustentava o objetivo e toda vez que você seleciona, você ganha eficiência. Isso não vale só para o treino, vale para a agenda da empresa também”, explica.
A lógica é semelhante àquela aplicada na gestão de empresas: recursos são limitados e resultados dependem da capacidade de definir prioridades. No caso do esporte, o recurso é o próprio corpo. Nos negócios, tempo, atenção, pessoas e capital.
O longo prazo como estratégia
A trajetória profissional de Cézar também ajuda a explicar a conexão entre os dois universos. Ele começou no mercado imobiliário como corretor, avançou para posições de liderança comercial e chegou a diretor de vendas da Cyrela. Ao longo da carreira, acumulou mais de R$ 5 bilhões em vendas.
No esporte, encontrou uma dinâmica parecida com a construção de uma carreira: resultados consistentes não surgem de um único grande esforço, mas da repetição de pequenas decisões ao longo do tempo.
“O Ironman ensina paciência, ensina a respeitar o tempo do processo e a cumprir a tarefa do dia mesmo quando ninguém está olhando. Carreira no mercado imobiliário funciona igual”, afirma.
A preparação para uma prova de longa duração exige planejamento de meses, acompanhamento de desempenho, adaptação da rotina e capacidade de lidar com dias em que a evolução parece pouco perceptível. No ambiente empresarial, a lógica também se aplica: estratégias precisam ser sustentadas antes de produzirem resultados.
Quando a estratégia supera a motivação
Outro aprendizado levado por Cézar para os negócios está relacionado à motivação. Em uma prova que pode durar horas, depender exclusivamente da disposição momentânea pode ser insuficiente. É necessário seguir um plano mesmo quando o corpo e a mente começam a cobrar.
“Motivação é sensação e plano é decisão, eu confio na segunda opção”, resume.
Para o empresário, essa diferença é fundamental também para quem lidera equipes, constrói negócios ou busca objetivos de longo prazo. A motivação pode impulsionar o início de um projeto, mas é a consistência que sustenta a execução.
Nesse sentido, o Ironman se transforma em uma espécie de laboratório pessoal de liderança. Cada treino representa uma etapa do processo, cada dificuldade exige adaptação e cada prova coloca à prova a capacidade de manter a estratégia diante do desconforto.
A linha de chegada começa muito antes
Com duas provas no calendário, Cézar encara os próximos meses como mais uma oportunidade de testar seus próprios limites. Mas o principal resultado, segundo ele, não estará necessariamente no tempo registrado ou na posição alcançada.
“Mais do que chegar à linha de chegada, a expectativa é levar para a vida profissional aquilo que o esporte vem ensinando durante os meses de preparação: consistência, disciplina, estratégia e capacidade de sustentar um objetivo até o fim. A linha de chegada não constrói nada, só confirma o que foi construído nos meses anteriores”, conclui.
Sobre Cézar Haik
Cézar Haik é empresário, investidor e uma das referências em vendas do mercado imobiliário brasileiro. Iniciou a carreira como corretor e chegou à diretoria de vendas da Cyrela, onde liderou um dos maiores resultados comerciais da companhia. Ao longo da trajetória, acumulou mais de R$ 5 bilhões em vendas.
Em 2025, fundou a ATrinca Real Estate ao lado de Flávio Augusto, Joel Jota e Caio Carneiro. É autor dos livros O Longo Prazo Sempre Vence e Mais Que Amigo, Líder, além de host do podcast de negócios Qual é a Chave?.


