Com 12 anos de experiência na fisioterapia, atuação com pacientes de alta complexidade e presença na comunicação, profissional defende uma saúde cada vez mais técnica, humana e acessível
Cuidar de pessoas nunca foi, para Thais Rodrigues, apenas uma questão de aplicar técnicas e protocolos. Ao longo de 12 anos de trajetória na fisioterapia, especialmente na reabilitação de pacientes neurológicos e respiratórios e no atendimento domiciliar de pessoas que passaram por unidades de terapia intensiva, ela descobriu que sua profissão poderia alcançar uma dimensão ainda maior.
Por trás de cada diagnóstico, Thais passou a enxergar histórias, famílias, medos, expectativas e esperança. E foi justamente essa percepção que ajudou a construir uma carreira que hoje transita entre assistência à saúde, comunicação, educação e liderança.
“Cada paciente e cada família me mostraram que cuidar também é ouvir, acolher, orientar e transmitir segurança”, afirma.
Para ela, a fisioterapia humanizada não significa deixar a ciência em segundo plano. Pelo contrário. Ciência e acolhimento precisam caminhar juntos.
“A ciência direciona minhas decisões e garante segurança ao tratamento, enquanto o acolhimento me permite enxergar a pessoa além da doença”, explica.
Além da reabilitação
A experiência com pacientes de alta complexidade trouxe ensinamentos que ultrapassam os livros e as especializações. No ambiente domiciliar, Thais acompanha não apenas a evolução clínica, mas também os desafios enfrentados por famílias que precisam se adaptar a uma nova realidade depois da alta hospitalar.
Equipamentos, rotinas de cuidados, limitações e incertezas passam a fazer parte do cotidiano. Nesse cenário, a orientação e o acolhimento dos familiares também se tornam fundamentais.
“É fundamental orientar e acolher os familiares, oferecendo informações claras e segurança para que eles entendam o processo e percebam que não estão sozinhos nessa jornada”, destaca.
Essa convivência também modificou sua percepção sobre o que significa evolução. Para Thais, nem toda vitória precisa ser grandiosa.
Uma pequena resposta, um movimento, uma melhora respiratória ou simplesmente um momento de conforto podem representar conquistas enormes para um paciente e sua família.
Quando a saúde encontra a comunicação
A trajetória profissional também levou Thais para outros espaços. Palestras, televisão, entrevistas, rádios, podcasts, portais de saúde e redes sociais passaram a fazer parte de sua atuação.
Nesse caminho, ela encontrou na comunicação uma extensão do próprio propósito.
“Informação também é uma forma de cuidado”, define.
Em uma sociedade marcada pelo excesso de informações e pela disseminação de conteúdos de saúde nem sempre confiáveis, Thais acredita que o profissional tem uma responsabilidade importante: transformar conhecimento científico em informação compreensível, sem abrir mão da ética e da responsabilidade.
Para ela, comunicar bem não significa utilizar palavras difíceis.
“Dominar um assunto também significa conseguir explicá-lo de forma simples e acessível.”
Essa visão também está presente no relacionamento com os pacientes. Quanto mais clara é a comunicação, maior tende a ser a segurança de quem está passando pelo processo de tratamento e reabilitação.
Autoridade não se constrói apenas com visibilidade
A presença digital trouxe novas possibilidades para profissionais da saúde, mas também novos desafios. Para Thais, um dos principais riscos está em colocar a busca por visibilidade acima da responsabilidade profissional.
Promessas de resultados, informações sem embasamento, exposição inadequada de pacientes e conteúdos sensacionalistas podem transformar as redes sociais em um ambiente perigoso.
“Autoridade verdadeira é construída com conhecimento, ética, coerência e constância”, afirma.
Sua própria construção de marca pessoal aconteceu de maneira gradual. Ao compartilhar experiências e defender uma fisioterapia mais humanizada, percebeu que sua mensagem poderia alcançar pessoas que talvez nunca chegassem presencialmente até seu atendimento.
Foi quando entendeu que marca pessoal não é simplesmente aparecer.
“Construir uma marca pessoal não significava simplesmente aparecer, mas representar valores pelos quais eu gostaria de ser reconhecida.”
Liderar também é desenvolver pessoas
Além da atuação clínica e da comunicação, Thais também se dedica a livros, treinamento de equipes e formação de lideranças.
Em todas essas frentes, existe um elemento em comum: pessoas.
“Independentemente da ferramenta ou do espaço em que estou, meu propósito está relacionado a desenvolver, orientar, comunicar e gerar transformação.”
Na visão da profissional, conhecimento técnico é indispensável, mas não é suficiente para formar um verdadeiro líder na área da saúde. É necessário saber ouvir, comunicar, orientar, tomar decisões, administrar conflitos e compreender as pessoas.
A inteligência emocional, portanto, assume papel importante na construção de equipes mais preparadas e comprometidas. Para Thais, liderar não significa necessariamente ser a pessoa que possui todas as respostas. Significa reconhecer talentos, desenvolver pessoas e continuar aprendendo.
“Um verdadeiro líder não precisa ser aquele que sabe tudo, mas aquele que reconhece o valor da equipe, sabe ouvir, continua aprendendo e consegue fazer com que as pessoas ao seu redor também cresçam.”
Uma profissional em constante construção
Mesmo tendo conquistado reconhecimento e ampliado sua atuação, Thais não enxerga a ideia de ser referência como um ponto final. Para ela, quanto maior o alcance de sua voz, maior é a responsabilidade de continuar estudando e se atualizando.
A saúde está em constante transformação e, segundo sua perspectiva, profissionais que desejam permanecer relevantes precisam manter a curiosidade e a abertura para novas possibilidades.
“Quero continuar sendo uma profissional em construção, porque acredito que aprendizado e evolução precisam acompanhar toda a nossa trajetória.”
Essa postura também aparece quando ela fala sobre a própria carreira. Se pudesse conversar com a Thais que estava começando na fisioterapia, o conselho seria simples, mas profundo: confiar no processo.
“Estude muito, mas nunca permita que o conhecimento técnico faça você esquecer a pessoa que existe diante de você.”
O futuro da fisioterapia
Ao olhar para os próximos cinco anos, Thais acredita que a tecnologia terá participação cada vez maior na fisioterapia e na reabilitação. Inteligência artificial, monitoramento, novas tecnologias e tratamentos cada vez mais personalizados deverão transformar a forma como profissionais acompanham seus pacientes. Mas existe um ponto que, para ela, não pode ser perdido nesse processo: a humanidade.
“Quanto mais tecnológica a saúde se tornar, maior será a necessidade de preservar aquilo que nenhuma tecnologia substitui: o olhar humano, a escuta, a empatia e a relação de confiança.”
Na comunicação em saúde, ela também prevê um público cada vez mais atento e exigente, o que deverá aumentar a responsabilidade dos profissionais na produção de conteúdo.
Um legado baseado em conhecimento e humanidade
Ao olhar para tudo o que construiu, Thais não resume seu legado a títulos, experiências ou reconhecimento profissional. Seu desejo está relacionado ao impacto que consegue produzir na vida das pessoas. Ela quer ser lembrada pelos pacientes e suas famílias como alguém que ofereceu mais do que uma conduta profissional: alguém que esteve presente com respeito, atenção e dignidade. Também deseja inspirar outros profissionais a entenderem que excelência técnica e sensibilidade não são caminhos opostos. E, para aqueles que acompanham seu trabalho através da comunicação, espera deixar conhecimento, consciência e inspiração.
“Gostaria que meu nome fosse lembrado por ter unido conhecimento e humanidade.”
No fim, talvez seja justamente essa combinação que melhor defina sua trajetória.
A fisioterapia foi o ponto de partida. A comunicação ampliou sua voz. A liderança expandiu seu alcance. Mas o elemento central permanece o mesmo: pessoas.
“Se ao final da minha trajetória eu puder olhar para trás e perceber que ajudei pessoas a respirar melhor, recuperar movimentos, acreditar novamente em possibilidades e compreender que cuidar vai muito além de uma técnica, esse será o legado que realmente fará sentido para mim.”


